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Sete minutos dentro de fotografias estranhas

*Marcelo Senteio

Outro dia comprei um lote de diversos itens: brinquedos, relógios, miniaturas, quadros e um álbum de fotografias encontrava-se jogado no meio de tudo, com aquela capa dura, num material de qualidade superior aos de hoje e impressa na capa, no meio de uma borda dourada, nada mais que um número, 1917.

Percebi naquele álbum que ele já não fazia mais parte de nada, sem valor, ninguém o queria mais, pensei, antes mesmo de tocá-lo, o quanto ele deve ter sido importante pra alguém, aquelas imagens, aqueles passeios, as pessoas que estavam reunidas ali naqueles momentos...

Num gesto instantâneo, estiquei o braço e comecei a folheá-lo, sensação incrível senti “assistindo” àquelas fotos de pessoas sorrindo, vestidas em roupas totalmente diferentes das de hoje, lugares que nem imagino onde sejam, acabei vivendo aquele momento, por alguns minutos estive ali, passeando com aquelas pessoas que nem sei quem são.

Sete minutos dentro de fotografias estranhas, mas me dei conta de que aquelas pessoas felizes em lugares legais já morreram, não estão mais entre nós. Fiquei com um frio no estômago, pois eu amo fotos e o que aconteceu comigo naquele momento, poderá acontecer com alguém daqui a oitenta, cem anos olhando às minhas fotos.

O que pretendo sempre fazer é, ao ser fotografado, registrar naquele instante o que realmente estou sentindo, seja ele feliz ou não, mas pretendo também que, naquele momento da foto, que o meu sentimento seja realmente agradável e alegre.

Dei conta que o único modo de registrarmos um sentimento real é na fotografia, não tem outro jeito. Aí você irá pensar, mas tem pessoas que conseguem através de filmagens registrar isso e há muito tempo. Na filmagem podemos passar algo falso, podemos enganar o que realmente sentimos, na expressão do rosto na hora do registro da foto, nada engana...

Escrevendo, talvez consigamos passar o que estamos sentindo, mas vai de quem está lendo traduzir o que você realmente quis transmitir, será que o leitor conseguirá tornar aquilo vivo do jeito que o escrito “pariu” naquele texto? Uns interpretarão próximo do que o escritor quer que seja, outros já não conseguirão tal feito.

A foto, meus caros, a foto é algo extraordinária, olhando bem no rosto, saberemos se aquela pessoa está bem, está feliz, está triste, se ela realmente queria estar ali e o fantástico é que seja ela uma foto de 100 anos ou de ontem, o rosto, a feição, a expressão humana não mudará, ficará impressa ali por, quem sabe, até um século, sua alegria, felicidade, amargura ou seja lá qual sentimento for.

Portanto viva a vida e esteja realmente onde você pretende estar, se estiver onde gosta sinta-se bem e demonstre isso, uma foto pode revelar o seu sentimento mais profundo.

Eu consigo ver os sentimentos dos carros antigos numa foto! Serei eu louco? Talvez, mas que eu sinto eu sinto. Sei se realmente aquele antigo está querendo estar ali mesmo. Sei também se ele se sente superior ao que está ao seu lado ou quando ele se sente imponente, vejo a alegria dele quando o dono chega perto, ou também quando ele não quer que o dono esteja ali...

Às vezes me pergunto o por quê? Será um gesto dele de demonstrar que aquela pessoa apenas o tem por negócios, por dinheiro, não existe um amor entre a alma daquele antigo e o espírito daquele proprietário... Sei lá...

Quando levei a C-14 (Asa Branca) para a funilaria, percebi isso nela, apesar de pouco tempo de adoção. A Trouxe de carro, coloquei-a num lugar aconchegante, sem sol, sereno ou chuva nas costas, dei nela seu primeiro banho depois de muitos anos sem ver sabão, a limpei, varri sua caçamba com um carinho tal. Fiz nela aquela operação que tanto precisava, voltando assim a andar com as próprias pernas e a sentir o vento no seu rosto, enfim, senti que eu já faço falta. Também esta mesma alegria percebi no Imperador quando o vi finalizado, sabendo que voltaria, depois de quase três anos fora de casa. Descarreguei a Asa Branca e no mesmo carro trouxemos o Imperador, depois de tudo resolvido, apesar de sua pintura nova não ter ficado como eu gostaria e depois de todos já terem ido embora, sentei ao seu lado, já mais calmo de todo esse dia meio frustrante e tumultuado, o abracei e choramos ALEGREMENTE juntos...

Você entende isso?

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COMENTÁRIOS PARA ESTA MATÉRIA


Data: 20/8/2009
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Data: 20/8/2009
Nome: Marcao
Email: marcosf22@uol.com.br
Mensagem: Esse cara escreve muito bem !!! Consegue colocar no papel o que a gente sente...
Sucesso sempre, Senteio !!!
Abraçao


Data: 20/8/2009
Nome: Delgado
Email: delgas@uol.com.br
Mensagem: Pra variar você captura as "loucuras" que cada um de nós tem e as transcreve...
Parabéns, meu amigo!!!

abraço


Data: 20/8/2009
Nome: alexandre goerl
Email: alegoerl@uol.com.br
Mensagem: Marcelo ,parabens .Sintetizou o que sinto com fotos antigas de meus 3 carros ...antigos.
Abraços


Data: 24/8/2009
Nome: Albert
Email:
Mensagem: Mais um bonito relato Senteio, parabens!


Data: 24/8/2009
Nome: Rinaldo
Email: rinaldopontocom@ajato.com.r
Mensagem: Grande Marcelo
As circunstâncias nos separaram do convívio diário mas, mesmo distantes, posso curtir tuas msgs que, sinto, vem do fundo do coração.
Parabéns
Abraço


Data: 24/9/2009
Nome: Eduardo Kiitiro Yoshi
Email:
Mensagem: Ver a sua paixão pelo oq vc faz é muito legal! Vc é um cara muito especial, são poucas as pessoas que conseguem expressas no papel o seu sentimento.

Forte Abr4ço!


Data: 22/5/2010
Nome: paulo carvalho
Email: restaurauto@hotmail.com
Mensagem: sou de porto alegre rs e tenho uma oficina de restauraçao e ja fiz 5 simcas sou fã da marca parabéns pelo artigo.


Data: 22/9/2011
Nome: Paula Cardillo
Email: paulinhacardillo@gmail.com
Mensagem: Senteio, dá gosto dá ler seus textos! Sempre me emociono! Você traduz lindamente o que nós sentimos pelos nossos carros...Foi através de seus textos que os meus amigos entenderam o amor e carinho que tenho pelo Branco! Kisses Boy!



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*Marcelo Senteio é amante da história nacional, sócio do Galaxie Clube do Brasil, preserva e mantém a história automobilística nacional cuidando de um Ford 1929, um Miura 1979, um Opala 1973 e, claro, o Imperador que é um Galaxie Landau 1979. Filatélico e numismata na área nacional. Coleciona também brinquedos, relógios e outros itens. Nas horas vagas escreve para sites e revstas, cria miniaturas em papel dentre outros diversos hobbys.
e-mail: mads73@pop.com.br

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