Houve um tempo em que ver nas pistas dezenas de carros
em um grid era comum. Também era comum ver os V8 como
Maverick, Galaxie e Dodge além dos Opala 6 cilindros,
disputando as retas e as curvas de diversos autódromos
pelo Brasil, principalmente em Interlagos/SP.
Nomes como José Carlos Pace, Bird Clemente, Nilson
Clemente, Clóvis de Moraes, Paulo Gomes, Ricardo Lenz
Villares, Edgar Mello Filho, Bob Sharp, Aloysio de Andrade
Filho, Afonso Giaffone, Alex Dias Ribeiro, Antonio Carlos “Toto” Porto
Filho, Antonio Castro Prado, Artur Bragantini, Camillo Christófaro,
Carlos Quartyin de Moraes, Chico Landi, Luis Landi, Constantino
Andrade, Dante Di Camillo, Fabio Crespi, José Maria
Ferreira, Lúcio Naja, Luis Pereira Bueno, Marivaldo
Fernandes, Paulo Costa, Sérgio Di Gênova, Tite
Catapani e tanto outros que estiveram atrás do volante
de um Maverick, seja na Divisão 1, na Divisão
3 ou na Turismo 5000....ou ainda nas diversas provas menos
famosas que foram realizadas.
Foi nos dias 25 e 26 de Agosto de 1973 que um Maverick entrou
oficialmente em uma corrida: 25 Horas de Interlagos e já saiu
de lá vencedor pelas hábeis mãos de
Bird Clemente. O carro era da equipe chefiada por Luiz Antonio
Greco, que por sua vez era oriundo da equipe Willys, incorporada
pela Ford em 1967.
Ninguém havia, até então, corrido de
Maverick e este resultado e os seguintes foram determinantes
para que muitas equipes começassem a incorporar o
modelo. Além deste, outro Maverick ficou muito famoso,
já agora fazendo parte da equipe Greco Motorsports,
já de forma independente da montadora e com patrocínio
do banco Mercantil-Finasa. Fez história.
Importante citar também o Maverick Hollywood, hoje
tão bem restaurado e conservado no Museu do Automobilismo
Brasileiro, aos cuidados do atencioso Trevisan.
Em seus tempos
de pista, o referido bólido era “nitroglicerina
pura”, com uma suspensão muito bem acertada,
eixo traseiro de Fórmula 1 e um motor afinadíssimo
levando-o, não raramente, ao posto mais alto do pódium,
inclusive com o absurdo de completar uma prova com apenas
8 voltas de vantagem sobre o segundo colocado!
Mais nos anos 1980, surge a equipe Automotor, chefiada pelo
Luiz Francisco Baptista, que como diferencial montou mais
de um Maverick para pista, e um que marcou muito pela inovação:
um Sedan.....isso mesmo, um 4 portas de pista.
Como características
próprias, tinha entre outros segredinhos de preparação,
a posição deslocada e centralizada do piloto,
permitindo maior equilíbrio. A equipe muito bem gerida
e com ótimos carros, obteve excelentes resultados
e é ativa até os dias atuais.
A Ford soube aproveitar esse marketing gratuito e soltou
uma divulgação enaltecendo os feitos do carro
nas pistas: foram 44 vitórias do Maverick em 1974.
Passados mais de 30 anos surge em São Paulo, uma
categoria nova: Históricos V8-5000 com regulamento
próprio devidamente atualizado para as condições
de segurança da modernidade.
Até o momento
são 4 carros, todos Mavericks embora a categoria permita
a entrada de Dodge e Galaxie.
Nomes consagrados do V8 FORD, como o Baptista e o Pedro
Lioi (Pedrinho) estão aí firmes e fortes preparando
as mecânicas e dividindo espaço com outro preparador,
o João Rondini. Os pilotos são entusiastas,
apaixonados pelas pistas e pelos V8: David, Edílson,
André e Amilton são os nomes até o momento.
Em breve teremos mais.
O espírito de competição fica para
a próxima encarnação, pois nessa não
há espaço para isso: todos são amigos
e filiados ao Clube
do Ford V8 do Brasil e se encontram uma
vez por mês em Interlagos (SP) para curtir esta paixão.
Dividem o mesmo box, trazem sanduíches e refrigerantes
para todos, as peças andam de mão-em-mão
e as dificuldades e as vitórias para os acertos são
divididos entre todos. Camaradagem pura e risadas garantidas.
Nesse
clima é que entrou nas pistas (05/Abril/2008)
um carro que encheu de alegria à todos no Autódromo:
o Maverick nº 22. Até aí nada de especial,
se não fosse o fato de que é uma réplica
em homenagem ao saudoso Greco
Amilton e Hamilton Roschel, pai e filho, são os autores
deste feito e fica aqui nossa homenagem aos homens de hoje,
aos de outrora e aos do amanhã.