Coberturas

14º Encontro Nacional de Veículos Antigos de Barbacena, MG

Opala Gran Luxo, Ford Modelo A e a dupla Ward LaFrance e Jeep CJ5 nas alturas!

14º Encontro Nacional de Veículos Antigos de Barbacena, MG

De volta, com garra e simpatia

Segundo dia de evento que não acontecia havia 5 anos, foi prejudicado com a chegada de uma frente fria

A última edição havia acontecido em 2011. Desde então a Sociedade do Carro Antigo (SCAB) decidiu ‘dar um tempo’, por causa das dificuldades de patrocínio e da falta de apoio do Poder Público local — apesar de todo o sucesso que o tradicional Encontro Nacional de Veículos Antigos de Barbacena alcançou ao longo dos anos, levando turistas e consequentemente divisas para a cidade, movimentando o comércio, os restaurantes e a rede hoteleira.

Parte da turma da Sociedade do Carro Antigo de Barbacena
Parte da turma da Sociedade do Carro Antigo de Barbacena

Mas, atendendo aos apelos dos antigomobilistas mineiros e dos próprios associados da SCAB — que já estavam com saudades — o evento voltou a acontecer em 2016, nos dias 20 e 21 de agosto, no mesmo espaço de sempre: a bem estruturada e espaçosa sede da APEC, a conhecida Concessionária Volkswagen da região.

O primeiro dia do encontro — sábado, 21 — foi de sol e a APEC recebeu um bom número de veículos — tanto de antigomobilistas da própria Barbacena, quanto os que vieram de outras cidades mineiras e fluminenses. Chamou a atenção a qualidade de muitos dos carros em exposição, seja pela raridade do modelo, seja pela conservação,… ou por ambos os motivos.

Dupla da pesada: Ward LaFrance e Jeep CJ5
Dupla da pesada: Ward LaFrance e Jeep CJ5

Já quem passava pela rua em frente tinha a atenção despertada pela imagem do gigante caminhão militar Ward La France 1940, que levantava em seu guindaste um Jeep CJ5 (também na foto principal). Ambos pertencem ao antigomobilista Wagner Nascimento, de Barroso-MG, um apaixonado por caminhões, pick-ups e veículos 4X4.

Studebaker Commander e Buick Eight, ambos fabricados em 1950
Studebaker Commander e Buick Eight, ambos fabricados em 1950

Um dos sócios fundadores da SCAB, o colecionador Pedro Ladeira levou seu muito raro Buick 1950 Eight Sedanet, com câmbio automático Dynaflow, exclusivo dessa divisão da General Motors. Bem a seu lado, outro americano de uma marca que fez história: a hoje extinta Studebaker, mas que no passado incomodou bastante as chamadas ‘três gigantes’ (GM, Ford e Chrysler), por ter lançado antes delas os modelos do pós-Segunda Guerra Mundial, em 1947. O exemplar de Barbacena foi um Commander 1950 azul, com seu inconfundível ‘nariz de bala’.

Impalas e Kombis de uma eclética coleção
Impalas e Kombis de uma eclética coleção

O colecionador Cláudio Campos — que já foi tema de reportagem aqui no Portal Maxicar há cerca de 4 anos — levou à APEC grande parte de sua eclética coleção: os dois Chevrolets 1959 (Impala dourado e Bel Air Azul); as três Kombis (uma ‘corujinha’ 1975, Clipper 1994 e Last Edition 2014); os dois Opalas (Diplomatas 1988 e 1980, esse último ele acabou de comprar); Rural 1966; e Fiat 147 1979.
— Só faltaram as Lambrettas e as bicicletas. — ele comentou se divertindo.
Claúdio, a essa altura precisamos dar uma atualizada na reportagem sobre você, já que desde então sua frota cresceu bastante!

Outro que levou diversos carros foi o Júnior Pimentel ‘Karvolks’. São Dele o Opala azul 1972 e o Ford Modelo A 1929 da foto principal dessa reportagem. Além desses, Escort XR3 Conversível, Kombi, Impala e Ford LTD, sem falar na scooter moderna, mas em estilo retrô.

Luiz Fernando e seu Mercedes Benz personalizado
Luiz Fernando e seu Mercedes Benz personalizado. No detalhe o painel de instrumentos

Presidente do Veteran Car Clube de Juiz de Fora – MG, Luiz Fernando da Silva Bastos nos mostrou de perto seu Mercedes Benz 280 S, um clássico Sedan da marca alemã, fabricado em 1970, mas com várias modificações. A pintura é bi-color num chamativo tom laranja metálico com preto. Sob o capô um motor GM de 6 cilindros a álcool, doado por uma pick-up A20 dos anos 1980. O interior também é personalizado com painel que conta com inúmeros instrumentos, desde os básicos velocímetro, conta-giros e marcador de combustível, até os menos comuns que medem temperatura e pressão do óleo, vacuômetro, pressão do combustível e vacuômetro, num total de 17 instrumentos!

Vicente nos apresentou o curioso acessório de época para VWs sem marcador de combustível
Vicente nos apresentou o curioso acessório de época para VWs sem marcador de combustível

Bem menos tecnológico é o medidor de combustível que o colecionador Vicente Magalhães, de Conselheiro Lafaiete – MG garimpou no Sul do Brasil: o acessório de época desenvolvido exclusivamente para Fuscas  é uma prosaica régua de madeira com escalas que vão da ‘reserva’ (5 litros), até o tanque cheio (44 litros). Basta mergulhar no tanque na posição vertical e fazer a leitura. Era item de primeira necessidade, já que os VWs fabricados até 1961 não contavam com marcador de gasolina. Instrumento precioso para Vicente que tem um alemão fabricado em 1959.

