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O velho, de novo

O apaixonado por carros antigos, saudosista por excelência, anda feliz da vida ultimamente com os atuais projetistas/designers/carrozzieri e outros malucos que andam por aí, colocando nas ruas as suas “novas” criações.

Desde que alguém resolveu atualizar o tão consagrado e septuagenário Fusca, transformando-o em “New Beetle”, a coisa não parou mais.

Vieram o Mini Morris, o Thunderbird, o Mustang, o Charger, o Camaro, a Pick-Up GM SS-R, só para citar alguns. Sem contar as recriações perfeitas, (e não apenas inspiradas) de carros esportivos clássicos, como Ford GT 40 e Ferrari 250 GTO.

Esses clássicos inspiraram seus criadores a conceber carros, com toda a tecnologia, aplicação da eletrônica e mecânica moderna, mas sempre deixando na aparência, uma boa parte das linhas de seus ancestrais, para serem lembradas com nostalgia pelos mais velhos e para aguçar a curiosidade dos mais jovens.

Recentemente, por ocasião do Salão do Automóvel em São Paulo, alguns expositores colocaram carros antigos, junto aos novos lançamentos. O carisma e o charme do carro antigo, continuam sendo os principais argumentos da famosa pergunta que já se ouve pelos 4 cantos: Os carros das décadas de 80-90 em diante, poderão ser colecionáveis, se tornarão também clássicos? Bem, essa é uma longa discussão, que fica para uma próxima vez.

Mas o que se viu no Salão, foi uma forte empatia do público e do aficionado pelos “velhinhos”, sempre comparando e ressaltando as qualidades e a robustez dos “vovôs”, em relação aos modernos.

Em meio aos carros-conceito, aos carros do futuro e os carros do presente, fizeram muito sucesso também, as Romi Isettas (para muitos o primeiro carro brasileiro), os Mustangs da década de 60, e até um raríssimo Fiat 501 de 1919.

Esse comportamento é interessante, pois ao mesmo tempo em que o colecionador principalmente, é fanático por um determinado modelo, costuma olhar com certa simpatia, o mesmo carro com uma nova “roupagem” e uma mecânica mais atual.

Isso porem, não quer dizer que o antigomobilista ou colecionador, troque a sua relíquia, por uma dessas atualizações. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Já dizia um famoso filósofo.

Mas voltando ao assunto Salão do Automóvel, me lembrei de um acontecimento curioso. Eu estava apreciando uma impecável Romi Isetta amarela, quando encontrei um amigo colecionador, e assíduo companheiro de eventos de carros antigos. Enquanto conversávamos, vimos mais a frente, examinando outro exemplar do simpático carrinho, um outro amigo nosso em comum, também colecionador. E o comentário do trio, foi inevitável: —“Só poderíamos nos encontrar aqui mesmo! No stand da Toyota ou da Honda, olhando Corolas e Civics, é que não iria ser”.

Até a próxima.

Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis, grande entusiasta dos carros antigos, e diretor do Clube MP Lafer - Brasil."

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