Depois
de 10 anos a frente de eventos, seja em Clube de Automóvel
Antigo, ou na própria Federação
Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), continuo
cada vez mais entendendo menos a lógica que move as
montadoras localizadas no Brasil, e, as indústrias
similares.
Num país que abandonou o trem como meio de transporte,
tendo adotado o carro, era de se esperar que eventos que
viessem a promover a indústria automobilística
pudessem receber o apoio que merecem.
Excluindo os salões de automóveis, o que vemos
são promotores de eventos, na sua maioria verdadeiros
abnegados, a correrem com “o pires na mão”,
na busca de patrocínio para os eventos., enquanto
que a lógica deveria ser o contrário.
Se considerarmos somente os clubes que fazem parte da Federação
Brasileira de Veículos Antigos ( FBVA ), e que são
da ordem de 80, temos eventos em todo o território
nacional em praticamente todos os finais de semana.
Se considerarmos a tradição do Brasil no automobilismo,
podemos extrapolar para eventos internacionais, onde a velocidade
se concretiza no Campeonato Mundial da Fórmula 1,
onde hoje temos 3 pilotos na disputa, sem contar nos 3 ídolos
mundiais que são Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet
e Ayrton Senna. Isto para ficarmos nesta categoria.
Mas, o automobilismo continua a ser uma atividade de abnegados,
pois praticamente todos que conseguem participar de alguma
disputa, tiveram no início da carreira a figura do “pai
trocinio”.
Quando falamos do automóvel antigo, a situação é muito
mais séria, pois em qualquer evento que se realiza
no Brasil, independente de podermos ver o que é acervo
de automóveis antigos, tanto importados, quanto nacionais,
infelizmente não vemos a presença das montadoras,
com a importância que o segmento merece.
Teimamos, por qualquer fobia não identificada, em “achar” que
só os eventos internacionais é que “são
dignos do nosso elogio e presença”, porém,
temos certeza, se qualquer colecionador for consultado, ficará no
ar a notícia sobre no máximo 6 eventos internacionais
que mereçam a presença pela qualidade dos carros
apresentados.
Para se ter uma idéia da importância deste
segmento, só no ano de 2007, tivemos a importação
de 310 veículos, na sua maioria sucatas, que utilizando
mão de obra interna altamente qualificada, consegue
produzir verdadeiras obras de arte.
São empregos gerados, com alto nível profissional,
num país que vive com carências em todas as
partes.
Quanto mais poderíamos fazer, se pudéssemos
contar com patrocínio – não se pede favores
-, mas sim a troca onde a marca dos patrocinadores estariam
sendo valorizados em função do volume de aficionados
que se fazem presentes.
Qual montadora ou empresa que acreditando neste meio de
comunicação estaria disposta a discutir bases
profissionais de relacionamento, para que se pudesse valorizar
cada vez mais estes abnegados ?
SAIBAM QUE ESTAMOS PRONTOS A DISCUTIR ESTE ASSUNTO.
O mais triste é que a falta de apoio, não
se restringe somente aos veículos antigos, pois existe
em praticamente todas as universidades do Brasil, que tem
em seu currículo o curso de Engenharia Mecânica,
garotos com toda a vocação para se tornarem
as grandes cabeças pensantes do setor em nosso país,
a luta para se construir os “BAJA” e, na sua
maioria, também sem apoio.
Este lado eu pude vivenciar nestes dias 13 a 16 de março,
quando em Piracicaba–SP, realizou-se a prova nacional
da competição BAJA SAE, onde 70 carros se fizeram
presentes.
Se considerarmos que para cada equipe, tínhamos no
mínimo 10 jovens estudantes, vivenciamos a luta, garra,
busca de princípios de 700 jovens.
O que se constata é que os patrocínios também
são mínimos.
Portanto, por onde olhamos, e por onde esbarramos, vemos
atividades ligadas ao automobilismo, enquanto o patrocínio
não acontece.
As empresas especializadas em pesquisa de volume de vendas,
estão a alardear um crescimento de 39,1% neste primeiro
bimestre em relação ao mesmo período
de 2007 (Fonte: Revista Veja).
As montadoras não dão conta de entregar o
que o mercado está comprando, e, neste momento não
vamos analisar as condições do crescimento
deste mercado deixando para uma próxima vez.
Gostaríamos de deixar aos envolvidos neste jogo de
mercado, que se deva olhar tanto para quem inicia como os
jovens do BAJA, quanto para os amadurecidos que levam as
suas raridades para as exposições.
Se uso o termo amadurecidos, é porque para espanto
de muitos o que vemos nestes encontros são jovens
de todas as idades mostrando os seus “brinquedos”,
com a seriedade que a atividade merece.
COM A PALAVRA OS SENHORES PATROCINADORES, E, NOVAMENTE ESTAMOS ÀS
ORDENS PARA A DISCUSSÃO SOBRE UM PROJETO NACIONAL
QUE POSSA FORTALECER TODA ESTA CADEIA PRODUTIVA.
Henrique Thielmann,
é presidente da Federação Brasileira de Veículos
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