Desde 2004 sou membro do Fórum
Nacional de Veículos Antigos (FNVA), um fórum
de discussões na internet ligado à Federação
Brasileira de Veículos Antigos, muito bom por sinal.
Um espaço para troca de idéias, de opiniões,
ajuda mútua e para fazer novas e boas amizades também.
Pois bem, esses dias, sem querer, acabei “redescobrindo”
lá um velho tópico de minha autoria, que postei
em meados de 2006. Achei divertido e que seria um bom tema
para uma matéria. O título era: "ODEIO
GENTE ENCOSTADA NO MEU CARRO!” Naquela
ocasião escrevi o seguinte:
“Não sei quanto a vocês, mas
uma coisa que me deixa danado da vida é quando vejo
alguém encostado ou confortavelmente sentado no paralama
ou parachoque do meu carro. Dá vontade de ir lá
e arrancar o sujeito na marra... Não sei se sou o
único, se é paranóia... Quem não
gosta de carro antigo deve ficar pensando: ‘criar
caso por causa de uma lata velha dessas...’.”
Meu carro antigo não é nada demais. É
um dos carros mais populares de todos os tempos e ainda
bastante fácil de encontrar nas ruas brasileiras.
Um prosaico Fusca! E em matéria de Fuscas, também
não tem nada especial. Não é um raro
“split” ou “oval” dos anos 50 e
nem tampouco pertence a nenhuma série especial com
pouquíssimas unidades produzidas. Trata-se de um
1970, 1ª Série, na cor Branco Lótus.
Um carrinho comum, com mil coisinhas para fazer. É
esse da montagem fotográfica aí em cima!
Mas para mim, é sem dúvida alguma o mais
belo Fusca do mundo inteiro! Tenho o maior orgulho e cíumes
dele também! Para nós, aqui em casa, ele não
é um simples carro, é quase uma pessoa, com
alma e personalidade próprias. Sem nenhum exagero!
Com a publicação daquele “post”,
descobri que não sou o único maluco no mundo
dos automóveis antigos. Vários companheiros
do fórum deram seus depoimentos sobre o assunto e
vi (graças a Deus!) que todos são um pouco
paranóicos, em maior ou menor grau. Então
decidi publicar alguns desses depoimentos.
Portanto, se você é do tipo que acha que seu
carro deveria ser colocado dentro de uma redoma de vidro,
fique tranquilo! Você não está sozinho!
*Veja só:
“Pior
é os pais que deixam as crianças passarem
a mão melecada no vidro, na pintura... Outro
dia, tinha um garoto tentando quebrar o vidro da minha
Puma pra pegar o boné do clube que estava lá
dentro (ISSO EM UM ENCONTRO!). E o pai de longe só
olhando e nem falou nada. Que raiva!!!! Eu quando quero
ver o interior de algum carro, nem encosto no vidro
com a mão para sair o reflexo.”
“Tem
gente que só sabe ver o carro ‘pelo método
Braile’. Principalmente crianças... E como
já foi falado, os pais não fazem nada.
Uma vez vi uma criança abrir a porta de um carro
num encontro e ficar tentando abaixar o vidro, aos olhos
dos pais que ficavam só olhando. No mesmo encontro,
a mãe puxava um menino pela mão e ele
ia batendo em todos os pára-choques no caminho”.
“Isso
realmente da raiva, mas não tanto como alguém
entrar no teu carro. Talvez pra maioria isso não
seja problema, mas é que meu Jipe é aberto,
dai ja viu, né? Só de lembrar fico brabo.”
Por isso
mesmo, acho fundamental que nos encontros os carros
expostos sejam cercados com fitas, cordas, etc. E se
possível com "seguranças" por
perto. Porque a maioria (criança, mulher, marmanjo,
etc) gosta de ver os carros com a mão, alguns
inclusive adoram bater nos carros com o nó dos
dedos para saber se são de fibra ou lata.”
“Quando
meu carro estava na oficina, pintei a lateral dele com
graxa. Gastei um lata e ainda avisei o funileiro que
não queria ninguém encostado. Ele chegou
até a escrever nos vidros ‘NÃO ENCOSTE’.
Uns 3 perderam as camisetas no começo, mas depois
ficaram espertos, hahahaha. Eu sou paranóico
de carteirinha, não deixo nem chegar perto, só
nós sabemos o quanto custa para deixar o nossas
jóias perfeitas”
Uma vez,
no Shopping Pátio Brasil (Brasília), houve
uma exposição de carros antigos. Um expositor
tinha levado seu Puma conversível, e para espanto
de todos uma mulher entrou no carro com seu filho e
lá se instalou confortavelmente. Com toda a educação,
disse-lhe que aquilo não era certo, que o dono
não ia gostar nem um pouco. Sabe o que ela me
respondeu? ‘Ah, entrei porque não tinha
nenhum cartaz dizendo PROIBIDO ENTRAR’.”
Pois é
galera, esse problema do público ‘ver’
os carros antigos com as ‘mãos’ ou
‘ouvidos’, é dose pra leão.
Sempre aparece um ‘entendido no assunto’
que bate na lataria do seu carro com o dedo indicador,
para ‘confirmar a boa espessura da lata’
com seu "poderoso e bem-treinado ouvido’.”
“Há
outro problema, que é o seguinte: quando deixo
estacionado na rua, sempre aparece aqueles que ao manobrar
para estacionar, dão aquela encostadinha no parachoque,
isso também eu não suporto, dá
vontade de chamar de barbeiro”.
“Odeio
quando paramos no sinal e o jovem vem com o limpador
de vidros escorrendo sabão e antes que tu perceba.
ele invade o parabrisa; QUE SACO!!!”
“Ahahaha!
Sei bem o que é isso. Ainda não participei
de nenhum evento com minha Mercury, porque ele ainda
está restaurando, mas sou vendedor de miniaturas,
e sempre sou convidado a participar de encontros.
E posso afirmar que tem que ter muita paciência!
Já perdi a conta das miniaturas quebradas em
função de curiosos que não se
contentam em ver e querem mexer no carrinho”.
“O
que me deixa chateado é quando vou abastecer
e o frentista coloca o bocal da mangueira dentro do
tanque, fica num pé só e apoiando o peso
do corpo em cima do bocal, como se fosse uma bengala...muitos
dos frentistas fazem isso”
*Em respeito
à privacidade dos membros do Fórum Nacional
de Veículos Antigos, decidi suprimir seus nomes
nos depoimentos.