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Puma,
eterna paixão!
*Felipe Nicoliello
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| DKW Puma GT,
o começo de tudo. |
Muito já se falou de Puma, mas sobre
a fábrica e seus produtos pouco se ouve falar. Vamos
falar da Puma, não do esportivo, mas da indústria,
um exemplo de empresa dentro de sua época.
Tudo começou em 1964 com o nome de
Lumimari, iniciais dos seus fundadores Luiz Roberto Alves
da Costa, Milton Masteguin, Mário “Marinho”
César de Camargo Filho e Genaro “Rino”
Malzoni. Um fato interessante contado a mim pelo Jorge Lettry,
que ao entrar na sociedade da Lumimari em 1966, perguntou
aos seus sócios: “— Fabricamos carros
ou luminárias? Esse nome tem que mudar...”
Sugeriu Puma, um felino encontrado nas Américas,
que transmite raça e força. Assim nasceu o
esportivo de sucesso mundial, o Puma. Despontando para o
mercado, a Puma chamou Anísio Campos para reformular
o Malzoni GT, refinando as linhas do esportivo, deixando-o
mais para um GT de luxo, que um GT de pista, como era o
desenho inicial. O Puma GT DKW iniciou a trajetória
de vendas ao consumidor comum e não apenas às
pessoas ligadas ao automobilismo.
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| 1968: o primeiro
Puma com mecânica Volkswagen |
Com o fim da Vemag, sem a mecânica DKW,
Rino foi incumbido de projetar o Puma GT VW. Com linhas
influenciadas pela escola italiana de design, Rino deu charme
e graça àquela mecânica que já
tinha sido alvo de outros grandes mestres. De certo ângulo,
suas linhas lembram um Lamborghini Miura, de outros um Ferrai
250 GTO. Muitos dizem ser parecido com a Ferrari Dino, mas
esse foi lançado no mesmo ano que o Puma GT VW. Ao
certo, que a tendência de desenho na época
era aquela e como um grande mestre, Rino seguiu a moda,
com um feliz e harmonioso desenho, dando ao seu projeto
uma identidade própria, que muitos tentaram almejar
sem sucesso. O Puma GT VW 1968 trazia a inédita dupla
carburação para motores VW boxer a ar no Brasil
e outros refinamentos.
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| Em sentido horário:
Puma GT 4R, Buggy Tropi e o caminhão da Coca-Cola |
Com o caminho traçado, a Puma já
considerada uma fábrica de automóveis e detentora
de tecnologia em fibra de vidro, inicia sua trajetória
a novos rumos. Primeiramente começou fabricando carros
a clientes e outros fabricantes. O Puma GT4R foi uma encomenda
de três veículos feita pela Revista Quatro
Rodas para sorteio ao seu público. Depois veio a
Kadron e seu Buggy Tropi, posteriormente chamado de Buggy
Kadron. Também por encomenda, agora pela Ultragaz,
iniciou-se o projeto das cabines de fibra de vidro para
caminhões, pois a empresa necessitava de um caminhão
com maior capacidade de carga e mais resistente a corrosão.
O início das Cabines Frontais Puma, que marcou grande
sucesso com os caminhões Coca-Cola, podiam ser montadas
em qualquer mecânica das grandes montadoras como Chevrolet,
Ford e Chrysler. Quando montadas pela Puma, o chassi era
do caminhão Chevrolet D-60 a gasolina (diesel era
somente grandes caminhões), que vinha rolando para
Puma, que colocava a cabine e adaptações da
caixa de direção, alavanca de cambio e pedais,
voltando para GM para finalizações e ajustes.
Esse foi o caminho para o futuro caminhão Puma 4T.
Nessa mesma época, começo dos
anos 70, a Puma desenvolveu uma barraca para Camping acoplada
em uma carreta. A carreta fechada parecia uma carreta comum,
mas ao abrir a tampa, aparecia uma barraca do tipo bangalô,
em movimento idêntico à capota de um conversível
e pronto, estava montada a barraca para cinco pessoas.
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| A barraca de camping da Puma |
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| O Spyder no
Salão do Automóvel |
Em 1970 visando o mercado externo, a Puma
lança o Puma GTE, com mais sofisticação
e equipamentos. Com a paralisação da produção
do esportivo Karmann Ghia conversível, a Puma enxergou
um nicho de mercado a ser explorado. E no Salão do
Automóvel de 1970, a Puma apresenta seu modelo GTE
Spyder. Ele tinha a carroceria do GTE (Tubarão) sem
o teto, reforço na carroceria, aerofólio traseiro,
falsas saídas de ar no capuz dianteiro e rodas inéditas
(modelo estrela). Chamou muito atenção, criando
desejo nos consumidores. Consolidada, a Puma fabricava peças
para motores VW, resinas e seus derivados, além de
outros produtos específicos para várias indústrias.
