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O
que é isso, companheiro?
*Alexander
Gromow
Gabeira
já dizia em seu livro de 1979, mas vivemos numa era
da Internet onde esta frase “cai como uma luva”
para demonstrar a indignação dos que tentam
fazer as coisas direito ante o que está a acontecer…
Vamos ficar no campo do antigomobilismo, onde uma ilustração,
um catálogo, um manual, uma certa foto, podem ser
o elo que faltava para dirimir uma dúvida, achar
aquele componente, ver como era, informa-se sobre a história,
e assim por diante.
Pessoas investem tempo, conhecimento, dinheiro e sua motivação
para colaborar com a coletividade e a cada dia que passa
recebem como paga o desrespeito a seu trabalho colocado
na Internet, através de cópias (feitas sem
permissão) que são reutilizadas sem o mínimo
respeito ou a indicação do devido crédito
a quem “ralou” para coletar aquele material
muitas vezes raro e que demorou anos para ser encontrado
(além de poder ter custado um bom dinheiro para ser
viabilizado). Também se desrespeita aqueles que hospedam
este material em seus sites e, muitas vezes, formatam o
mesmo de uma maneira a torná-lo apresentável
com boa legibilidade e visibilidade (além de arcar
com todos os custos inerentes à programação
e à hospedagem em si).
O mundo da Internet só é esta Sodoma e Gomorra
devido ao comportamento de alguns internautas que se assemelham
a verdadeiros vândalos cibernéticos, pichadores
do cyber espaço. Faz-me lembrar do triste progresso
da comunicação através de rádio
amador na freqüência do cidadão (11 metros)
na década de 70, os famosos rádios PX. No
início era uma grande confraria, até meu Fusca
55 tinha uma antena e um Motorola 12V alimentado por um
conversor 6V para 12V que funcionava bem. A gente passava
por um determinado lugar e só por ser PX e estar
num determinado local era convidado para um churrasco ou
para um café. Tempo bom aquele. Depois vieram os
depredadores da freqüência que se divertiam em
jogar “portadoras” (apertar o PTT – botão
do microfone jogando sinal no éter) só para
interromper a conversa dos outros. Ai a brincadeira sadia
acabou.
Junto com o Fernando Barenco (administrador do Portal Maxicar)
participo de vários episódios que deixam marcas
profundas e que não seriam necessários de
modo algum, bastaria entrar em contato, dar os devidos créditos
e fazer como aquela velha frase: “Live and let live”
(viva e deixe viver), mas como sinal dos tempos parece que
a tendência é seguir aquela música do
filme do 007: “Live and let die” (viva e deixe
morrer)...
Recentemente, em fevereiro, fui testemunha de um verdadeiro
descalabro sob meu ponto de vista, certamente não
o é sob o ponto de vista de quem o perpetrou. Foi
num fórum dedicado a veículos Gurgel e o assunto
girou em torno de uso de material disponível na Internet,
respeitar ou não quem disponibiliza material, dar
ou não os devidos créditos. Pois é,
uma coisa é ir fazendo as coisas à sorrelfa
como soe acontecer amiúde, outra é declarar
a sua postura por escrito num fórum, mesmo que as
vezes atrás de pseudônimos no relativo anonimato
da Internet, mas os endereços de e-mails estavam
lá para quem quisesse vê-los, e a pesquisa
dos respectivos IP’s, se fosse o caso, seria uma coisa
simples. Mas o que se registrou pode indicar uma tendência
que tipifica o modus operandi de muitos no meio.
Vamos considerar o que se segue como sendo um “Case
Study” visto que se apresentam as frases de exemplo
e links para os textos originais em PDF (o tal fórum
tem milhares de assinantes, sendo, portanto um ambiente
público cujo acesso segue a sistemática normal
do provedor Yahoo).
Preâmbulo: assunto foi deflagrado pelo uso de material
de um site sem a indicação dos créditos.
O responsável pelo site “pungado” entrou
em contato privado com o jovem que estava usando o material
de maneira indiscriminada buscando uma solução
discreta. O tal jovem acabou respondendo no fórum
deflagrando uma grande conturbação e envolvendo
o responsável do site “pungado” em uma
situação desagradabilíssima; mas este
não foi o ponto que se pretende apresentar aqui,
é só um esclarecimento para situar a questão,
que poderia ter ocorrido em qualquer fórum existente.
Tentando manter a cronologia vamos aos fatos:
a) O Maximiliano ao ver que as coisas
estavam desandando, apresentou sua argumentação
no sentido de colocar as coisas em seu lugar certo, mas
o grupo tanto fez que ele decidiu se afastar. Vejam uma
de suas ponderadas colocações:
O
primeiro erro do Pedro foi ser inocente e achar que ninguém
iria chiar ou reclamar. Hoje em dia, a informação
é um bem muito valioso. Vide o Google, que pretende
digitalizar todos os livros editados até hoje e vender
o acesso aos mesmos. Não que devamos cobrar pelo
que fizemos, mas que devemos ter muito cuidado em disponibilizar
aquilo que outros tiveram tanto trabalho para conseguir.
