Outro dia comprei um lote de diversos itens: brinquedos,
relógios, miniaturas, quadros e um álbum de
fotografias encontrava-se jogado no meio de tudo, com aquela
capa dura, num material de qualidade superior aos de hoje
e impressa na capa, no meio de uma borda dourada, nada mais
que um número, 1917.
Percebi naquele álbum que ele já não
fazia mais parte de nada, sem valor, ninguém o queria
mais, pensei, antes mesmo de tocá-lo, o quanto ele
deve ter sido importante pra alguém, aquelas imagens,
aqueles passeios, as pessoas que estavam reunidas ali naqueles
momentos...
Num gesto instantâneo, estiquei o braço e
comecei a folheá-lo, sensação incrível
senti “assistindo” àquelas fotos de pessoas
sorrindo, vestidas em roupas totalmente diferentes das de
hoje, lugares que nem imagino onde sejam, acabei vivendo
aquele momento, por alguns minutos estive ali, passeando
com aquelas pessoas que nem sei quem são.
Sete minutos dentro de fotografias estranhas, mas me dei
conta de que aquelas pessoas felizes em lugares legais já
morreram, não estão mais entre nós.
Fiquei com um frio no estômago, pois eu amo fotos
e o que aconteceu comigo naquele momento, poderá
acontecer com alguém daqui a oitenta, cem anos olhando
às minhas fotos.
O que pretendo sempre fazer é, ao ser fotografado,
registrar naquele instante o que realmente estou sentindo,
seja ele feliz ou não, mas pretendo também
que, naquele momento da foto, que o meu sentimento seja
realmente agradável e alegre.
Dei conta que o único modo de registrarmos um sentimento
real é na fotografia, não tem outro jeito.
Aí você irá pensar, mas tem pessoas
que conseguem através de filmagens registrar isso
e há muito tempo. Na filmagem podemos passar algo
falso, podemos enganar o que realmente sentimos, na expressão
do rosto na hora do registro da foto, nada engana...
Escrevendo, talvez consigamos passar o que estamos sentindo,
mas vai de quem está lendo traduzir o que você
realmente quis transmitir, será que o leitor conseguirá
tornar aquilo vivo do jeito que o escrito “pariu”
naquele texto? Uns interpretarão próximo do
que o escritor quer que seja, outros já não
conseguirão tal feito.
A foto, meus caros, a foto é algo extraordinária,
olhando bem no rosto, saberemos se aquela pessoa está
bem, está feliz, está triste, se ela realmente
queria estar ali e o fantástico é que seja
ela uma foto de 100 anos ou de ontem, o rosto, a feição,
a expressão humana não mudará, ficará
impressa ali por, quem sabe, até um século,
sua alegria, felicidade, amargura ou seja lá qual
sentimento for.
Portanto viva a vida e esteja realmente onde você
pretende estar, se estiver onde gosta sinta-se bem e demonstre
isso, uma foto pode revelar o seu sentimento mais profundo.
Eu consigo ver os sentimentos dos carros antigos numa foto!
Serei eu louco? Talvez, mas que eu sinto eu sinto. Sei se
realmente aquele antigo está querendo estar ali mesmo.
Sei também se ele se sente superior ao que está
ao seu lado ou quando ele se sente imponente, vejo a alegria
dele quando o dono chega perto, ou também quando
ele não quer que o dono esteja ali...
Às vezes me pergunto o por quê? Será
um gesto dele de demonstrar que aquela pessoa apenas o tem
por negócios, por dinheiro, não existe um
amor entre a alma daquele antigo e o espírito daquele
proprietário... Sei lá...
Quando levei a C-14 (Asa Branca) para a funilaria, percebi
isso nela, apesar de pouco tempo de adoção.
A Trouxe de carro, coloquei-a num lugar aconchegante, sem
sol, sereno ou chuva nas costas, dei nela seu primeiro banho
depois de muitos anos sem ver sabão, a limpei, varri
sua caçamba com um carinho tal. Fiz nela aquela operação
que tanto precisava, voltando assim a andar com as próprias
pernas e a sentir o vento no seu rosto, enfim, senti que
eu já faço falta. Também esta mesma
alegria percebi no Imperador quando o vi finalizado, sabendo
que voltaria, depois de quase três anos fora de casa.
Descarreguei a Asa Branca e no mesmo carro trouxemos o Imperador,
depois de tudo resolvido, apesar de sua pintura nova não
ter ficado como eu gostaria e depois de todos já
terem ido embora, sentei ao seu lado, já mais calmo
de todo esse dia meio frustrante e tumultuado, o abracei
e choramos ALEGREMENTE juntos...
Você entende isso?
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COMENTÁRIOS PARA ESTA
MATÉRIA
Data: 20/8/2009 Nome: Email: Mensagem:
Data: 20/8/2009 Nome: Marcao Email: marcosf22@uol.com.br Mensagem: Esse cara escreve muito bem !!! Consegue colocar no papel o que a gente sente... Sucesso sempre, Senteio !!! Abraçao
Data: 20/8/2009 Nome: Delgado Email: delgas@uol.com.br Mensagem: Pra variar você captura as "loucuras" que cada um de nós tem e as transcreve... Parabéns, meu amigo!!!
abraço
Data: 20/8/2009 Nome: alexandre goerl Email: alegoerl@uol.com.br Mensagem: Marcelo ,parabens .Sintetizou o que sinto com fotos antigas de meus 3 carros ...antigos. Abraços
Data: 24/8/2009 Nome: Albert Email: Mensagem: Mais um bonito relato Senteio, parabens!
Data: 24/8/2009 Nome: Rinaldo Email: rinaldopontocom@ajato.com.r Mensagem: Grande Marcelo As circunstâncias nos separaram do convívio diário mas, mesmo distantes, posso curtir tuas msgs que, sinto, vem do fundo do coração. Parabéns Abraço
Data: 24/9/2009 Nome: Eduardo Kiitiro Yoshi Email: Mensagem: Ver a sua paixão pelo oq vc faz é muito legal! Vc é um cara muito especial, são poucas as pessoas que conseguem expressas no papel o seu sentimento.
Forte Abr4ço!
Data: 22/5/2010 Nome: paulo carvalho Email: restaurauto@hotmail.com Mensagem: sou de porto alegre rs e tenho uma oficina de restauraçao e ja fiz 5 simcas sou fã da marca parabéns pelo artigo.
Data: 22/9/2011 Nome: Paula Cardillo Email: paulinhacardillo@gmail.com Mensagem: Senteio, dá gosto dá ler seus textos! Sempre me emociono! Você traduz lindamente o que nós sentimos pelos nossos carros...Foi através de seus textos que os meus amigos entenderam o amor e carinho que tenho pelo Branco! Kisses Boy!
*Marcelo
Senteio é amante da história nacional,
sócio do Galaxie Clube do Brasil, preserva
e mantém a história automobilística
nacional cuidando de um Ford 1929, um Miura 1979,
um Opala 1973 e, claro, o Imperador que é
um Galaxie Landau 1979. Filatélico e numismata
na área nacional. Coleciona também brinquedos,
relógios e outros itens. Nas horas vagas escreve
para sites e revstas, cria miniaturas em papel dentre
outros diversos hobbys.
e-mail: mads73@pop.com.br