Um hobby ligado a automóvel
antigo
pode ter várias caras?
*Alexander Gromow
O interessante notar é que acaba tendo mesmo e este
processo, a meu ver, é meio natural. Acaba sendo inerente
ao interesse que as pessoas desenvolvem em relação
ao “objeto” (os amantes que me desculpem esta
verdadeira heresia) de sua admiração.
Eu sou amante do Volkswagen Sedan, o Fusca, e costumo dizer
que este “objeto”, como querem uns, e este “ser”,
como querem outros que têm uma declarada relação
afetiva com este simpático carro, tem uma história
muito interessante que contou com ingredientes de várias
origens diferentes. Não serei eu quem irá bater
o martelo na definição desta pendenga no que
se refere a definir se é “objeto” ou “ser”...
Mas uma das definições mais simpáticas
que circulam por ai é que o Fusca é um dos
membros da família, que dorme na garagem...
Fato é que junto com o carro se cria uma verdadeira
parafernália, que modernamente se convencionou chamar
de “mementos”, que em seu conjunto pode vir a
formar um “altar de adoração ao objeto
do hobby”. E isto é realmente divertido, se
bem que com o passar dos anos a brincadeira pode ficar meio “salgada”...
Ai vale tudo, mas tudo mesmo, desde miniaturas, cartazes,
pins, bonés, adesivos, livros, revistas, canecas,
copos, blusões e assim por diante. Sem esquecer das
peças de reserva que às vezes atravancam a
casa e são motivo de solenes discussões familiares.
Bem aventurados os que podem ter os seus galpões e
cantinhos separados onde montar seus altares e depósitos
estratégicos, ao lado dos reluzentes carros.
Até aqui eu acho que muitos de vocês já se
identificaram, será que não?
Mas há caras mais sutis em matéria de hobbies,
coisas que implicam em uma busca mais sofisticada ou difícil
e que, muitas vezes depende da colaboração
de terceiros que também foram inoculados por vírus
de cepas semelhantes...
Auto-elétrica, São Paulo,
SP
Pois é, vou contar um dos aspectos, dos muitos, de
minhas manias por Fusca, e que me levou a um aprofundamento
inicialmente imprevisível para mim. Eu sempre me encantei
com pinturas de parede que usam a forma do Fusca e de seus
parentes próximos, placas de loja (recentemente o
Kassab andou acabando com a minha alegria com a tal lei da
cidade limpa que eliminou muitas placas antes que fossem
devidamente “capturadas”), etc.
Comecei a
reunir material ainda no tempo em que a fotografia era
em papel. Pouco tempo depois fiz o meu début na Internet
e decidi colocar o material num tal de Web-Site sem ter
a mínima noção do que era isto, obviamente
e sem ter câmara digital ou um digitalizador de imagens.
Mas “lá fomos nós” e de posse
de um livro sobre HTML, de uma filmadora e de uma placa
de digitalização
o tal de Web-Site acabou tomando corpo e o material começou
a vir de todo o mundo.
Ruínas, Rio de Janeiro
Lava-jato, Alemanha
Com o tempo fui me aperfeiçoando, adquirindo experiência
e equipamentos, mas o material que se encontra disponível
em meu Site mostra todas estas fases de “evolução”,
pois há imagens que estão disponíveis
somente na forma em que estão não havendo como
melhorar sua qualidade.
Desenhar um Fusca é uma coisa difícil dada
a sua forma arredondada e à sua perspectiva bastante
complexa, mas há de tudo nesta coletânea, desde
verdadeiras obras de mestre, até coisas bastante
toscas, mas realmente e sinceramente: vale tudo.
Neste trabalho há espaço para os parentes próximos
do Fusca, ou seja, tanto aqueles que foram fabricados pela
VW com seus componentes, como a Kombi, o Karmann-Ghia, etc.,
como as “criações livres” feitas
usando sua robusta mecânica.
