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ZACARIAS BALBI – Miura Clube Gaúcho e Antigos – RS

Orgulho de ser “miureiro”

Funcionário do consulado da Itália em Porto Alegre, com 57 anos, preside o Miura Clube Gaúcho & Antigos há 2 anos, desde a sua fundação. “União” é uma palavra que destaco em sua vida e na sua trajetória à frente do clube. Em suas palavras ele diz: “Somos uma família de antigomobilistas, minha esposa Sirlei e eu participamos sempre juntos dos mais variados encontros de carros antigos e outros eventos variados. Quando um dos dois não pode participar o outro sente-se incompleto; falta algo! Meu filho, José Augusto, também tem seus carros de época, é sócio do Miura Clube Gaúcho & Antigos e participa dos nossos eventos junto coma esposa Silmar. Até minha mãe, já viúva, com 82 anos, de tanto em tanto, se junta a nós. Minha filha, Sabrina, é uma admiradora dos miuras e antigos e nos ajuda nos bastidores, quando precisamos de algum reforço…” Esse mês tenho a imensa honra de conversar com o presidente Zacarias João Balbi



“Hoje podemos nos considerar um grupo bem atuante e respeitado no nosso meio”

1.gifEm primeiro lugar vamos conhecer o Miura Clube Gaúcho & Antigos.Como tudo começou? Que atividades realizam?

Não participamos somente de eventos de automóveis; somos um clube de casais que estão sempre presentes também em atividades sociais, culturais, gastronômicas, passeios, desfiles, danças….. e principalmente fazendo muitas parcerias com outros clubes antigomobilistas ou não.Zacarias – Tudo começou em 2010. Fundamos o Miura Clube Gaúcho & Antigos com a intenção de mostrar os nossos carros, gradativamente, para Porto Alegre, para o Rio Grande do Sul, para o Brasil e exterior. Todos nós, sócios fundadores, já fazíamos parte de um outro clube de Miuras desde 2003. Hoje contamos com cerca de 70 sócios, entre donos de Miuras e outros automóveis antigos.

Membros e amigos do Miura Clube Gaúcho & Antigos

 Quantos clubes já existem da marca pelo Brasil?

Zacarias – Atualmente existem 7 clubes ativos em todo o Brasil e muitos outros estão se formando com números mais discretos de miureiros. Nós também nascemos muito tímidos, mas com bastante “garra” e hoje podemos nos considerar um grupo bem atuante e respeitado no nosso meio.

Temos conhecimento de muitos miuras no exterior (Uruguai, Argentina, Bolívia, África do Sul, Portugal) todos em contato e participantes da nossa lista de emails.

  Como foi a sua trajetória no antigomobilismo até chegar a presidência do clube? Algum fato marcante que mereça destaque?

Hoje brincamos de carrinho para compensar o sonho que não foi realizado no passado

Zacarias – Fui influenciado pelo meu filho a participar de eventos com o meu Miura Sport 1979. Tudo começou em 2003. Ele participava com um opala 1972 e eu com o Miura. Com o passar dos encontros começaram a surgir outros miureiros com seus possantes e fundamos o Miura Clube RS no mesmo ano. Fui eleito presidente e até 2010 participei do grupo RS. No mesmo ano, por divergências de idéias, deixei o Clube RS e fundamos o Gaúcho, onde novamente fui eleito Presidente com um mandato de três anos.Com a fundação do clube atual modificamos algumas coisas que julgamos ter contribuído para uma maior união e integração entre os sócios. As mais marcantes são as seguintes:

– Nossas esposas também são sócias e votantes nas decisões do grupo;
– Somos Miura Clube Gaúcho & Antigos (clube multimarcas);
– Tudo é decidido através do voto dos sócios fundadores.
– Adotamos o sistema de parcerias com clubes Miura e de outras bandeiras.

  Como explicar de onde vem todo esse carisma de ser um “miureiro”? Fale um pouco sobre esse esportivo tão cobiçado nas décadas de 1970 e 80.

Zacarias – A minha história certamente não é muito diferente daquela dos outros miureiros. O Miura foi um sonho de consumo da minha juventude que não pode ser realizado devido ao custo de um carro desses zero quilometro naquela época. Era somente para autoridades, artistas, jogadores de futebol e outros personagens com um poder aquisitivo alto.

Hoje brincamos de carrinho para compensar o sonho que não foi realizado no passado. É isso que queremos dizer com o nosso slogan: “a diferença entre o homem e o menino é o tamanho do brinquedo”.

Os nossos carros ainda hoje tem linhas modernas. Naquela época, não existiam no Brasil carros esportivos importados, era bem mais fácil para os fabricantes competir somente com o mercado interno. Os colaboradores que trabalhavam para o Senhor Gobbi e Besson não faziam os Miuras somente pelo salário; era por paixão; era gente que gostava do que estava fazendo. Foi assim que surgiram as relíquias que ainda conservamos hoje.

O modelo Targa, numa propaganda da época

  Saga, Targa, X8, Spider… Uma das principais características do Miura é sua grande variedade de versões. Qual a sua versão preferida?

