Muitas das marcas automobilísticas americanas da década
de 30 inovaram lançando tendências que mudariam
a história para sempre. Mas com certeza uma delas em
especial sobressaiu mais que as outras. Sim, estou falando
da Cord.
Errett Loban Cord nasceu em 1894, justamente quando o carro
a motor estava surgindo.De vendedor de automóveis se
tornou um dos mais importantes fabricantes da América.Aos
31 anos já era milionário.
Cord L-29 Sedan, 1929
Em 1924 ele conseguiu recuperar a falida Auburn. Quando,
em 1929, lançou o primeiro carro com o seu nome, o
Cord L-29, já possuía a Lycoming, fábrica
de motores, a Limousine Body Company of Kalamazoo, de carrocerias,
a Duesenberg Motors Company, de carros de luxo. Era dono até
de uma fábrica de aviões, a Stinson.
O Cord L-29 foi lançado no New York Motor Show, causando
furor. Foi o primeiro automóvel americano a ter tração
dianteira. Infelizmente foi lançado na hora errada,
dois meses antes do “crack” da bolsa de Nova York
.O resultado foi a queda da procura por carros luxuosos.
Cord pensava em vender 10.000 carros por ano, mas quando
a produção do L-29 parou, em 1932, apenas 5.010
haviam sido construídos.Os caríssimos Duesenbergs
também não eram fáceis de serem vendidos,
apesar de muito procurados por astros como Clark Gable, que
possuía dois, Gary Cooper e Carole Lombard.
Cord 810 Phaeton, 1936
Em 1933 a Auburn deu um prejuízo de mais de 2 milhões
de dólares. Mas Cord não desistiu, imaginava
um novo modelo, tão excepcional e chamativo que cada
americano rico iria querer ter o seu. Seria o Cord 810.
Lançado em 1935, tinha, é claro, a tração
dianteira mas agora possuía um motor V8 Lycoming, com
válvulas laterais, ligado diretamente ao câmbio
e à transmissão.Tinha quatro marchas e alcançava
120 hp, em versão Sedan, Phaeton ou Sportsman.
Gordon Buehrig desenhou a carroceria, que era tão
bonita e excepcional, que ele recebeu um prêmio do Museu
de Arte Moderna de Nova York, em 1952.
Cord 812 Phaeton, 1937
Em 1936 a Cord lançou o modelo 812, basicamente igual
aos 810, mas que tinha como novidade um compressor centrífugo
Schiwitzer-Cummins, facilmente reconhecido por seus exaustores
cromados, que saiam dos lados do capô.Tinha ainda faróis
escamoteáveis, com comando manual, câmbio elétrico
e um estepe que ficava atrás do banco do motorista.
Cords no Brasil: o do alto
o 812 Sportsman 1937 de Carmem Miranda. O de baixo o 812
Phaeton 1937
O painel era sofisticado, tendo até marcador da pressão
de óleo e contagiros.
Em 1937, depois de um total de 3.200 carros produzidos, dos
modelos 810 e 812, a fábrica foi fechada, mas a marca
se tornou imortal.Ainda hoje réplicas são construídas.
Seus automóveis eram muito sofisticados e avançados
para a época, o que acabou chocando o mercado conservador
americano.
No Brasil são encontrados cinco exemplares:dois L-29,
um Cabriolet e um Sedan, ambos de 1929, um 812 Sportsman,
de 1937 que foi da Carmen Miranda, um 812 Phaeton de 1937
e um Beverly Sedan de 1937.
João Pedro Gazineu
é um jovem de apenas 18 anos, apaixonado desde
criança por carros antigos. Escreve sobre os
grandes clássicos da primeira metade do Século
20, principalmente os mais raros e desconhecidos do
grande público.