Escola, Nova Zelândia
Por muito tempo o Fusca foi o carro mais desenhado pelas
crianças, tanto aqui como em vários outros
lugares do mundo. Um fuscamaníaco da Nova Zelândia,
o Lyndon Hoockham, me enviou a captura de uma placa pintada
por alunos de 5 a 10 anos de uma escola da área rural
de Wainuioru. Esta placa chama a atenção dos
motoristas para a travessia de crianças e seus dizeres
são: “Take Care our School is Here” (tome
cuidado nossa escola é aqui). Apesar de não
existirem muitos Fuscas por lá, onde as estradas são
dominadas por carros japoneses, as crianças escolheram
desenhar um Fusca amarelo nesta placa. É uma das “capturas” mais
carinhosas de meu acervo...
Grafiteiros,
São Paulo - SP
Os grafiteiros não deixaram de expressar a sua opinião
contrária à volta do Fusca em 1993, como
dois desenhos combinados feitos numa esquina da Rua Fradique
Coutinho,
em São Paulo, mostravam. Um deles mostrava a frente
do Fusca com o Itamar atravessando o pára-brisas,
segurando o volante ainda preso à barra de direção
e nos dizeres se lia: “Itamar nas curvas”.
Se vocês notarem, o Fusca ainda é usado hoje
em dia para propaganda, nas diferentes formas de mídia
com grande freqüência e, falando de parentes do
Fusca, a Kombi Fillmore do filme Carros é a miniatura
que mais vendeu nos EUA e no resto do mundo!
Imagem de celular
Só que os dias de uso do Fusca em pinturas de parede
já estão em seu ocaso e é raro encontrar
algo. Hoje com o advento das câmaras digitais e dos
celulares com câmara de alta definição é muito
mais fácil e mais econômico “capturar” imagens
pintadas em parede e, se você se interessou pelo
caso, pode vir a ser um colaborador deste trabalho, enviando
fotos das pinturas de parede (de preferência várias
e de vários ângulos) para o e-mail a.gromow@hotmail.com.
Sempre serão dados os créditos a quem de
direito, pois, como o caipira bem o diz: -“Não
se faz mesuras com o chapéu alheio.” Eu sempre
tento anotar dados da pintura de parede, como o endereço
onde a pintura está, nome do estabelecimento, nome
do artista, data da pintura, obviamente se isto for disponível.
O sonho é depois de algum tempo fazer um álbum
com este material, mas com tantas imagens o custo de impressão
pode vir a ser um empecilho a ser vencido.
O trabalho que começou com pinturas de parede foi
ampliado em vários outros capítulos, mas isto
pode vir a ser motivo de outro bate-papo com vocês.
Em tempo, quem ficou curioso em visitar o tal Web-Site poder
dar uma olhada no endereço www.fuscabrasil.net.
Lambreta, São Paulo - SP
Eu gostaria de motivar outros grupos de colecionadores,
pois há pinturas de parede de vários tipos
de veículos que certamente poderão interessar
aos amantes das respectivas marcas. Tenho um bom amigo, que
adora as Lambretas e Vespas, se bem que confessa ter um
coração
para Fuscas também, o João Tadeu Boccoli, e
para ele eu enviei a captura de uma Lambreta pintada na parede
de um antiquário de Pinheiros, em São Paulo.
*Alexander
Gromow - Engenheiro Eletrotécnico desde
1971. Nascido na Alemanha em 1947 e no Brasil, sua
pátria
por opção, desde 1949. Ex-Presidente
do Fusca Clube do Brasil do qual não é mais
sócio. Autor do livro EU AMO FUSCA – A
história brasileira do carro mais popular do
mundo e compilador do livro EU AMO FUSCA II – Uma
coletânea de causos de felizes proprietários
de Fusca.
Autor de artigos sobre o assunto
publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional
e internacional. Participou do lançamento do
Dia Nacional do Fusca e apresentou o projeto que motivou
a aprovação do
Dia Municipal do Fusca em São Paulo Lançou
o Dia Mundial do Fusca em Bad Camberg, na Alemanha.
Historiador amador reconhecido a nível mundial
e ativista de movimentos que visam à preservação
do Fusca e de
de carros antigos em geral. Participou de vários
programas de TV e rádio sobre o assunto.