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Pisca-alerta

Dessa vez não vou falar sobre automóveis antigos especificamente, mas sim sobre um assunto que diz respeito a todo mundo. A quem tem carro antigo ou moderno, e até mesmo a quem não tem carro: o trânsito.

Repare só! Parece que depois que o novo Código Nacional de Transito foi promulgado, com leis bem mais rigorosas, o caos se implantou de vez. É espantoso como antes, quando se comprava carteira de habilitação em qualquer esquina, o trânsito era muito mais tranqüilo e civilizado. Talvez seja porque ultimamente tenha uma verdadeira explosão na venda de automóveis, com financiamentos do tipo R$ 1,00 de entrada e o restante em 72 vezes. Isso acabou entupindo as ruas de automóveis e conseqüentemente de novos e inexperientes motoristas.

O que não liga a seta porque está falando no celular, já que é impossível segurar o volante, o celular e ao mesmo tempo acionar a seta. Aliás, alguns não ligam a seta jamais…

Mas eu não me refiro ao caos pelo excesso de carros e pelas barbeiragens (que também são muitas!), e sim pela tremenda falta de educação reinante. Num mundo cada vez mais individualista, desumanizado e competitivo, as pessoas estão levando essa cultura para trás dos volantes também.

Tem o camarada que no meio do engarrafamento, corta todo mundo pela contramão, contando com o otário que lá na frente acaba lhe dando a vez. Tem o que não respeita a preferência alheia no cruzamento. O que zig-zagueia na sua frente de uma faixa para outra, com o objetivo de levar vantagem (é claro!), sem ao menos se dar ao trabalho de ligar a seta. O que não liga a seta porque está falando no celular, já que é impossível segurar o volante, o celular e ao mesmo tempo acionar a seta. Aliás, alguns não ligam a seta jamais (nem em cruzamentos, nem para estacionar ou sair de uma vaga), talvez porque não tenham ainda descoberto para que ela serve.

Um capítulo a parte são os pedestres. Tem cidadão que se acha o rei do pedaço por causa da faixa. Tudo bem, que o motorista tem que respeitar o pedestre em qualquer situação, principalmente se ele estiver sobre a faixa de pedestres. Mas alguns se aproveitam da situação, simplesmente passeando calmamente sobre a faixa, como quem diz “aqui mando eu”. Só falta sentar no meio da rua. É super irritante!

Larga o carro no meio da calçada, lá está o pisca alerta ligado novamente! Estaciona na maior cara-de-pau na faixa de pedestres… adivinha? Pisca-alerta ligado!

Até mesmo as gentilezas estão virando coisas do passado. Hoje em dia as pessoas dificilmente dão a vez. Simplesmente ignoram os outros motoristas. E os poucos que ainda praticam esse gesto simpático acabam se decepcionando e fazendo de novo o papel do otário, já que o beneficiado quase sempre “esquece” de agradecer dando aquela buzinadinha ou simplesmente sorrindo. Não custa nada!

Mas o símbolo máximo dessa atual fase do nosso trânsito é o pisca-alerta. É incrível como esse equipamento acabou se transformando numa espécie de cúmplice dos motoristas mau-educados e que simplesmente “se acham”. O camarada pára em fila dupla (ou tripla), liga o pisca-alerta. Pára no meio da rua para dar um pulinho na farmácia (são só dois minutinhos!), liga o pisca-alerta. Larga o carro no meio da calçada, lá está o pisca alerta ligado novamente! Estaciona na maior cara-de-pau na faixa de pedestres… adivinha? Pisca-alerta ligado! Na estrada, vai cortando todo mundo pelo acostamento e o pisca-alerta fazendo com que imaginemos que se trata de alguma grande emergência.

O tal do pisca-alerta justifica qualquer coisa. A idéia do “esperto” é avisar: “Olha, to fazendo a maior M* do mundo, mas estou perdoado, porque lembrei de acionar o pisca-alerta”! Pisca-alerta virou na verdade (com licença da palavra!) o F*da-se!

Ele só esquece de ligar o desconfiômetro, que deveria se tornar um item obrigatório!

 

 

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Fernando Barenco

É editor do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fernando@maxicar.com.br

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