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| O Mini-Puma
1974 |
Líder de mercado dos esportivos a Puma
sofre concorrência de sua maior fornecedora, a VW,
com o lançamento do SP1 e SP2. Mas isso não
abalou suas vendas e, em meados dos anos 70, a Puma tinha
uma grande produção para o seu porte, necessitando
expandir para crescer. Para se ter idéia, a fila
para aquisição de um Puma era de módicos
12 meses. Nem por isso seus consumidores desistiam da aquisição.
Para melhorar esse quadro a Puma desenvolveu técnicas
de fabricação em fibra de vidro com processo
mais rápido, chegando ao limite máximo de
500 unidades/mês. Mas essa tecnologia não era
apenas para melhorar a produção dos esportivos,
mesmo porque aumentar a produção dos esportivos
emanava investimentos que não compensavam. A Puma
tinha a intenção de fabricar em grande escala
um automóvel urbano. E as pressas e com muita competência
apresentou no Salão do Automóvel de 1974 o
Mini-Puma, um carro urbano, pequeno, motor DAF de 2 cilindros
e carroceria de fibra de vidro. Como o investimento inicial
era muito grande, a escolha pela carroceria de fibra se
deu por ser um custo menor no ferramental e posteriormente
com os lucros obtidos da venda desses carros, a carroceria
passaria a ser de chapa, possibilitando uma produção
maior que 500/mês. Mas nem o investimento inicial
a Puma conseguiu, não sendo aprovado pelo Governo
Federal.
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| GTO, o protótipo
do GTB |
Apesar do sonho do carro urbano ter ficado
para trás, a Puma mexe com o mercado no mesmo Salão
de 74, com o lançamento do Puma GTB (Chevrolet).
Seu protótipo, o GTO, já havia brilhado em
outros salões de automóveis, inclusive em
um Salão na Bélgica. Mesmo com uma posição
confortável no mercado, não permitiu que seus
produtos ficassem defasados, surgindo os novos modelo GTE
e GTS em 1976, continuando assim, um grande produto de vendas.
Em 1978 surge o caminhão Puma 4T,
que estremeceu a concorrência, principalmente da Ford,
líder de mercado dos caminhões médios.
Amplamente testado nas mãos do Engenheiro Ronaldo
Brochado, o 4T teve muitas soluções copiadas
pela concorrência. Esse produto foi por muito tempo
o carro chefe da Puma, em termos de lucros, tanto que a
sobrevida da Puma na Alfa Metais foi por causa dele.
Necessitando de reformulações,
o Puma GTB muda radicalmente em 1979, sendo que o objetivo
desse lançamento era atingir o público de
poder aquisitivo maior, que não dispensava conforto
e esportividade, surgindo o GTB S2. Com linhas muito modernas
e bom acabamento, o S2 conseguiu superar as vendas de seu
antecessor por dois anos consecutivos, mas não manteve
sua posição no mercado.
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| Puma P-018 |
Diversos problemas enfrentados pela Puma no
começo dos anos 80, como uma inundação
na fábrica do Ipiranga e um carregamento de GTE e
GTS, que voltaram dos Estados Unidos levaram-na a enfrentar
uma grande crise. Nem o lançamento dos novos modelos,
como o GTI, que substituiu o GTE, e o GTC substituto do
GTS, nem o novo Puma P-018 deram fôlego para dar a
volta por cima em 1981, castigando-a com a paralisação
de novos projetos como o Puma P-016, que tinha chassis próprio,
motor VW AP 600, suspensão Mc Pherson, etc., testado
por mais de dois anos e milhares de quilômetros rodados
com o Engenheiro Marcos Virginio Pasini. O Puma P-018 continha
novidades, como suspensão traseira de Variant II,
cambio longo, opção de ar condicionado e teto
solar, com um desenho dos mais bonitos já realizados.
Nem isso conseguiu alavancar as vendas.
Mesmo assim a Puma ainda inovadora, lança
o primeiro micro ônibus a álcool do Brasil,
talvez do mundo. Para uso urbano, a proposta era a mesma
da existente hoje em dia em São Paulo: micros ônibus
fazendo rotas suplementares, só que bem menos poluentes.