Zacarias – Eu gosto de todos os modelos. Cada um deles marcou a sua história e fez parte de um período da minha vida. Claro que a minha preferência é pelo
Miura Sport, que foi aquele que mais gostei e que depois adquiri para realizar o sonho do passado. Este carro me proporcionou conhecer muita gente do meio antigomobilista e a cada encontro faço novas amizades. Proporcionou a mim e a minha esposa conhecer outras cidades pois começamos em Porto Alegre, fomos para o interior do RS, fomos para outros Estados e para fora do Brasil.

  Vocês participam dos encontros no Uruguai. Como é essa integração do Miura Gaúcho & Antigos com a AMAAC (Asociación Amigos de los AutosAntiguos y Clasicos) do Uruguai?

Troféu da AMAAC em comemoração ao 2º aniversário do Miura Clube Gaúcho & Antigos

Zacarias – Tudo começou há cerca de 6 anos, desde o tempo do Miura Clube RS. Participamos de todos os encontros anuais realizados pela AMAAC. Num determinado ano estive em Melo 5 vezes; foi quando o Clube Uruguaio restaurou durante um ano um automóvel antigo que mais tarde seria doado ao Museu da cidade de Rio Branco. Participei de tudo como incentivador e fui agraciado no fim da restauração com o Troféu Quarto de Roda (somente 4 foram entregues) para dois brasileiros e dois uruguaios. Um deles tive a honra de receber. Os miureiros continuaram sempre prestigiando as atividades dos parceiros de Melo e encontro após encontro os laços iam cada vez mais se estreitando.

Mais tarde na inauguração da nova sede da AMAAC recebi o troféu “Chave da AMAAC”, junto com outras pessoas, dentre elas, o Prefeito de Melo. Somos bem recebidos pelos nossos parceiros uruguaios e tratados com muito carinho. Temos um casal representante do Miura Clube Gaúcho e Antigos em Melo: são os sócios Pablo e Silvia da AMAAC, que são nossos “ancoras” em terras uruguaias .

 Recentemente tivemos a alegria de receber a notícia sobre os primeiros Miuras com Placas Pretas. Gostaria que você nos falasse um pouco sobre isso.

A primeira placa preta para um Miura foi concedida em 2010 pelo Miura Clube do Rio de Janeiro

Zacarias – Este é um mérito do nosso grande parceiro Miura Clube do Rio de Janeiro – Projeto Placa Preta. Este nosso clube irmão está se destacando pelo seu trabalho sério e dedicado em prol dos Miuras e dos miureiros; ajudando nas restaurações dos “possantes”, identificação de peças especificas para cada carro… e finalmente, com vistoria muito criteriosa, a expedição da placa preta.

A equipe do Projeto Placa Preta é seguidamente agradecida pelos miureiros da minha lista que contam com a mesma para restaurar com originalidade seus carros.

  Miura é seu único xodó sobre rodas? Como os antigos começaram a fazer parte de sua vida?

Zacarias – O miura foi realmente o meu primeiro xodó, é o que mais gosto, já faz parte da família, jamais será vendido, mas não é o único, tenho outros antigos e gosto muito de todos eles. Comecei a participar dos encontros de carros antigos junto com meu filho José Augusto há cerca de 10 anos e fiz mais amigos neste período que em todo o resto da minha vida. Hoje eu não saberia mais passar os meus fins de semana sem o nosso clube, sem os outros parceiros e sem as atividades que temos pois elas estão fazendo parte das nossas vidas e tenho certeza que os nossos amigos associados pensam da mesma forma pois temos passado muitas festas juntos, tipo ano novo, carnaval, aniversários, passeios, confraternizações em geral, coisas que nada tem a ver com carros; somos uma grande família.

  Como você avalia o antigomobilismo no Brasil? Precisamos melhorar de alguma forma, alguma sugestão?

Zacarias ao lado da esposa Sirlei

Zacarias – Este é o momento do carro antigo no Brasil, nunca vi tantos encontros; algumas vezes é necessário dividir o nosso clube em dois e até três grupos para poder participar dos eventos num mesmo domingo. Colocamos nossos carros na rua, as pessoas apreciam e aqueles que tem algum carro parado no fundo do quintal são incentivadas a colocá-los a andar novamente.
Acredito que uma coisa que deveria mudar seria a diminuição da burocracia para documentar um carro antigo, pois existe uma grande diferença entre automóvel de época e carro velho e este é o único modo de trazer para a vida e não levar para os desmanches esta parte da nossa história.

     

    “Existe uma grande diferença entre automóvel de época e carro velho e este é o único modo de não levar para os desmanches esta parte da nossa história”

10.gifNossa entrevista está chegando ao fim e deixamos aqui com a palavra o amigo (ainda que só virtual) e presidente Zacarias Balbi,com quem tive o prazer desse bate papo. O espaço é todo seu….

Quero aproveitar para agradecer todos os casais nossos companheiros de encontros pois sem eles nada existiria. O Miura Clube Gaúcho & Antigos somos todos nós unidos.Zacarias – Nós do Miura Clube Gaúcho e Antigos queremos agradecer esta oportunidade de poder divulgar o nosso clube e o nosso trabalho e dividir com todos que nos lerem tudo o que fazemos e gostamos.

Obrigado miureiros do Gaúcho por me concederem esta chance de representar este pequeno grande grupo.

Saudações miureiras a todos.

Zacarias

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Fatima Barenco

Editora do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fatima@maxicar.com.br

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