Repórter Maxicar

FNM — A força brasileira nas estradas

Livro fala desses gigantes que conquistaram as ruas e a admiração dos brasileiros

Lançamento da Editora Alaúde é Ilustrado com fotos dos caminhões da coleção de Osvaldo Strada

Símbolo de um período de industrialização do Brasil, ao lado de outras estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Companhia Vale do Rio Doce, a Fábrica Nacional de Motores teve sua construção iniciada em plena II Guerra Mundial, 1942. Começou suas atividades somente em 1946, montando motores americanos de aviação Wright. Com fim do conflito a demanda havia diminuído e a empresa com sede em Xerém, na Baixada Fluminense, teve que se adaptar. Primeiro optou por usar seu enorme parque industrial para fabricar diversos produtos, que incluíam componentes ferroviários, bicicletas e até refrigeradores domésticos.

Rara imagem dos FNM Isotta Fraschini. Rio de janeiro, dezembro de 1949

Em 1948 tem início uma nova fase, que é realmente a que nos interessa: a decisão de tornar-se e primeiro fábrica brasileira de caminhões. Naquela época as ruas e estradas brasileiras eram dominadas pelos pesados norte-americanos, de marcas como Chevrolet, Leyland, Aclo, GMC… Então a FNM seguiu a tendência natural, tentando parceria comercial com a Mack. Mas o acordo não teve sucesso. Optou-se então pela italiana Isotta Fraschini, famosa por seus automóveis de luxo, mas que também fabricava caminhões. Pouca gente sabe, mas chegaram a ser produzidos através dessa parceria 200 caminhões D7300 nos anos de 1949 e 50. Infelizmente não se tem notícia de nenhum exemplar sobrevivente. Em 1954 a Isotta Fraschini fechou as portas, dando fim à recente parceria.

Propagando do V-17, com segundo eixo também articulável

Chega então a fase mais conhecida, a parceria com outra italiana, a então estatal Alfa Romeo, que é o foco principal do recém lançado livro “FNM — A força Brasileira nas estradas”, de Evandro Fullin e Rogério de Simone. A obra fala sobre o primeiro modelo, batizado de D-9500 e nascido em 1954, seu sucessor e mais famoso modelo, o D-11000, com seus variados padrões de cabines, incluindo a Standard (fabricada pela própria FNM), e de marcas terceirizadas como Brasinca, Carreti, Inca, Metro e Rasera. Mostra a grande variedade de chassis disponíveis, para os mais diversos usos, indo do ‘toco’ V-4 até o histórico V-17 de 4 eixos, sendo o segundo também direcional. E ainda a produção de ônibus: foram 1.480 chassis fabricados para este segmento.

O capítulo seguinte trata da fase Fiat-Diesel, entre 1972 e 1981, com a fabricação dos mais modernos FNM 180 e FNM 210, preservando ainda assim o DNA dos antecessores. Não demoraria para o nome Fábrica Nacional de Motores dar lugar ao Fiat Diesel Brasil S.A.

Embora fora do contexto principal da obra, há um capitulo que fala sobre a IVECO no Brasil, já os modelos fabricados pela marca pertencente à Fiat são indiretamente a continuidade dos velhos Fê-Nê-Mê dos anos 1950 e 60, foco principal do livro.

Um dos destaques de “FNM — A força Brasileira nas estradas” fica por conta das fotografias que o ilustram. Como referência dos modelos, foram usados os caminhões pertencentes ao acervo do colecionador Osvaldo Strada, de São Paulo. Ele é sinônimo de FNM tendo em sua coleção mais 20 exemplares, todos estupendamente restaurados, mantidos em sua propriedade de Pilar do Sul, no interior do estado. Frequentemente Osvaldo vai para o trabalho de Fê-Nê-Mê, para o espanto de quem o encontra pelo caminho.

O livro é ilustrado com fotos da coleção de Osvaldo Strada

Importante notar que apesar de a Fábrica Nacional de Motores ter produzido também os famosos automóveis FNM 2000 JK, FNM 2150 e Alfa Romeo 2300, eles sequer são mencionados na publicação. O foco é mesmo os pesos-pesados.

Não se pode falar de indústria automobilística brasileira sem se mencionar sua primeira fábrica de caminhões. Como muito bem-dito na quarta-capa desde livro: os caminhões FNM “se tornaram lendários ao dominar não só as estradas, como também a memória de todos os que viveram aquela época”.


FNM — A força Brasileira nas estradas
Autores: Evandro Fullin e Rogerio de Simone
Editora Alaúde
Formato: 21,5 x19 cm – Capa dura, miolo colorido
Páginas: 96
Preço: R$ 45,00


Texto, edição e fotos: Fernando Barenco

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