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XX Encontro de Automóveis Antigos do Rio de Janeiro - RJ

Vive la France!

Os Citroëns estavam entre os principais destaques do  encontro

DS, AMI, 2CV, SM, DS, todos fabricados pela Citroën; 106, 304, 403, esses da Peugeot. O que para um leigo pode soar como uma “sopa de letrinhas” (e de números) foram os automóveis que mais se destacaram no grande pavilhão montado bem no centro da área de exposição do Forte de Copacabana, durante o feriadão de 7 de setembro. Também pudera! Em homenagem ao Ano da França no Brasil, os automóveis franceses foram as estrelas do XX Encontro de Automóveis Antigos do Rio de Janeiro, organizado pelo tradicional Veteran Car Clube do Brasil – RJ. No mesmo espaço, Gordini e Interlagos Berlineta de competição, além de um Chambord 1967. Automóveis nacionais, mas também de origem francesa. Os dois primeiros fabricados pela Willys Overland sob licença da Renault, o terceiro pela extinta Simca.

Americanos dos anos 1940 aos 70

Mas não só de automóveis franceses viveu o evento. Muito pelo contrário! Uma verdadeira “babel automobilística” tomou conta da praia mais famosa do mundo. Dos Estados Unidos, Cadillacs 1949, 52, 54 e 68; Ford Custom 1951 da luxuosa versão Victoria; Oldsmobile Sedanete 1946, Super 88 1959 e Cutlass 1965; Lincoln Continental 1956; dois Chevrolets Vega 1976, sendo um deles na versão superesportiva Cosworth Twin Cam; Chrysler Imperial 54; Mercury Conversível 1940; além de um magnífico Packard OneTwenty 1941. Quem ama os musculosos, gostou de ver juntos 3 Mustangs iguaizinhos, todos da versão Hardtop e todos fabricados em 1968.

Em sentido horário: Fiat 1929 Castagna Millano, Karmann Ghia Conversível 1965, Porsche 356 e Jaguar Mark 4 1947

Da Itália, Fiat 1929, carro premiado no evento, cuja carroceria é de autoria da famosa “encarroçadora” Castagna Millano; Fiat 124 Spider 1974; e Alfa Romeo Barchetta 1957, incrível máquina de competição. A Alemanha foi muito bem representada: muitos Mercedes Benz, sendo o mais antigo um 170S de 1951; Karmann Ghia conversível 1965 (alemão mesmo), Volkswagen Type 3 Squareback, o carro que deu origem ao nosso “Zé do Caixão”; Porsches 911 T e Targa, 365 e 944 (detalhe: todos legítimos, não réplicas); BMW 1600 GT 1968 e 3.0 CSI Alpina; Borgward Isabela, na raríssima versão SW. E o que dizer dos clássicos ingleses? Austin Healey 1959; MGB Roadster 1967; Minis 1968 e 1973; e um naipe de Jaguares para britânico nenhum botar defeito, com 2 XK 120 sendo um conversível; Mark 2 1964; XJ6 1983; e o mais sensacional de todos, o Mark 4 fabricado em 1947.

Brasileirinhos

E os nacionais fizeram bonito, em meio aos mais de 250 automóveis em exposição. O esportivo Puma, por exemplo, esteve presente em quase todas as suas versões, com destaque para dois exemplares P-018 de 1985, cuja produção ficou limitada a apenas cerca de 50 unidades. Do apaixonante Karmann Ghia Coupê havia quatro, esses sim genuinamente brasileiros. O Aero Willys 1962 da primeira geração, apelidada de “Bolinha”, foi premiado. Além desses, Opalas, Fuscas, Dodges, Mavericks, Galaxies, Corcéis, Passats, Kombis, entre outros.

Galaxie 500 1967, Aero Willys 1962, Puma P-018 1985 e Dodges Dart

Lavínia

Lavínia: projeto universitário

Com linhas futuristas para sua época, o FEI X-3 Lavínia despertou grande curiosidade do público visitante. Desenvolvido no início dos anos 1970 pelo Departamento de Estudos e Pesquisas de Veículos (DEPV) da antiga Faculdade de Engenharia Industrial (hoje Centro Universitário) da Fundação Educacional Inaciana de São Paulo, o automóvel foi fabricado em chapas de aço e alumínio, e suas portas abrem para cima, estilo que ficou conhecido como “asa de gaivota”.

Magrelas

A ergométrica do século XIX e o triciclo dos irmãos Wright

Quem curte bicicletas se deliciou. Cerca de 40 “bikes” antigas, algumas extremamente raras e curiosas, puderam ser admiradas. Do Japão a Tusomoda dos anos 1940 possui freios a lona, mesmo sistema utilizado nos automóveis. O pequeno triciclo americano do início do século XX foi fabricado por ninguém menos que os Irmãos Wright, aqueles mesmos que são considerados pelos norte-americanos como os primeiros homens a voar com um veículo mais pesado que o ar, rivalizando com o brasileiro Santos Dumont. Se você acha que bicicleta de marchas é sinônimo de modernidade, é porque não conhece a americana Wards dos anos 1930 ou a inglesa Triumph dos anos 1940.

Falando em coisas modernas, o culto ao corpo e à saude já existia no final do século XIX, como mostra a bicicleta ergométrica daquela época, muito similar às atuais.


Bird Clemente

Bird Clemente

Na tarde de sábado, 5 de setembro, o ex-piloto Bird Clemente deu um verdadeiro presente a quem gosta de ouvir deliciosas narrativas das corridas dos anos 1960 e 70. Piloto oficial da Equipe Willys, sua palestra foi na verdade um bate-papo.
— Não sou um historiador. Sou um contador de histórias, das histórias que eu mesmo vivi! — afirmou Bird.
Com a desenvoltura de quem está numa roda de amigos, Bird narrou sua trajetória de sucesso nas pistas, comparou as dificuldades dos pilotos de outrora, com as facilidades de hoje, onde os automóveis de competição, cheios de tecnologia embarcada, exigem bem menos dos pilotos, e lembrando o pioneiro Chico Landi e falando dos maiores automobilistas brasileiros, foi categórico:
— Emerson Fittipaldi foi o mais importante de todos eles, já que foi ele quem abriu as portas da Europa aos pilotos brasileiros que o sucederam, hoje entre os mais respeitados do mundo. Por onde passa um boi, passa uma boiada. — completou.

Tremendo visual

Voltando novamente à Capital do estado esse ano, após uma passagem por Teresópolis em 2008, o encontro anual do Veteran Car Club do Brasil – RJ encantou expositores e público visitante, principalmente os de outras cidades, pelo cenário deslumbrante do Forte de Copacabana, atualmente o terceiro mais visitado ponto turístico da Cidade Maravilhosa. Um verdadeiro oásis de paz e tranquilidade em meio à agitação da grande metrópole. E os discursos feitos na abertura oficial do evento, indicam que ano que vem tem mais, no mesmo local.


Texto e fotos: Equipe do Portal Maxicar



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