Podemos dizer que o brasileiro é um apaixonado de
nascença.
O brasileiro é apaixonado, por futebol, por samba,
por carnaval, pelo sexo oposto (nem sempre) , pela profissão
que exerce, pela família, e também por automóvel.
Sempre conhecemos alguém declarando amor pelo seu
carro, seja ele velho, novo, moderno, ou ultrapassado.
Quantas vezes nos deparamos com afirmações do
tipo, “tenho gasolina nas veias”, ou “fui
contaminado pelo vírus da ferrugem”.
Temos o doente, o fanático, o maníaco, o tarado
pelos carros.
Todos convivendo dentro do mesmo mundinho, trocando idéias,
informações, loucuras, delírios e devaneios
automobilísticos.
E o melhor de tudo: de alguns anos pra cá, o brasileiro
descobriu que o carro nacional, tão jovem se comparado
a industria automobilística de outros países,
poderia ser colecionável também.
Em épocas passadas, os carros de coleção
eram os americanos e europeus, com seus anos e anos de fabricação,
conservados e restaurados minuciosamente por seus milionários
e orgulhosos proprietários.
O antigomobilismo “acordou” o apaixonado por
automóvel, que descobriu que a industria automobilística
brasileira também já podia contar a sua história,
já tinha uma certa idade, um passado de erros e acertos,
que podia através da conservação ou restauração
de um nacionalzinho manter viva na memória de cada
um, uma lembrança, uma saudade, ou uma gratificante
oportunidade de volta ao passado.
Correu atrás da sua marca preferida, ou do carro em
que um dia aprendeu a dirigir, ou do carro que o seu pai ou
avô, o levava para passeios, ou ainda aquele carro que
por um motivo ou outro (geralmente o financeiro) sempre sonhou
em ter.
Felizmente hoje vemos que esse movimento cresceu, formaram-se
grupos, clubes, comunidades, para troca de informações,
“garimpo de peças”, vários eventos
de carros antigos, gente voltada para trabalhar na restauração
de carros e peças, fabricas voltando a produzir o que
já haviam deixado de fabricar, criação
de empregos e mão de obra especializada, e todo o tipo
de pessoas interessadas na preservação e conservação
de nossas “relíquias”.
Sejam aqueles que tem mais condições financeiras
de deixar sua raridade nas mãos de um especialista,
seja aquele que “adora” por a mão na massa
(êpa! massa, não) ou na graxa.
Nada é mais prazeroso ou gratificante do que ver ressurgir
a partir de uma sucata abandonada, um reluzente brasileirinho,
seja lá da marca ou modelo que for. A sensação
de salvar um carro condenado ao ferro velho, é indescritível
e não tem preço.
Hoje já podemos dizer com certo orgulho: parte da
história da industria automobilística brasileira,
já pode ser contada através dos seus carros
conservados, restaurados e colecionáveis.
Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis,
grande entusiasta dos carros antigos, e diretor do Clube
MP Lafer - Brasil."
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