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Recebi do Volkswagenmaniaco
Rogério Caldas de Oliveira uma crônica
que conta a sua experiência, ainda como adolescente,
na Fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil.
Ele conta como viu e descobriu a Fábrica
Anchieta a bordo de uma bicicleta nos idos de 1986...
A cinqüentenária
Fábrica vista através dos olhos eu
um jovem de 14 anos, algo diferente que o Rogério
brinda aos amantes da Volkswagen.
A cidade Volkswagen
Anchieta
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| Fábrica
Volkswagen Anchieta. Cruzamento da Ala III,
à esquerda e Ala IV, à direita.
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Sou Rogério,
eletricitário, tenho 37 anos e resido em
São Paulo, Capital. Sobrinho de 5 tios que
trabalharam na fábrica da VW Anchieta, conhecida
como Fábrica I, sendo que um destes tios
conseguiu intermediar um trabalho em uma Empresa
terceirizada que prestava serviços nesta
unidade!
Começo minha história em 10/11/1986,
quando iniciei meu primeiro trabalho na VW, como
contínuo, no setor 1367, denominado Departamento
de Obras e Manutenção, onde esta Gerência
também respondia pela Manutenção
Predial, Zeladoria e Jardinagem. Fui apresentado
á secretária de origem alemã,
muito eficiente (Naquela época, a secretária
já tinha um papel muito além do que
fazer cartas e atender telefone) Seria hoje, uma
assistência de gerência. Isto eu posso
dizer, que funcionava por toda a fábrica,
nos diversos setores.
A fábrica
era composta por 22 Alas, sendo que todas eram indicadas
por algarismos romanos, onde os prédios,
em regra geral, eram construídos em forma
retangular. Já os prédios mais novos
seguiam uma arquitetura mais atual. Os mais antigos,
seguiam um padrão de época, originário
da VW alemã!
Para aprender a localização dos setores,
existia um padrão, ou seja, cada setor era
indicado na Ala, e os lados correspondentes da Ala,
eram denominados através de pontos cardeais,
com nomes da região, que o lado direcionava.
Exemplo: Sul, São Paulo. Norte, Santos. Leste,
Santo Amaro. Oeste, Anchieta. Assim, fui descobrindo
isto a caminhar na Cidade VW!
As ruas eram pavimentadas,
com calçadas, e demarcação
para pedestres, e em pontos críticos, existiam
até semáforos! Muito bem sinalizadas,
tanto para o pedestres como para os veículos
que lá circulavam! Existiam algumas árvores,
e acho que algumas foram preservadas desde a construção
da fábrica! Agora, os jardins eram um exemplo
de paisagismo!
Em pouco tempo
eu andava por todos os lados da Fábrica!
Logo, para ganhar mais agilidade, recebi uma bicicleta!
Facilitou muito minha vida, pois entregava as CI´s
( Comunicações Internas, que eram
datilografadas, pois os computadores eram aplicados
somente em serviços restritos, como CPD)
nos setores! Faço analogia ao mensageiro
de guerra! Já o Gromow, fez uma analogia,
que não tinha passado por minha cabeça,
ou seja, eu era o que hoje chamamos de email!!!
Entre uma correspondência
e outra, também ia ao banco (Banco Nacional,
o qual ajudou muito na carreira do Ayrton Senna),
tirava cópias, pois naquela época,
havia uma central de cópias em cada Ala com
um número significativo de escritórios!
Também levava solicitações
de impressos gráficos, pois também
existia uma gráfica na fábrica, porém
sediada em um endereço único, Ala
XIII, lado Santos!
Na cidade Anchieta, assim se pode dizer, existiam
em pontos determinados, pequenas lanchonetes. Todas
tinham o mesmo padrão de vendas de mercadorias,
sendo os melhores fornecedores do mercado! Estas
lanchonetes eram vinculadas ao setor de Alimentação,
que também gerenciava os restaurantes, distribuídos
em locais estratégicos pela fábrica!
Falando de restaurantes, a refeição
era uma delícia, refrigerante de máquina
a vontade e os pãezinhos da padaria própria!
Não existia melhor em lugar algum! O que
também chamava a atenção era
o uniforme dos funcionários deste setor,
todos branquinhos, como uma farda médica
militar, com o logo VW, estampado no bolso! Um sonho!!!
Outro local que me chamou muita atenção
foi o Centro de formação para menores,
onde se aplicava instrução de mecânica
e elétrica para autos, semelhante ao que
podemos chamar de Senai. Sempre passava pelos treinandos,
observando sua aplicação e dedicação
ao curso, sempre acompanhados por um instrutor muito
bem capacitado!
Andando pelas Ruas
e Alas, passava pela Ala XIV, onde existia a montagem
final, que era outro sonho! Linha da Kombi, Santana,
onde admirava toda aquela aplicação
e concentração dos montadores, sempre
atentos na montagem dos veículos! Nesta Ala,
os veículos, após os testes finais,
saiam diretamente para o pátio! Passava um
bloco de veículos, exemplo, Santanas e logo
atrás, uma Kombi para passageiros! Está
Kombi, trazia os motoristas de volta para a Ala,
para recomeçar todo o processo de envio de
veículos para o pátio! Este processo
era executado por vários comboios. Para um
jovem de 14 anos, isto era o máximo!
