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17º Encontro do Automóvel Antigo de Juiz de Fora – MG

Superando expectativas,
com um desfile de preciosidades

Superação! Esta talvez seja a palavra que melhor sintetize o 17º Encontro do Automóvel Antigo de Juiz de Fora – MG, que aconteceu no último fim de semana, de 31 de julho a 2 de agosto de 2009, no Centro de Convenções Expominas.

Maurílio Alvim, presidente do Veteran Car Club de Juiz de Fora

A dificuldade de patrocínios, comum a clubes de automóveis antigos de todo o Brasil — devido à crise econômica mundial surgida no final ano passado, mas que já dá sinais de enfraquecimento — bateu às portas também do Veteran Car Club daquela cidade. Mas isso não foi problema suficiente, que impedisse a entidade de organizar um belíssimo encontro, com excelente presença de público, colecionadores de todo o Brasil e a participação de automóveis realmente preciosos. “O evento superou todas as nossas expectativas, inclusive pela qualidade dos automóveis. Eu confesso que fiquei apaixonado por alguns modelos que jamais havia visto na vida”, declarou o presidente do Veteran Car Club de Juiz de Fora, Maurílio Alvim.

Nacionais e importados

Oldsmobile Super 88 1959, Ford Zodiac 1961 e Pickup Studebaker 1961

A turma do Clube do Fordinho, veio rodando de São Paulo

Foram cerca de 250 automóveis antigos inscritos, entre nacionais e importados, ficando entre os mais antigos os 4 Fords Modelo A, pertencentes ao Clube do Fordinho de São Paulo. Esses automóveis vieram rodando da capital paulista, distante cerca de 400 quilômetros de Juiz de Fora. Outros destaques importados foram: Oldsmobile Super 88 1959, pertencente a Raymundo Pinheiro, de Teresópolis-RJ; Ford Businness 1940, automóvel de apenas dois lugares e grande porta-malas, muito utilizado pelos caxeiros-viajantes americanos, Corvette 1959, legítimo representante da primeira geração e Stingray, sucesso absoluto nos anos 1970; Pick-up Studebaker 61, utilitário de uma das principais marcas independentes nos EUA; Ford Zodiac 1961, um sedan inglês de Niterói-RJ que durante muitos anos ficou abandonado nas ruas, sendo inteiramente restaurado por Augusto Mosca, seu atual proprietário; Morris Oxford III 1955, outro representante inglês, de proprietário de James Mendonça e debutando em encontros após uma completa restauração.

Boris Feldmann grava chamada para o Vrum ao lado de sua própria Ferrari

A Ferrari 365 GT4 1972, pertencente ao presidente do Veteran Car Club de Belo Horizonte e apresentador do programa Vrum, Boris Feldmann, foi eleito o melhor importado do evento. “O apresentador de um programa chamado Vrum, tem que ter um carro que faça ‘vruuuuum’”, brincou Boris.

Entre os nacionais, muitos exemplares se destacaram pelo excepcional estado de conservação. É o caso, por exemplo do Fusca 1966 de Sizenando Coutinho (Vitória-ES), carro original de fábrica, que rodou em 43 anos apenas 2 mil quilômetros. Outro destaque foi o Opala Comodoro 1978, de Orlando Santos. O coupê, além de impecável, possui câmbio automático e meio teto de vinil, ao melhor estilo “Las Vegas”. O Charger R/T 1971, único Dodge do encontro, apesar de não ter sido premiado, arrancou elogios dos visitantes. Entre os utilitários nacionais, foram premiadas dois Chevrolets: Amazona 1963 e C-14 1970.

O orgulhoso Sizenando Coutinho e seu filho, Comodoro automático e Pick-up Chevrolet C14 1970

O Fusca do Itamar

Placa preta: novidades a vista

O presidente da FBVA, Henrique Thielmann

Durante o evento, a Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) anunciou uma recente reunião com o presidente do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), Alfredo Peres. Na pauta mudanças nas portarias que regulamentam a placa preta e a importação de automóveis de coleção.

Conversamos com o presidente da FBVA, Henrique Thielmann, sobre o assunto. Segundo ele, o objetivo do encontro da FBVA com o DENATRAN foi o de estudar mecanismos para tornar mais rigorosos os critérios para a emissão do Certificado de Originalidade, documento emitido pelos clubes e que permite a emissão da placa preta.
“O que vai se buscar é uma moralização no mercado. Acabar com essa história de despachante tratando de placa preta, acabar com clubes inescrupulosos, que foram criados só com a finalidade de fazer dinheiro com isso”, afirmou Thielmann. Segundo ele, a necessidade de regulamentar tudo isso partiu do próprio DENATRAN e em breve haverá mudanças na legislação, que irão tornar a lei mais restritiva para que o antigomobista possa ter a placa preta em seu veículo e também mais restritiva para que os clubes possam emitir essas placas.

Para veículos que já possuem placas pretas fora do padrão, a proposta da FBVA é a de que este veículo seja encarado como irregular e apreendido, identificando o clube responsável pela emissão desta placa e solicitando que todos os automóveis avaliados por este clube sejam reavaliados. Caso não seja uma excessão, cassar a autorização deste clube junto ao DENATRAN.

Na prática, a idéia é que qualquer pessoa que constate que um veículo encontra-se com placas pretas irregulares, faça a denuncia diretamente ao DENATRAN, inclusive com o envio de fotos. A partir daí, o veículo denunciado receberia uma anotação administrativa em seu prontuário e no ano seguinte, no ato do emplacamento, as devidas providências seriam tomadas, no sentido de cassar a placa irregular.

