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Que
a coisa não fique mais preta
do que está
No inicio do ano, mais precisamente em Janeiro, escrevi aqui
mesmo no Maxicar as minhas expectativas para o ano que se
iniciava.
Em dado momento escrevi: “Que a Federação
Brasileira de Veículos Antigos, tenha pulso e seja
firme para orientar e organizar a questão das Placas
Pretas, que em alguns estados/cidades está meio descontrolada.”
Pois bem, a FBVA já havia organizado um workshop em
São Paulo, no mês de Novembro com a participação
de praticamente todos os dirigentes regionais e demais interessados
no assunto.
Vários assuntos foram debatidos, discutiram-se novas
planilhas incluindo também as motocicletas que haviam
sido esquecidas, alterações nas planilhas para
os carros, a organização de Raids e Rallyes,
organização de eventos, regras para competições,
etc.
E o chamado bloco da Placa Preta foi amplamente discutido
e o trabalho foi concluído com um documento oficial
chamado de “Carta de São Paulo”. Esse documento
com cerca de 50 paginas, foi muito comentado e comemorado
como um grande passo para o futuro da Placa Preta.
Porém o que lamentavelmente ocorre, e justamente em
São Paulo como já previa a minha preocupação
do inicio do ano, é que a desorganização,
a falta de critérios e ausência total de fiscalização
ou de quem fiscalize a emissão de Certificados de Originalidade,
e de vistorias por parte dos Clubes afiliados, está
gerando uma bagunça total.
Existe de tudo, carros com alterações, carros
cortados, carros com pontuação insuficiente
para obtenção das placas, carros muito distantes
da originalidade e até carros com menos de 30 anos,
a primeira e mais importante exigência para a concessão
da Placa Preta.
O desconhecimento da verdadeira finalidade da placa preta,
faz com que cada vez mais, pessoas entendam que ela só
serve para valorização comercial do carro ou
para satisfazer o ego do seu possuidor. Idéias distorcidas
e que levam sempre alguém a procurar meios quase sempre
desonestos para ter a sua placa preta.
Eu costumo dizer que existem três tipos de Placas Pretas:
A Placa Preta acompanhada de CO (Certificado de Originalidade),
expedida por Clube afiliado e responsável junto com
a Federação pelas informações
e sua concessão, ou seja, a verdadeira e merecida Placa
Preta;
A Placa Preta, conseguida através de “despachantes”
credenciados juntos aos Detrans, Ciretrans, e departamentos
de Transito, que são concedidas sem apresentação
de CO, ninguém sabe como;
E a Placa Preta CS (Certificado de Spray), aonde o cidadão
vai a uma loja de tintas, ou supermercado, compra sua lata
de tinta spray preta, pinta sua placa e sai orgulhoso ostentando
a sua “relíquia”.
Estou ansioso para saber quando e como a Federação
vai cassar uma Placa Preta indevida.
Recentemente surgiu à venda um Volkswagen réplica
de um raríssimo modelo Hebmüller 1950 alemão.
O carro, originalmente 1965, foi fina e ricamente reestilizado,
com um serviço primoroso e perfeito, mas trata-se de
uma réplica, em que o vendedor enaltece a qualidade
e tamanha perfeição da transformação,
e “que possui ATÉ placa preta”.
Um dos itens da famosa “Carta de São Paulo”
diz: As réplicas não terão direito
a Placa Preta.
Eu não estou criticando por criticar, não
estou taxando a FBVA de incompetente, mas estou apenas advertindo
para uma postura passiva, condescendente e até ingênua,
frente aos inúmeros casos de placas falsas existentes.
E, preocupação maior, não gostaria de
ver as placas pretas se desmoralizarem por completo. Pois
acompanho os carros antigos há quase 20 anos, e também
não gostaria de presenciar uma Federação
omissa, tanto que me coloco a disposição de
quem quer que seja, para qualquer tipo de ajuda.
Até a próxima.
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Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis,
grande entusiasta dos carros antigos, e diretor do Clube
MP Lafer - Brasil."
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Reprodução
autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br/old

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