Por falar em Kombi,
este era o VW que mais se via pelas Ruas internas
da fábrica, sendo o modelo para Passageiros,
o Furgão ou Pick-up. Elas executavam todo
tipo de transporte interno e na maioria dos modelos,
eram sem placas de licenciamento. Estas Kombis possuíam
uma placa com o nome e número do setor correspondente
ao veículo! Já a segurança
Patrimonial e Corpo de Bombeiros, tinham os veículos
emplacados e o sistema de segurança, semelhante
ao que temos no lado de fora da fábrica,
ou seja, patrulhamento entre as Ruas, ocorrências
nos setores, de qualquer origem, são atendidas
pela segurança e os Bombeiros, o que não
podia ser diferente, ou seja, sempre atentos, monitorando
todo o complexo. Lembro-me perfeitamente de uma
Kombi com escada tipo Magirus, nas proporções
do veículo, pertencente ao Corpo de Bombeiros.
Na época a sua origem não me chamou
a atenção, mas hoje, com o conhecimento
que vamos adquirindo, acredito que esta Kombi era
da Alemanha, pois vi modelos semelhantes em livros
com fotos dos anos 80 referente à VW Alemã!
Também havia uma Kombi, com a carroceria
à frente da cabine, sendo a cabine, acima
do motor! Muita legal e chama a atenção
de qualquer visitante! Hoje, através do Gromow,
pude descobrir o verdadeiro nome desta Kombi, que
em alemão, chama-se Pritschen Wagen! Uma
raridade!
Como a Kombi era soberana nas Ruas da VW, o que
não poderia deixar de ser, outro modelo comum
pelas Ruas da fábrica, era o Santana e o
Santana Quantum, modelos exclusivos para Gerentes
e Diretores, sua maioria modelos completos como
o CD e subseqüentemente o GLS!
Agora outro veículo
que algumas vezes transitava pelas Ruas, era o FOX,
versão do Voyage brasileiro, o qual era destinado
ao mercado americano e canadense. Este veículo
me chamou a atenção pela primeira
vez, pois existia uma luz no vidro traseiro, que
até aquele momento, nunca havia visto em
outro veículo, que hoje, chamamos de Break
Light, tão comum nos veículos atuais!
Estes Voyages eram
usados em teste pela engenharia de Fábrica
e quando algum engenheiro utilizava um modelo pelas
Ruas internas, não só eu, mas os funcionários
em geral, paravam para ver as diferenças
do modelo americano para o brasileiro. Visualmente
eram percebidas mudanças nas calotas, faróis,
indicadores luminosos nas laterais dianteiras e
traseiras, Break Light, logo FOX e um adesivo no
vidro traseiro , acima dos filamentos térmicos
do desembaçador do vidro, com a frase: MADE
IN BRAZIL! Também existia uma versão
que poucos devem conhecer: era o FOX Wagon, que
nada mais era o que veio a ser a nossa famosa Parati.
Mas vale lembrar que estes dois veículos
possuíam mais de 100 itens de diferença
em relação ao modelo Brasileiro, para
atender o padrão de exigência dos Estados
Unidos e Canadá!
Finalizando, gostaria
de fazer um pequeno comentário sobre a VW
Caminhões que se situava na Av. Dr. José
Fornari, paralela à Via Anchieta, sentido
São Paulo! Está fábrica, que
utilizava as antigas instalações da
Dogde Caminhões em um terreno que pertenceu
a Antiga Brasmotor, crescia a cada dia, mantendo
um paralelo a VW automóveis, mas gostaria
de comentar uma curiosidade sobre estas duas fábricas!
Como uma fica paralela a outra, porém dividida
pela minha amada Via Anchieta, foi feito um túnel
exclusivo para pedestres, por baixo da rodovia,
assim ligando as duas fábricas, porém
fora da divisa de portões, ou seja, aberto
aos demais pedestres! Hoje, como a VW Caminhões
se mudou para Resende, RJ e no local da antiga VW
caminhões, existe outro grande complexo,
sem vínculos com a VW, este túnel
ficou praticamente abandonado! O mais curioso é
que os milhares de motoristas que passam por esta
Rodovia, não imaginam que transpõem
este túnel e o legal é que em Janeiro
de 2009, fui visitá-lo e até que ele
está em pleno funcionamento, porém
sem a utilização que ele proporcionava
aos funcionários da VW nos anos dourados!
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| Rogério, ao
lado de seu sobrinho |
Em 1988, o contrato
da Empresa que eu trabalhava não foi renovado
e tive que me despedir da Fábrica Anchieta!
Foi muito triste, pois eu amava tudo aquilo! Mas
não me revoltei e entendi que era um funcionário
terceirizado e não um funcionário
VW e prometi que a paixão pela VW não
ia acabar e não acabou! Desde meu primeiro
veículo até hoje, só possuí
VW´s! Possuo um acervo de revistas e livros,
que considero bastante rico e importante sobre a
história da VW! Tenho uma respeitável
coleção de miniaturas de VW´s
e Porsches, em várias escalas! Possuo o Azulão,
um VW Sedan 1969, que simboliza toda a paixão
que tenho pela VW Brasil e pela Unidade Anchieta!
No dia 23 de Dezembro de 2009, o Azulão faz
40 anos de vida e vou levá-lo até
a Portaria de VW Anchieta e tirar uma foto comemorativa,
juntamente com os 50 anos da VW Anchieta! Ele merece
este presente! A VW merece este presente! Espero
que não chova, pois o Azulão, há
muitos anos, não pega uma gota de chuva!
VW Anchieta! Fábrica
I! Parabéns pelos seus 50 anos de vida e
tenho o máximo orgulho de ter lhe conhecido,
respeitado como um grande local de trabalho e de
ter construído o melhor carro do Mundo! Vocês,
equipe VW, fizeram aqui no Brasil, a concretização
da missão para o qual o Käfer foi construído!!!
Colocar o povo Brasileiro sobre rodas, iguais às
que transportaram o povo Alemão!
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