Outro tema da reunião entre FBVA e DENATRAN, também relacionado ao tema Placa Preta, foi a importação de automóveis antigos. Atualmente alguns Detrans interpretam de forma errada a lei e exigem que o veículo recém importado tenha placa preta, já que a portaria atual fala em “veículo de coleção”. Ocorre, que em muitos casos, os veículos importados são para completa restauração e mesmo assim estão recebendo placas pretas. Esta falha na legislação tem feito com que comerciantes inescrupulosos importem veículos em péssimo estado, recebendo placas pretas ao chegarem no Brasil.
“Essa legislação está criando um mercado clandestino de placas pretas”, lembrou Thielmann. Segundo ele, a proposta é fazer com que veículos considerados para restauração, sejam simplesmente impedidos de circular até a restauração seja concluída, para somente então receber o Certificado de originalidade.

“Este tema da placa preta é muito profundo e estamos trabalhando há muito tempo em cima disso. A Federação vai de todas as maneiras brigar muito pela honestidade, transparência, segurança para a moralização. Nós lembramos sempre: placa preta é concessão. Quem concede pode cancelar.”, concluiu o presidente da FBVA.

Maurílio Alvim, Henrique Thielmann e Itamar Franco. No detalhe o Fusca 1993

O automóvel nacional que mais despertou o interesse dos visitantes e suas máquinas fotográficas foi o Fusca 1993 Cabriolet do ex-presidente da República, Itamar Franco. Morador de Juiz de Fora, o atual presidente do Conselho de Administração do BDMG esteve presente ao evento. Seu Volkswagen lhe foi presenteado pela montadora na época do relançamento do Fusca — que acabou ganhando o seu apelido — e está hoje com apenas 6 mil quilômetros rodados. Foram fabricados apenas 3 desses conversíveis. Recebemos a informação de que Itamar Franco irá doar o automóvel ao Museu de Engenharia do Universidade Federal de Juiz de Fora.

Raridades

Rolls Royce Wraight 1954, o melhor do evento

Vindos de Belo Horizonte, pertencentes a alguns dos mais renomados colecionadores do Brasil, automóveis especialíssimos disputaram cabeça-a-cabeça a preferência dos antigomobilistas e também dos avaliadores oficiais do evento. Entre eles um americano e um inglês (que acabou levando o título de melhor veiculo do evento). O americano, o Packard Convertible Coupê fabricado em 1937. Uma obra de arte de arrancar suspiros. E o inglês que o desbancou foi o Rolls Royce Wraight 1954. Fabricado inteiramente em alumínio, o magnífico carro pertencente atualmente a Oswaldo Borges e desembarcou no Rio de Janeiro ainda zero quilômetro e mantém até hoje as características originais. Fabricado somente sobre encomenda, o modelo Wraight é raríssimo em todo mundo, inclusive no próprio Reino Unido. Este automóvel participou da posse do atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Packard Convertible Coupê 1937

Sejam bem vindos!

O jantar de boas vindas aconteceu na sexta-feira. O trio de Dudu Lima deu o tom da festa, com um show intimista, com muito jazz autoral.

Jantar de confraternização. No detalhe, Paulo Calil Gaspar, o "Grande Amigo" de 2009

Abertura Oficial

O 17º Encontro de Automóveis Antigos de Juiz de Fora foi aberto oficialmente às 11 horas da manhã de sábado. Entre as autoridades presentes, o ex-presidente Itamar Franco; o Presidente da FBVA, Henrique Thielmann; o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Oswaldo Borges; além do presidente da Câmara de Vereadores de Juiz de Fora, Bruno Siqueira.

Uma noite de alegria e homenagens

A noite de sábado foi reservada ao jantar de confraternização de expositores, convidados e organizadores. Foi o momento das homenagens especiais. O troféu “Grande Amigo” concedido pelo Veteran Car Club de Juiz de Fora, este ano foi para Paulo Calil Gaspar, um dos fundadores do clube e autor de seu primeiro estatuto. Ao som da competente Banda Mosaico, os antigomobilistas puderam se divertir com o repertório musical que foi dos anos 1960 até os dias de hoje. A pista de dança ficou lotada!

Os eleitos

A premiação dos 52 melhores automóveis do encontro aconteceu às 11 horas de domingo. A novidade ficou por conta da dinâmica inovadora, onde 3 ou 4 automóveis de uma mesma categoria foram premiados em conjunto, tornando a cerimônia mais dinâmica e interessante ao expectadores.

Um momento especial foi a homenagem do jornalista Jorge Medish ao ex-piloto petropolitano Nelson Cintra, que foi presenteado com uma gravura do carro de competições dos anos 1960 Bino 47, autografada pelos também ex-pilotos Luiz Pereira Bueno, Lian Duarte e Bird Clemente. Ainda hoje morando em Petrópolis-RJ, Cintra atualmente se dedica a restauração de veículos antigos.

A cerimônia de premiação contou também com a presença do prefeito de Juiz de Fora, Custódio Mattos. “Este evento está se solidificando como um dos mais importantes do pais, algo que já acontece há 17 anos. Eu não entendo especificamente de automóveis antigos, mas me perece que a qualidade está excepcional e tem comparecido a cada ano mais gente. Para nós de Juiz de Fora é uma honra receber os visitantes de outras cidades e nós sentimos que estas pessoas gostam de visitar a nossa cidade, o que para nós também é um motivo de orgulho”, afirmou o prefeito.

A partir deste ano deste ano, o encontro do Veteran Car Club de Juiz de Fora, passa a ser bienal, tendo sua próxima edição em 2011.

Texto, fotos e videoclipe: Equipe Portal Maxicar
                                                          

Momentos Premiação