Repórter Maxicar

Em dez anos, carro antigo nacional valorizou mais que o ouro

Alguns modelos tiveram alta de mais de 300%, enquanto IPCA acumulado foi de 82,6%

Você que acompanha o mercado de automóveis antigos no Brasil já percebeu a alta dos preços, mesmo nesses dois últimos anos, apesar da famigerada crise econômica que se abateu sobre o país. Embora as vendas tenham caído vertiginosamente a partir de 2015, estranhamente os valores não param de subir. Um fenômeno que chega a ser inexplicável.

Decidimos então fazer uma pesquisa informal dos preços dos automóveis antigos, não apenas dos últimos dois, mais sim dos últimos 10 anos. Escolhemos manter o foco nos nacionais e selecionamos 10 modelos bem populares: DKW Belcar/Vemaguet, Puma, Opala, Gordini, Karmann Ghia, Fusca, Maverick GT, Kombi, Dodge Charger R/T e Galaxie/Landau.

Note que não tivemos a pretensão de realizar uma pesquisa de valores “oficial” (mesmo porque não existe uma tabela de preços para autos antigos no Brasil), mas ela é baseada em números reais que retratam as médias dos preços praticados entre 2007 e 2017. Os dados anteriores a 2017 foram colhidos a partir dos veículos anunciados na seção de Classificados aqui do Portal Maxicar e de revistas especializadas. Já os valores praticados hoje, foram pesquisados nessas duas fontes e também em outros sites especializados brasileiros.

Para a maioria dos modelos fizemos um levantamento genérico, já que não há muita variação (caso por exemplo dos DKWs e do Gordini). Para outros, fomos mais específicos porque detalhes como ano de fabricação e versão podem fazer uma enorme diferença. Por exemplo: o Maverick GT V8 legítimo (de chassi e plaqueta) é expressivamente mais valorizado que as demais versões, normalmente de 4 e 6 cilindros. Um Opala Comodoro de 6 cilindros produzido até 1979, tem mais valor que um 4 cilindros a partir de 1980…

Dessa forma, os preços que apuramos são os médios, para veículos em ótimo estado de conservação e no padrão original. Tabulamos os dados com intervalos de dois anos: 2007, 2009, 2011… e assim por diante.

Entre 2007 e 2017 o IPCA acumulado (inflação) ficou em 82,6%. Já os quatro principais investimentos tiveram os seguintes índices de valorização, de acordo com o Valor Econômico:

– IBOVESPA – 35,42%
– Dólar – 52,44%
– Poupança – 103,39%
– Ouro – 173,1%

Ou seja, quem investiu no dólar e na Bolsa de Valores perdeu dinheiro. Quem optou pela poupança, conseguiu vencer a inflação. Mas quem se decidiu pelo ouro se deu bem. Mas não tão bem quanto quem resolveu comprar um carro antigo nacional. De acordo com os números que apuramos, a média acumulada entre os 10 modelos pesquisados foi de 294,7%.

É claro que é preciso lembrar que um automóvel gera despesas de licenciamento e manutenção ao longo de uma década, por mais que seja bem conservado. De qualquer forma, foi sem dúvida um ótimo investimento.

Alguns modelos pesquisados ficaram dentro dessa média, como o Gordini, o Fusca, o Karmann Ghia e o Galaxie. Outros ficaram abaixo, como o Opala, o Puma e os modelos DKW-Vemag, os ‘lanterninhas’ em nossa pesquisa. O que não significa que não estejam despertando o interesse dos antigomobilistas. Pelo contrário, esses três últimos citados têm uma crescente legião de fãs.

Na outra ponta, dois modelos tiveram desempenho surpreendente: Maverick GT V8 — Em 2007 era possível comprar um ótimo exemplar na faixa dos R$ 42 mil. Hoje, o preço médio gira em torno de R$ 135 mil. Mas é possível encontrar exemplares a venda até por R$ 200 mil!

Dodge Charger R/T – O preço médio de R$ 39 mil há 10 anos, saltou para algo em torno de R$ 130 mil. Assim como o Maverick, é fácil encontrar por muito mais do que isso.

A explicação deve estar no fato de os colecionadores terem ‘descoberto’ nos últimos anos as versões esportivas dos nacionais dos anos 1970 e 80. Opala SS, Gol GT/GTS/GTI, Passat GTS Pointer, Kadett GSI, Escort XR3 são alguns exemplos dos mais cobiçados e consequentemente valorizados.

Mas o verdadeiro fenômeno brasileiro de valorização — sobretudo nos últimos dois anos — atende pelo nome de Kombi, cujo preço médio subiu de algo em torno de R$ 14 mil em 2007 para incríveis R$ 65 mil agora, sendo encontradas até por mais de R$ 100 mil (se vende, já é outra história…).

O motivo de todo esse repentino sucesso, já tivemos a oportunidade de contar aqui.

E tem ainda aquela que foi recentemente leiloada nos EUA pelo equivalente a 1 milhão de reais!

 

Pesquisa texto, ilustração e edição: Fernando Barenco

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