Podemos ferir muitos egos sem motivos. A idéia do
"site" do Pedro é interessante, mas redundante.
Muitas das coisas que ali estão tb estão disponíveis
em outros sites. Seria mais adequado criar links para os
"verdadeiros donos" das informações.
E se um site lincado não estivesse mais disponível,
conversar com o antigo proprietário para poder disponibilizar
novamente os dados/informações.
b) Ai a “caixa de pandora”
foi aberta e o tempo fechou. O “Wlisses Dorta"”
colocou a sua posição sobre direitos autorais
e material que está na internet como segue:
Eu
particularmente não aceito este negocio de direitos
sobre fotografias, deve sim dar os créditos tanto
ao fotografo, quanto a fonte da foto, mas se um cara aponta
a câmera em algo e tira uma foto, isso não
deve torna-lo dono desta imagem, principalmente em se tratando
de algo que é difícil de encontrar, por isso
não tenho dó de sempre que vejo uma foto interessante
na net baixo ela rapidinho.
Agora quando é algo criado, como um desenho, um texto
ai é diferente e deve-se respeitar os direitos do
autor, a não ser em questões históricas,
como revistas antigas não se existe uma lei para
tal mas devia a partir de certo período passar a
ser domino público.
Não estou aqui menosprezando o trabalho dos fotógrafos,
que muitos têm como arte, mas isso não os dá
o direito de ser dono do tempo, da memória, da história
do que quer que seja.
c) A troca de e-mails foi intensa e houve
várias outras declarações, mas como
estamos tratando de um “Case” bastam alguns
exemplos para caracterizar a coisa. Sendo assim passamos
à posição do “Sovyet Russo”
que ato contínuo recebeu irrestrita aprovação
(SOVYET,
TO CONTIGO E NÃO ABRO) do “MUD
LORD” (Presidente Guarulhos - Off Roaders ONG- Registro
nº19.467 2º/ Reg.de Titulos e Doc). Da posição
do “Sovyet Russo” o que vem ao caso é
o seguinte:
Agora
dizer q quer diretos sobre fotos q na verdade nem foram
tiradas por quem organizou o site? aaaaaaa aí já
é picadeiro realmente.
Créditos ao real fotógrafo da foto, tudo bem,
agora ao autor da miscelânea fotográfica, nada.
CONCLUSÃO DESTE CASE: aqui vemos exemplos reais.
Não são coisas do tipo “ouvi dizer”
ou coisa que o valha. É interessante observar que
a totalidade das fotos do site deste grupo de discussões
está identificada com o endereço do site...
Não acredito que estas demonstrações
de vandalismo cibernético explicito colocadas abertamente
tenham respaldo por parte da maioria dos Internautas que
são antigomobilistas ao mesmo tempo. Fato é
que o que acima foi colocado como “autor da miscelânea
fotográfica” geralmente são abnegados
que investem muito em prol da coletividade e que esperam,
ao menos, serem respeitados através do reconhecimento
de seu trabalho.
Estamos chegando a cada dia que passa numa situação
que acua aqueles que ainda teimam em trabalhar em suas horas
vagas para a coletividade. Prolifera o uso de marcação
em fotografias e ilustrações e certamente
irá se refinar e simplificar o procedimento para
defender os direitos autorais na internet.
É de se registrar que o que foi colocado no tal
fórum chega a ser absurdo perante a lei do direito
autoral, pois um fotógrafo tem sim direitos sobre
a sua obra, sendo que o que foi escrito é a comprovação
da profunda ignorância de que o fez. Mas é
assim que estas pessoas agem...
EXORTAÇÃO: Enquanto isto não ocorre,
eu gostaria de exortar a todos que usufruem da Internet
de uma maneira positiva que colaborem com os autores de
matérias, fotos e provedores de espaço na
rede, como os gestores de portais e sites, para que respeitem
os respectivos trabalhos, indicando créditos ou solicitando
as devidas permissões (o que for aplicável).
Se todos trabalharem unidos o meio antigomobilista certamente
lucrará muito.
*Alexander
Gromow - Ex-Presidente do Fusca
Clube do Brasil. Autor do livro EU AMO FUSCA e compilador
do livro EU AMO FUSCA II. Autor de artigos sobre o
assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa
nacional e internacional. Participou do lançamento
do Dia Nacional do Fusca e apresentou o projeto que
motivou a aprovação do Dia Municipal
do Fusca em São Paulo. Lançou o Dia
Mundial do Fusca em Bad Camberg, na Alemanha. Historiador
amador reconhecido a nível mundial e ativista
de movimentos que visam à preservação
do Fusca e de carros antigos em geral. Participou
de vários programas de TV e rádio sobre
o assunto.
É colunista do Portal Maxicar, onde assina
a coluna
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