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XV Encontro AVA de Veículos Antigos – Juiz de Fora, MG

O pátio de eventos ficou absolutamente tomado pelo alegre colorido dos veículos antigos

XV Encontro AVA de Veículos Antigos – Juiz de Fora, MG

Superando a barreira dos 700 inscritos

Mais uma vez, o evento bateu seu próprio recorde de veículos participantes

Ano a ano o Encontro AVA de Veículos Antigos vem batendo seu recorde de veículos inscritos — entre automóveis, caminhões, ônibus e motocicletas. Os números não são os finais, mas por volta das 12 horas de domingo (3 de julho), já haviam sido contabilizadas 690 inscrições. A essa altura já faltavam itens do kit do evento (troféu de participação, certificado…). E os antigomobilistas não paravam de chegar. Acabou faltando espaço para acomodar a todos, apesar de a administração do Hiper Carrefour vir ampliando o espaço destinado ao evento nos últimos anos. Consequentemente, a quantidade de alimentos arredados também superou os anos anteriores. Faça a conta: 700 X 5 (kg de alimentos) = 3,5 toneladas. Número que pode ser ainda maior, e que representa uma ajuda enorme para as entidades que serão beneficiadas com eles.

O presidente da AVA-PS, Daniel Netto (e) e Roberto Suga, presidente da FBVA, seguram a faixa da entidade.
O presidente da AVA-PS, Daniel Netto(e) e Roberto Suga(d0), presidente da FBVA, seguram a faixa da entidade. Cerimônia contou também com a presença dos diretores regionais da FBVA e membros da AVA-PS e AVA-JF

Não à toa, este evento foi escolhido para o ato de filiação da Associação de Veículos Antigos de Paraíba do Sul — AVA-PS. É que a Associação de Veículos Antigos de Juiz de Fora — AVA-JF — é uma espécie de Madrinha de fundação do clube fluminense. A cerimônia contou com a presença do presidente da FBVA, Roberto Suga e dos diretores regionais da entidade, Augusto Mósca, Caio Mário Pereira e Francisco Esteves. Em seu breve discurso, o jovem presidente da AVA-PS, Daniel Netto, lembrou emocionado das dificuldades de se administrar um clube e do orgulho de conquistas como essas.

Excepcional presença de público nos dois dias de evento
Excepcional presença de público nos dois dias de evento

Sócio e grande incentivador e colaborador da AVA-JF, o empresário Geraldo Chapinoti nos apresentou dois membros de sua coleção que ainda não conhecíamos: uma Lambretta LD italiana fabricada em 1958 — que acaba de adquirir — e um Ford Fairlane 1959, que esteve na oficina por um longo período e que agora volta a participar dos eventos. O carro ainda original de fábrica e com o desgaste natural do tempo o que lhe dá muita dignidade, se juntou a outros belos exemplares do colecionador: Corvette 1977, Ford Thunderbird 1971 e Cadillacs 1967 e 1973.

Chapinoti e sua bela coleção de americanos
Chapinoti e sua bela coleção de americanos

E dois outros magníficos carros americanos debutaram no evento: o Lincoln Premiere e o Mercury Montclair Conversível, ambos produzidos em 1957 e pertencentes ao colecionador Gilvan, também da cidade. Um icônico Ford Modelo T de 1926 foi o carro mais antigo do evento este ano. Alguns exemplares do seu sucessor, o Modelo A, também estiveram por lá.

Acima Gilvan e seus belos exemplares dos anos 1950. Abaixo Fords Modelo T e A
Acima Gilvan e seus belos exemplares dos anos 1950. Abaixo Fords Modelo T e A

Este ano o Encontro AVA homenageou o nascimento da indústria automobilística brasileira, que teve seu início oficialmente em 1956. E foi possível ver um pouco de tudo o que foi fabricado no Brasil em termos de automóveis nesses 60 anos. Dos anos 1960, alguns modelos que já se tornaram bastante raros: Simca Chambord Tufão 1966, Gordini Teimoso 1966, Willys Itamaraty 1967 e Aero 1965, Karmann Ghias 1966 e 1969, inúmeros Fuscas e algumas Kombis.

Simca Chambord 1966 e Aero Willys 1965
Simca Chambord 1966 e Aero Willys 1965

Luiz Carlos Fortes Braga nos contou como adquiriu seu FNM 2000 ‘JK’ 1966, em meados dos anos 1990.

