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O tradicional bom humor brasileiro, leva geralmente as pessoas a criarem apelidos para quase tudo e todos. Usados às vezes de forma pejorativa, os apelidos dados a alguns carros fizeram alguns estragos.

Talvez o mais famoso foi o “Cornowagen” que foi dado ao Fusca em 1965 quando a VW lançou o modelo 1.200 com teto solar. Com certeza a fabrica apostava no sucesso do acessório tendo como aliado o nosso clima tropical. Mas teve que encerrar prematuramente a produção do modelo, pois a má fama criada (dizem alguns que se originou no RJ) fez com que muitos proprietários do referido modelo, mandassem soldar o teto do carro eliminando o acessório, ou pior, procurassem se desfazer do carro, vendendo-os a qualquer preço desvalorizando o bem.

Poucos anos antes, a vítima das gozações era o Simca Chambord, carro bonito, de linhas charmosas, detalhes de luxo para a época, mas que carecia de um melhor desempenho. Tinha um motor fraco, apesar de ostentar o emblema de V8 em sua carroceria. Foi agraciado com o apelido de “Belo Antonio”, lembrando o filme homônimo, cujo personagem principal (Marcelo Mastroianni), apesar de bonito, tinha sérios problemas de impotência sexual.

O Renault Dauphine chamado de Leite Glória (“dissolve sem bater”) foi outro caso de alvo da irreverência brasileira.

Por outro lado, essa mesma criatividade é até hoje aplicada a certa simplificação para se identificar alguns modelos, ou diferenciá-los entre si.

Por exemplo, hoje é muito comum alguém se referir as antigas Kombis dos anos 60, como “Corujinha” devido ao formato da sua parte frontal, que lembra muito a taciturna ave.
Também a Kombi pick up, conhecida por “Kombi Cabrita” devido a sua destreza saltitante, quando trafega vazia.

O VW 1600 4 portas, ficou famoso como “Zé do Caixão” pois suas 4 maçanetas lembravam muito as alças usadas no chamado “terno de madeira” ou “ultimo cockpit”.

Por causa das suas protuberantes lanternas traseiras, o Fusca Fafá, homenageou a famosa cantora de Belém do Pará, e os atributos da sua “comissão de frente”.

O próprio nome Fusca foi uma maneira simplista para os brasileiros melhorarem a pronuncia entre o Volkswagen e o tedesco Folkswagen.

O Puma GT fechado, valorizado depois de ter a sua fabricação suspensa, ficou conhecido como “tubarão”, por causa das aberturas para ventilação do motor, localizadas nas colunas traseiras.

Para não ficar por aí, temos ainda os apaixonados por carros, (mais uma “coisa” de brasileiro) que usam os apelidos para demonstrarem seu carinho, sua dedicação e seu fanatismo pelos seus xodós. Nesse grupo, estão aqueles que juram que conversam com seus carros, discutem, às vezes brigam, mas sempre fazem as pazes.

Alguns chegam a dizer que os carros respondem, ou reagem a um elogio ou xingamento, não sei, cada um, cada um.

Tenho uma amiga que batizou carinhosamente o seu MP Lafer de Filomeno. Tá legal, o nome não é lá essas coisas, mas o carro dela é muito bonito e bem conservado.

Um outro amigo meu, também Laferista, só falava “vou abrir a capota da barata e desfilar por aí”, “domingo fui almoçar de barata”, “vou acelerar a barata”, “mandei dar um trato na barata”, sempre se referindo ao MP. Resultado: se tornou o “Barata”. Hoje, muitos não sabem quem é o Nelson, mas o “Barata” todo mundo conhece.

É, tem louco pra tudo. E taí, louco por carro é uma categoria que conta com todo o meu respeito e admiração.

Até a próxima!

Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis, grande entusiasta dos carros antigos, e diretor do Clube MP Lafer - Brasil."

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