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René Lalique
Quem jamais desejou uma obra sua?

René Lalique e o ‘Spirit of the Wind’

Muito houve-se falar das obras de Lalique , muitos mais a desejam e tantos outros as desconhecem. Lalique, sinônimo de obra-prima, status e principalmente reconhecimento quando premia-se com objetos de sua ‘griffe’. Vamos entender o que Lalique tem a ver com automóveis antigos.

Neste não tão breve artigo, conheceremos René e sua trajetória que atravessa quase um século de superioridade em esculturas refinadas.

René Lalique nasceu em 6 de abril de 1860, em Ay na província de Champagne. Em 1862 sua família mudou-se para Paris e ele recebeu a sua educação precoce no Lycée Turgot . Foi aqui que ele ganhou o seu primeiro prêmio com 12 anos de idade. Em 1876, talvez devido à morte de seu pai, foi aprendiz do renomado joalheiro e ourives parisiense Louis Aucoc, e também inscreveu-se na École des Arts Decoratifs em Paris .

Dois anos mais tarde mudou-se para a Inglaterra e estudou na faculdade da Escola de Arte de Sydeham. De volta a Paris em 1880, Lalique completou seus estudos na École Bernard Palissy , estudando escultura.

Em 1881 começou a trabalhar como designer de jóias freelance, trabalhando para alguns tops da ourivesaria parisiense. Cresceu rapidamente, iniciou criações de jóias art-nouveau até que em 1893 começou a experimentar o vidro como matéria prima para criar frascos de perfume, utilizando o método ‘cire perdue’. Em 1907 associou-se à Coty para produzir os frascos dos perfumes. O negócio cresceu com Coty, elaborando rótulos e produzindo garrafas de perfume fluorescentes.

Durante a Primeira Guerra Mundial o negócio foi fechado e reaberto em 1918. A demanda de suas obras aumentaram e novas oficinas de trabalhos em vidro foram abertas em 1921.

Foi na década de 1920 que Lalique começou a fabricar uma vasta gama de objetos como vasos, relógios, luminárias de mesa em forma de estátuas e também uma série de mascotes para automóveis.

Bugatti, 1928

Na década de 1930 a empresa cresceu tanto que foram admitidos 600 novos trabalhadores e Lalique estava presente de norte a sul da América e Europa. René Lalique morreu em maio de 1945 mas na companhia continuou se filho Marc e hoje sua neta Marie-Claude.

Os 29 mascotes para automóveis foram criados para enfeitar modelos como Hispano Suiza, Isotta Fraschini, Bugatti, Bentley e muitos outros. Todos eram feitos em vidro de alta qualidade e foi previsto que fossem iluminados pelo metal especial que servia de base. A popularidade destes mascotes foi tão grande que a Breves Gallery em Knightbridge passou a fornecê-los aos seus clientes britânicos. Embora o catálogo de mascotes original em 1932 fosse de 27 modelos a Breves passou a oferecer as pequenas Mermaid (abaixo) em seu catálogo como sendo mascotes de automóveis.

 O '5 cavalos'

O primeiro mascote Lalique, o ‘5 Cavalos’ foi encomendado pela Citroën em 1925 para seus modelos 5CV. Seguiram-se mais 27 cabeças de cavalos, aves e animais de diferentes formas , nus e cometas. Os mascotes foram feitos na sua maioria em vidro claro, acetinados, queimados , vários graus de coloração da ametista , em tons de rosa, amarelo, lilás, azul e opacos.

Du Pont, 1931 e a 'Eagle"

A produção mais cara de mascotes é certamente a raposa com apenas alguns exemplares sobreviventes. O maior e mais famoso é o ‘Spirit of the Wind’ de estilo art déco e foi apresentado no Salão do Automóvel de Paris em 1928, montado em um automóvel Minerva.

Entre os mais famosos também sem dúvida está o Eagle, a cabeça da águia que muitas vezes equipava os automóveis pessoais dos oficiais nazistas.

Para os amantes do sexo feminino foram concebidos dois belos modelos, Chrysis e Vitesse. Vitesse é um sensual nu inclinado de frente para o vento, simbolizando a rapidez e para maior efeito foi elaborado em vidro azul opalescente. Chrysis é um nu inclinado para trás com os dedos entrelaçados nos cabelos esvoaçantes.

 Chrysis e Vitesse

Tal como acontece com todos os produtos bem sucedidos, não demorou muito para empresas rivais começarem a disputar as obras e os direitos Lalique, muitas vezes copiando descaradamente seus desenhos. No Reino Unido Red Ashay e Warren Kessler produziram seus próprios modelos e desenhos, sendo alguns vagamente inspirados em Lalique, o Red Ashay Vitesse é um exemplo óbvio. Na França a Sabino Etling and Model também iniciaram a produção de mascotes em poucas unidades. Não vingaram porque não conseguiram se aproximar da perfeição do gênio Lalique. A maior rival de Lalique para o mercado americano foi a ‘Persons Majestic Manufacturing Company’ com sede em Worcester, em Massachussets que comercializou nos anos 30 as cabeças de cavalo, Spirit of the Wind e a cabeça de águia. Estes mascotes atualmente são produzidos sob licença na Checoslováquia e alguns exemplares tem gravados na base ‘made in Czechoslovakia’.

Caso deseje entrar no mercado dos objetos Lalique , proceda com cautela e também com conhecimento e se você tiver a sorte de adquirir um original René Lalique ou um exemplar humilde, saiba que é parte da história e representa o estilo e a grandeza de um automóvel que nunca mais se repetirá.

O grande evento de automóveis antigos brasileiro ‘Brazil Classics Fiat Show’ que realiza-se bienalmente na cidade de Araxá em MG, costuma premiar personalidades que se destacam no universo dos automóveis antigos. Este ano o troféu Lalique foi para José Roberto Nasser, jornalista, advogado, colecionador e curador do Museu do Automóvel em Brasília por sua intensa atividade pela evolução do antigomobilismo no Brasil.

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Elisa Asinelli do Nascimento é empresária, antigomobilista e automodelista. Atualmente atua como membro da Diretoria do 'Mercedes-Benz Club do Brasil' secção Paraná e membro do 'Clube de Colleccionadores de Vehículos Antigos - Curityba'. Sua paixão pelos automóveis antigos foi transmitida por seu pai, Enzo Monteiro do Nascimento, um dos pioneiros em colecionar automóveis clássicos no Brasil.

Reprodução autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br

 

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