Já estava de olho no carro há algum tempo, mas por duas vezes o proprietário se recusou a vender. Um dia ele me procurou e disse que queria pelo FNM um VW Gol e com certas características. Coincidentemente eu tinha o carro do jeito que ele queria. Então fizemos a troca. — nos contou.

Luiz Carlos será homenageado em Petrópolis, RJ
Luiz Carlos será homenageado em Petrópolis, RJ

Luiz Carlos e seu ‘JK’ serão os homenageados do XXIV Encontro de Automóveis Antigos da Posse, que acontece no próximo dia 31, em Petrópolis – RJ

Cardoso viajou 120 km em seu Candango 1961
Cardoso viajou 120 km em seu Candango 1961

Por falar em Petrópolis, encontramos na manhã de domingo com Antonio Carlos Cardoso e seu DKW Candango 1961, que acabavam de chegar daquela cidade fluminense. Quisemos saber como é viajar 120 quilômetros a bordo de um veículo 4X4 conhecido por seu grande torque, mas também lentidão.

— Levei cerca de 3 horas para chegar até aqui, com velocidade máxima de 50, 60 km/h. O segredo é ter paciência e ir aproveitando o passeio. — ensina.

A maioria dos nacionais era das décadas de 1970 e 80, com aqueles modelos que fizeram grande sucesso como o Fusca (novamente ele!) e seus derivados: Variant, TL, Brasília, Kombi, VW 1600 (o popular “Fusca de 4 Portas” ou “Zé do Caixão”), TC e SP2.

Acima os VWs nacionais: Fuscas e Karmann Ghia TC. Abaixo os alemães Type 3 Squareback e Fastback
Acima os VWs nacionais: Fuscas e Karmann Ghia TC. Abaixo os alemães Type 3 Notchback e Fastback

Aqui fazemos um aparte nos nacionais para citar dois VWs também refrigerados a ar, mas fabricados na Alemanha. Estamos falando dos VW Type 3 com carros de duas de suas versões presentes em Juiz de Fora: um Notchback 1968 (equivalente ao nosso “Zé do Caixão”) e um Fastback 1970 (equivalente ao nosso TL). Dois modelos relativamente raros no Brasil e por isso difíceis de serem encontrados em par no mesmo evento. Havia ainda a versão alemã de nossa Variant, chamada de Squareback.

 

Amizade ao melhor estilo ‘Overhaulin’

Walter e seus amigos benfeitores
Walter (em pé, à esquerda) e seus amigos benfeitores

Lembra do programa Overhaulin, do Discovery Channel, onde o dono era enganado e tinha seu carro restaurado em tempo recorde? Pois bem, aconteceu algo do tipo em Juiz de Fora. Há três meses, José Walter Soares comprou um Fusca 1500 1972. Mas para sua tristeza, logo, logo o carro começou a apresentar problemas mecânicos e em seguida teve o motor totalmente travado, inclusive com a quebra de várias peças, como bielas e cabeçotes. Sem condições financeiras no momento para uma retífica, Walter estacionou o Fusca na porta de sua casa. Não tardou para tentarem rouba-lo. Só não conseguiram justamente porque ele não estava andando.

Enquanto isso, os amigos Felipe Silva, Bruno Gomes, Vinícius e Carlos Renato tramavam uma maneira de ajudar Walter, sem que ele soubesse. E o episódio do quase-roubo deu a eles a ideia de levarem o enfermo Volkswagen, com a desculpa de que seria guardado em um local mas seguro.

Mas o carro foi direto para a oficina, onde o motor foi retificado e teve todas peças danificadas substituídas. Aproveitaram também para fazer a manutenção da suspensão. Mas a lataria e pintura precisavam também de um trato. Então, mãos à obra: lanternagem e pintura novinha. Mas de que adianta motor, suspensão e pintura novos se o interior continua no bagaço? Então, trocaram os velhos bancos, por outros!

E acredite, os amigos de Walter fizeram tudo isso — sem que ele desconfiasse de nada — em apenas 12 dias, aprontando o carro há apenas 2 dias da data programada para a devolução, durante a XV Encontro AVA de Veículos Antigos.

Walter teve uma tremenda surpresa ao rever seu Fusca, agora com tudo novinho. Momento único de felicidade, graças à solidariedade e disposição de seus amigos.