Na época ninguém acreditou e o poder público
mais uma vez se fez de rogado.
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| O Mini-Dacon
ou Dacon 828 |
Em 1982 a Puma recebe a encomenda da Dacon
para fabricação do Mini-Dacon ou Dacon 828,
findando no ano seguinte. Nesse ano, a última cartada
da Puma, realizar o sonho do carro urbano, com parceria
da japonesa Daihatsu, iriam fabricar aqui o Cuore, mais
uma vez não conseguiu o aval do governo para o financiamento
do exterior e o japoneses desistiram da associação.
Daí para frente às coisas nunca mais melhoram
para a Puma, com sua produção anual caindo
para 33 veículos em 1984, proclamando seu fim em
1985.
Quanto todos achavam que nunca mais ouviríamos
falar de Puma, ela renasce em 1986 nas mãos de Rubens
Maluf, que compra todo seu ativo e passivo, mudando a fábrica
para Curitiba, no Paraná. O primeiro modelo desta
nova fase foi o Puma GTB S2 ASA, sigla em alusão
a recém criada empresa Araucária S/A. O sonho
de Maluf era ver de volta a Puma no mercado, principalmente
no exterior. Como a dívida da Puma com a VW era grande
e ele não conseguiu pagá-la, não pode
comprar os motores da montadora. Sua saída foi fornecer
os Puma VW na base do Kit Car, nascia o Puma Kit. O proprietário
levava a mecânica VW à Araucária e esta,
revisava e montava o Puma. Mas mesmo assim, não conseguiu
manter a fabricação, principalmente porque
não conseguiu o contrato tão almejado com
o ex-lutador de Box Murramed Ali, para exportação
para Ásia e outros mercados.
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| Puma AMV, fabricado
pela Alfa Metais |
Foi então que, em 1988 apareceu Nívio
de Lima, dono do Grupo Alfa Metais comprando a Araucária
S/A. Esse Grupo tinha entre suas empresas, uma que fabricava
eixos, semi-eixos e tambores de freios para caminhões,
inclusive fornecedora da Puma. O interesse do Nivio eram
os caminhões e micro ônibus, afinal já
fabricava uma parte deles, além de ser um produto
muito bem aceito no sul do país e regiões
litorâneas. A Alfa Metais iniciou a fabricação
também com o modelo GTB S2, mas reformulado, com
novas linhas e sendo chamado de Puma AMV, alusão
à empresa Alfa Metais Veículos.
Pagou a dívida com a Volkswagen e
pode retornar com o modelo P-018, agora chamado de AM1 (fechado)
e AM2 (conversível). Esse modelo teve algumas alterações
para baratear a produção, como as maçanetas
substituídas por uma de um carro de série,
antes era exclusiva do P-018; posição do tanque
de combustível, voltando para a dianteira, a partir
de 1989. Lançou depois o AM3 (fechado) e AM4 (fechado
e conversível) com mecânica AP 600, além
de restilização no AMV.
A Alfa Metais estava indo muito bem em sua
proposta, mas com a abertura das importações
em 1990 e a morte de seu diretor-presidente Nivio de Lima,
começou novamente seu declínio até
encerrar definitivamente sua produção de caminhões
Puma (últimos produtos) em 1998. O nome Puma ainda
pertence aos herdeiros.

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*Felipe Nicoliello é paisagista
de formação e antigomobilista de coração.
Nascido em Santos e criado em São Paulo, sempre
teve a paixão voltada aos automóveis.
Começou aos 9 anos brincando de dirigir dentro
de um Interlagos Berlineta. Logo começou a
freqüentar a pista de Interlagos admirando as
feras Puma e outras maravilhas da época. Na
adolescência, por causa da empresa de seu pai,
vivia no bairro paulistano do Itaim, onde ficava o
circuito das oficinas dos melhores mestres de corridas
e a famosa MM Concessionária Puma. Aos 18 anos,
já com o bichinho da ferrugem despontando,
iniciou uma coleção de Fuscas da década
de 50. Mais tarde os Puma tomaram de vez sua garagem
e seu coração. Atualmente é Presidente
Fundador do Puma Clube, onde transmite seus conhecimentos
sobre os modelos e a história do Puma. Escreve
em dois blogs, o www.pumaclassic.com.br
falando sobre Puma, sua história, seus modelos,
suas peças e principalmente sobre originalidade.
O outro blog o
www.fuscaclassic.blogspot.com
trata de assuntos sobre os VW, principalmente sobre
Fusca e sua história.
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