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Arte Automotiva,
o registro da paixão
*Maurício
Morais

Foi com tremenda alegria que recebi
o convite para escrever como colunista convidado no Portal
Maxicar. Tema livre, oba, então naturalmente o
assunto que irei discorrer trata-se daquilo que tem sido
minha vida nos últimos 5 anos: Arte Automotiva.
Sempre
trabalhei com ilustração e design gráfico,
mas nas horas vagas usava meu dom de desenhar para relaxar
desenhando carros. Minha mulher achava estranho a forma
como eu descansava, pois trabalhava o dia inteiro com
ilustrações e à noite voltava a desenhar!?
Mas para mim sempre foi uma questão de paixão,
e quando se é apaixonado aquilo que se faz não
se torna um fardo.
Automóvel é antes
de tudo emoção, carro antigo mais ainda
e sei que todos que me lêem agora entendem muito
bem o que falo. Quando se é apaixonado por alguma
coisa, os limites desaparecem e o que era difícil,
num passe de mágica torna-se fácil.
Em
2006, timidamente, abri um blog com a intenção
de compartilhar essa paixão com mais pessoas. Comecei
a publicar minhas ilustrações e a comentar
sobre elas. E para minha surpresa fui correspondido prontamente
por um grupo de ávidos navegantes da blogosfera,
gente interessada em carros, especialmente antigos.
Houve um encontro marcante ainda
em 2006, com o jornalista Flávio Gomes que corria
na Classic Cup com o DKW #96. Mandei para ele uma caricatura
desse carro, ele gostou e publicou em seu blog. Foi impressionante
o número de pessoas que passou a visitar meu blog
depois da publicação do desenho. Ali eu
pude perceber o poder daquela ferramenta.
Penso
que o que une os antigomobilistas é essa paixão,
e que a Arte Automotiva é uma forma de eternizar
esse sentimento. É um registro gráfico,
visual, de uma experiência positiva vivida na mocidade,
ou mesmo infância, onde o automóvel é
o cenário. Quem não se recorda do primeiro
passeio de carro, da primeira vez que dirigiu um, do cheiro,
dos sons, das emoções?
Faz-se Arte Automotiva de várias
formas: pintura, ilustração digital, escultura,
fotografia, plastimodelismo, literatura e outros gêneros
de arte. Da mesma forma que o antigomobilismo tem crescido
e se estruturado no Brasil, creio que o entendimento do
que seja Arte Automotiva também.
Hoje, os museus nacionais e os
colecionadores particulares conseguem enxergar a importância
de se ter um acervo cultural junto com os acervos mecânicos.
Essas entidades e pessoas tem aberto suas portas para
artistas como o Ararê, Dan Palatnik, Paulo Fiote,
os pintores Sérgio e Helena Dotta, Antonio Ariel
e vários outros.
Espero ver o dia em que teremos
bienais de Arte Automotiva, salões especializados
nesse tema, leilões com as obras valorizadas e
todos vivendo felizes numa grande confraria de Artistas
Automotivos. Há espaço para todos e como
dizem, os mais competentes se estabelecerão.

Gosto de ler a história
dos pintores impressionistas e ver a forma como eles influenciaram
a cultura clássica reinante no fim do século
XIX e como resistiram até serem apreciados e valorizados
por todos. Novas idéias sempre combinam com carros
antigos.
Nós artistas devemos exercitar,
falar a mesma linguagem da paixão automotiva que
nos move.
Há muito para se fazer,
muito chão para se caminhar, e parafraseando Karl
Marx eu digo: Artistas Automotivos do mundo, uni-vos.
10 de outubro de 2011
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