 

O Landau que serviu João Paulo II no Brasil
O Landau que serviu João Paulo II no Brasil

Voltando ao Brasil, havia ainda diversos Opalas, Corceis e modelos da Família Galaxie. Desses últimos, o que chamou mais a atenção foi o Landau que foi usado pelo Papa João Paulo II em sua visita ao Brasil em 1980. Os bancos são de couro, há um apoio para os pés no assoalho, o radiador é maior, para evitar o risco de superaquecimento e na traseira há uma plaqueta de bronze identificando o carro.

Acima, três versões da Linha 147. Abaixo, as duas gerações do Charger R/T nacional
Acima, três versões da Linha 147. Abaixo, as duas gerações do Charger R/T nacional

Entre os Fiats, três modelos distintos da Linha 147: GLS 1979, 147C 1985 e o sedan Oggi de 1986. Todos perfeitamente conservados e absolutamente originais. Entre os Dodges, dois Chargers R/T da primeira geração e um da segunda. Os da primeira foram muito cultuados na época e continuam sendo até hoje, estando entre os nacionais mais valorizados. Já o Charger R/T da segunda geração, não fez muito sucesso, tendo sido produzido praticamente apenas em 1979. Seu estilo não agradou aos amantes de carros esportivos, já que ele perdeu as características faixas e outros detalhes como volante exclusivo e conta-giros. A venesiana sobre o vidro lateral traseiro e a pintura bicolor também não agradaram. Esse dois detalhes foram suprimidos em 1980, mas mesmo assim foram vendidos apenas 5 Chargers R/T naquele ano.

Em se tratando de automóveis curiosos, citamos três:

  • Buggy Duna – uma espécie de carro anfíbio criado no Nordeste especialmente para circular nas praias. Além de enfrentar as dunas com desenvoltura, podia circular em locais com água até a altura da ‘linha da cintura’, sem o risco de alagamentos. Pelo menos é o que diziam os impressos afixados no carro, que não conhecíamos.
Acima, o buggy anfíbio Duna. Abaixo, o Chevette Rat 1978
Acima, o buggy anfíbio Duna. Abaixo, o Chevette Rat 1979
  • Gurgel Super Mini – A diferença nesse é que o motor original foi substituído por um sistema elétrico. Projeto de seu proprietário, Hélio Moreira.
  • Chevette 1979 – Seu estilo ‘rat’ enferrujado, rebaixado e normalmente carregando um monte de objetos no bagageiro não chega a ser uma novidade, já que carros assim têm estado a cada dia mais presentes nos encontros de carros antigos. O grande barato do Chevettinho é uma frase em inglês pintada no capô: “This is not an abandoned vehicle!” (Este não é um veículo abandonado!). Uma advertência para qualquer autoridade que possa querer reboca-lo para o depósito mais próximo.
Ônibus, sempre presentes neste evento
Ônibus, sempre presentes neste evento

Não faltaram também os vários ônibus, caminhões e motocicletas, sempre presentes neste evento e que são sucesso absoluto de público. Público, aliás, que compareceu em peso, nos dois dias de evento. E foram muitos também os clubes de antigomobilismo representados, de inúmeras cidades do eixo Rio de Janeiro/Belo Horizonte.

Acima, momento da festa de confraternização. Abaixo, Celso Carvalho(e) e Guilherme Ramos: homenagem do Grupo AGMH - RJ a Jorge Borboleta(d)
Acima, momento da festa de confraternização. Abaixo, Celso Carvalho(e) e Guilherme Ramos: homenagem do Grupo AGMH – RJ a Jorge Borboleta(d)

Particularmente animada e prestigiada também este ano foi a festa de confraternização, que aconteceu na noite de sábado (2 de julho). A banda Omega 4, que tocou pela primeira vez no evento, agradou e não deixou ninguém parado, com repertório de hits nacionais e estrangeiros dos anos 1960 aos 90. Clima de confraternização total, com homenagens de alguns clubes à AVA-JF e a seu presidente, Jorge Levy “Borboleta”.

 

   EXPOSIÇÃO      PANORÂMICAS      MOMENTOS & AMIGOS

   FILIAÇÃO À FBVA      COQUETEL      FEIRA DE PEÇAS

 

Texto: Fernando Barenco
Fotos e edição: Fátima Barenco e Fernando Barenco

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