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Os carros antigos de 2057

Que a tecnologia muda em questão de meses, não é segredo para ninguém. O que é de ponta hoje já está obsoleto e, o que é pior, imprestável, em dois anos. E isso tem gerado um imenso volume do chamado “lixo tecnológico”.

Dia desses, fazendo uma arrumação em equipamentos de informática, joguei fora 2 computadores e 3 monitores de vídeo semi- novos. Foram para o lixo simplesmente porque a tecnologia mudou e as “placas” atuais não são mais compativeis com eles. E olha que nem eram equipamentos tão velhos assim.

Como encontrar a venda em 2065, por exemplo, um módulo de injeção eletrônica de um carro fabricado em 2015? Ou o sistema que comanda o câmbio “tiptrônic” de sua raridade fabricada em 2008?

Não que eu seja contra o avanço tecnológico, pelo contrário. Se não fosse a tal “modernidade” o Portal Maxicar, que você está acessando neste momento, não existiria e eu estaria atuando em outra atividade, sabe-se lá qual… Alías, nem mesmo você estaria aí, na frente do computador (que não existiria!) dando-me a honra de ler este artigo.

Não sou nenhum especialista em assuntos hi-tec! Estou só “viajando” um pouco. É que todas essas mudanças a jato têm me feito pensar em… carros!

Dizem que os automóveis de hoje são descartáveis. A lataria parece feita de papel e todo o restante é de plástico, comentam. Concordo que os carros de hoje sejam descartáveis, mas discordo dos motivos. Quando eu era criança, nos ínícios dos anos 1970, meu pai tinha um Dodge Dart que comprou de segunda mão. Em pouco tempo o carro ficou lotado de ferrugem, principalmente naqueles pontos críticos do modelo: paralamas, porta-malas, em volta dos vidros, caixas de ar, dentro das portas… Quem ainda hoje possui um desses carros, ou um Galaxie, por exemplo, sabe do que estou falando. Um primo ganhou de seu pai um Karmann-Ghia TC zero km. Em menos de dois anos foi necessário trocar a carroceria praticamente toda, por causa da ferrugem.

As latarias de hoje, apesar de muito mais finas (dá até pra amassar com a mão!) recebem um tratamento muito melhor das chapas. Preste atenção: se você não mora em cidade litorânea, dificilmente vai ver os carros de hoje enferrujados como os de antigamente.

Agora falando do plástico: é um dos materiais que mais tempo levam para se degradar na natureza. É bem possivel que o carro inteiro se desmanche ao longo dos anos, sobrando apenas o plástico.

A extrema simplicidade é o segredo da longevidade de um motor como o do Ford T
A extrema simplicidade é o segredo da longevidade de um motor como o do Ford T

Na minha opinião, os carros de hoje são descartáveis justamente por causa da alta tecnologia embarcada. Vamos comparar dois automóveis considerados antigos hoje, um fabricado em 1930 e outro em 1970. O que mudou? Basicamente nada! O design é bem diferente, a potência aumentou bastante, há mais itens de conforto, mais segurança. Mas a essência, o principio básico, é extamente o mesmo. Ambos são movidos a motores a explosão, usam o mesmo combustível e nenhuma eletrônica, ou computadores. E é exatamente esta simplicidade que fez com que ambos continuem existindo e funcionando até hoje. Sua manutenção ainda é possível!

Daqui para frente, cada vez mais os automóveis terão componentes eletrônicos e menos peças mecânicas. Como encontrar a venda em 2065, por exemplo, um módulo de injeção eletrônica de um carro fabricado em 2015? Ou o sistema que comanda o câmbio “tiptrônic” de sua raridade fabricada em 2008? Não vai adiantar recorrer àquele velho torneiro mecânico amigo seu!

Além disso, há outro agravante: a oxidação. Circuitos eletrônicos oxidam com imensa facilidade. Não vai adiantar essa história de carro guardadinho na garagem por anos a fio, cobertos e sobre cavaletes. A eletrônica certamente irá se deteriorar.

Sem falar na questão dos novos combustíveis. É bem provável que em poucos anos os automóveis não tenham nem sequer motores. Como preservar por anos e anos esses eletrodomésticos ambulantes, se hoje somos forçados a jogar fora, com dor no coração, aquele liquidificador novinho que não tem mais conserto?

 

 

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Fernando Barenco

É editor do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fernando@maxicar.com.br

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