José Nogueira: colecionador de Fordinhos
José Nogueira: colecionador de Fordinhos

Desculpe, mas temos que usar o clichê ‘impecável’, já que e é a palavra que melhor descreve o Ford Modelo A com carroceria Phaeton (o conversível de 4 portas) de José Nogueira de Castro Rosas Filho, de Belo Horizonte. Ele é admirador incondicional desse simpático americano fabricado somente entre 1928 e 1931. Além desse, possui outros 5, de diferentes versões, incluindo um Speedster amarelo que já se tornou famoso nos eventos do Sudeste.

Catarina e seu proprietário
Catarina e seu proprietário

Voltando à Kombi — esse Volkswagen que de repente tornou-se o nacional da moda e muito valorizado e procurado por colecionadores europeus — nem todos conhecem, mas existiu uma rara versão de Luxo de seis portas, destinada ao transporte de passageiros, hoje muito rara, como a ‘Catarina’, pertencente ao vendedor de peças para veículos antigos Carlos Garcia, de Lavras, MG.

O Fusca da APEC: exemplar nº 178/850 com míseros 19,8 km
O Fusca da APEC: exemplar nº 178/850 com míseros 19,8 km

Curiosamente, o número de Fuscas neste evento foi bem pequeno, comparado a outros encontros. No entanto, estava presente e em lugar de destaque o ‘dono da casa’: o Última Série 1986 pertencente à própria Concessionária APEC. O modelo marcou o fim da produção do Fusca no Brasil pela primeira vez (ele voltaria em 1993 a pedido do então Presidente Itamar Franco) e teve produção limitada a apenas 850 unidades, todas numeradas e com kit especial que incluía chaveiro banhado a ouro e fita VHS com a história do Fusca. Cada concessionária recebeu dois exemplares. A APEC preservou este na cor Bege Flash metálica. O odômetro marca meros 19 quilômetros rodados. 19 quilômetros e 800 metros, para ser mais exato!

O mini carro Crosley
O mini carro Crosley Crosmobile

Em meio a carrões como Chevrolet Fleetmaster 1946, DeSoto Sedan 1952 e Landau 1980, não passou despercebido um diminuto e fora do comum Crosley Crosmobile 1946. De acordo com a literatura da época, este americano pesa apenas 524 quilos e tem motor de 724 cm3. Fundada em 1939, em Ohio, a Crosley não resistiu ao gosto americano pelas ‘banheiras’ e encerrou suas atividades em 1952.

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Paulo Affonso e sua esposa Célia: viagem de estreia no Opala

O número de Opalas foi bastante expressivo, sobretudo pela participação do co-irmão clube Opaleiros de Barbacena, que levou diversos exemplares. Foi também a viagem de reestreia do 1974 Gran Luxo do antigomobilista Paulo Afonso Salvini, depois de um longo período no ‘estaleiro’. O carro fez uma viagem tranquila, desde de Petrópolis – RJ e foi muito elogiado pelos ‘opaleiros’ presentes, pela qualidade da restauração. 1974 foi o último ano de fabricação da versão Gran Luxo, que no ano seguinte seria substituída pela Comodoro como a top de linha do Opala.

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Chevrolets Hot Rods

Quem curte os hot rods pôde se admirar com exemplares muito bem projetados e executados, como uma dupla de Chevrolets modelos 1938 e 1940 — este último um Coupê com motor V8 350; Fordinho Modelo A Tudor 1929; Aero Willys ‘bolinha’ 1962 e Morris Oxford 1949.

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Com total intimidade com a Lambretta, Nicolas acelerou e depois a desligou

Nos encantamos com o ‘jovem’ Nicolas, de apenas 2 anos, que de capacete e a desenvoltura de um adulto fez uma demonstração de como acelerar e desligar a Lambretta 1961 de seu pai, Sandro Ladeira. Esse vai ser um antigomobilista na certa!

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Confratenização animada, com direito a ‘parabéns prá você’ e ‘voz & violão’

Na noite de sábado ‘rolou’ uma confraternização informal no Restaurante Espaço Avenida Gourmet, bem ali pertinho da APEC. A festa, que começou depois da vitória do Brasil sobre a Alemanha nas Olimpíadas Rio 2016, foi muito divertida e animada, com direito a festa de aniversário de Felipe Tafuri e ‘canja’ de viola do vice-presidente da SCAB, Ernandes Ramos.

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Choveu bastante na manhã de domingo, reduzindo a presença de expositores e público

Para domingo a expectativa era de casa cheia, como em anos anteriores. Mas uma frente fria se instalou na região e o dia amanheceu nublado e nuvens negras já anunciavam a chuva insistente que não tardaria a chegar. É claro que atrapalhou a festa! Afinal, qual o antigomobilista gosta de ver sua preciosidade na chuva?

   EXPOSIÇÃO      MOMENTOS & AMIGOS      CONFRATERNIZAÇÃO

 

Texto: Fernando Barenco
Fotos e edição: Fátima Barenco e Fernando Barenco

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