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O Fusca no fundo do mar

O Fusca de concreto em tamanho natural realizado por Jason deCaíres Taylor já no fundo do mar

Uma estátua “ativa” na proteção da natureza marinha de Cancun

Montagem da instalação “Evolução Silenciosa”, a quantidade de estátuas em tamanho natural é impressionante

O artista internacional Jason deCaires Taylor lançou recentemente uma nova coleção de esculturas submarinas no Museu Subaquático de Arte (MUSA), intitulado “Que Hemos Hecho” (O que temos feito). Nas palavras do próprio Taylor, estas esculturas têm o objetivo de “explorar o significativo impacto que os seres humanos tiveram sobre os ecossistemas do nosso planeta e os efeitos subsequentes às gerações futuras.”

Taylor é o fundador e Diretor Artístico do MUSA em Cancun, no México, onde exibiu suas obras mais famosas, como “La Evolución Silenciosa”, um ambicioso projeto composto de 400 figuras em tamanho natural modeladas com base em pessoas reais do México e de todo o mundo.

Como um artista ambiental, esculturas submarinas de Taylor servem ao mesmo tempo como arte e ativismo ecológico. Sua coleção mais recente, “Que Hemos Hecho”, continua nessa linha. As três peças iniciais, “Inércia”, “Vacio” (vácuo), e “Hernacia”, estão localizadas em águas rasas do Parque Nacional Marinho, localizado na parte norte do estado mexicano de Quintana Roo, áreas severamente danificada por furacões e tempestades tropicais, onde o ecossistema está necessitando de regeneração.

Foto de satélite da região onde as estátuas foram instaladas

Estas esculturas são, em certo sentido funcional, recifes artificiais para ambas, as plantas e a vida marinha animal, para que elas as colonizem e habitem. Além disso, as esculturas de Taylor são feitas com materiais compatíveis com o meio ambiente, tais como concreto com pH neutro reforçado com vergalhões de fibra de vidro inerte especial.

Estátuas prontas aguardando o “afundamento” no Mar do Caribe

Taylor diz o seguinte de sua obra: “Eu estou tentando retratar como a intervenção humana ou a interação com a natureza podem ser positivas e sustentáveis, um ícone de como podemos viver em uma relação simbiótica com a natureza.” Para facilitar este efeito, os visitantes podem ver suas obras mergulhando com “snorkel” entre as esculturas ou fazendo um passeio em barco com fundo de vidro, de maneira que possam testemunhar a beleza representativa das esculturas de Taylor, bem como um ato de regeneração ecológica em andamento. Visando fazer o público repensar a sua relação com o meio ambiente e ser inspirado para tanto em relação à consciência crítica e cuidado ambiental, Taylor se colocou no mapa entre os principais artistas contemporâneos ambientais.

As esculturas serão alteradas na sua aparência ao longo do tempo, à medida que o coral cresce e a vida marinha se estabelece. O controle estético é abandonado à natureza, em forte manifestação física da mensagem por trás do trabalho intelectual. Com o avanço da tecnologia e do ambiente construído, parece que perdemos a nossa ligação intrínseca com a natureza. A manifestação de organismos vivos que coabitam e estão enraizados em nosso ser se destina a lembrar-nos da nossa estreita dependência da natureza e do respeito que se deve ter, definindo um papel integral no futuro do planeta.

Exemplo dos 3 estágios de uma das figuras de Jason deCaires Taylor: o modelo vivo, a estátua logo depois de instalada (todas são retratadas de olhos fechados) e a ação da natureza poucas semanas depois

Chamo a estátua do Fusca de “ativa”, pois, além de emprestar a sua superfície para a proliferação de corais, o seu interior foi preparado para servir de abrigo para peixes pequenos e filhotes, além de ter estruturas dedicadas à procriação de lagostas e outros crustáceos. Para tanto, o Fusca de concreto recebeu aberturas estrategicamente distribuídas para permitir a entrada e saída destes animais.

O procedimento de colocar a estátua de Fusca no fundo do mar foi uma manobra complexa. Algumas imagens deste procedimento podem ser vistas no vídeo abaixo:

Este empreendimento chamou e continua chamando a atenção da imprensa em todo o mundo. Existem mais de 1000 matérias sobre o parque de estátuas subaquáticas mexicano. Na matéria da National Geographic que se segue podemos ver um apanhado sobre a instalação que começa com o próprio Taylor dando acabamento no Fusca de concreto, um pouco antes dele ser afundado para sempre.

O ARTISTA

Jason deCaires Taylor é um homem de muitas identidades, cujo trabalho ressoa com as influências de sua vida eclética. Crescendo na Europa e na Ásia com seu pai inglês e mãe da Guiana nutriu sua paixão pela exploração e descoberta. Grande parte de sua infância foi passada nos recifes de coral da Malásia, onde desenvolveu um amor profundo pelo mar e um fascínio pelo mundo natural.

Isto, mais tarde, levou-o a passar vários anos trabalhando como instrutor de mergulho em várias partes do globo, desenvolvendo um forte interesse no naturalismo, conservação e fotografia subaquática. A ligação com o mar continua a ser uma constante durante toda a vida de Taylor embora outras influências principais sejam encontradas muito longe do oceano.

Durante sua adolescência, o trabalho como artista de graffiti disparou o seu interesse na relação entre arte e meio ambiente, promovendo a ambição de produzir arte em espaços públicos e direcionando o foco de sua educação artística formal. Ele se formou, em 1998, no Instituto de Artes de Londres, como Bacharel em Artes com Menção Honrosa em Escultura e Cerâmica.

Mais tarde, a experiência colhida na Catedral de Canterbury lhe ensinou técnicas tradicionais de escultura em pedra, enquanto cinco anos trabalhando em cenografia e instalações para concertos lhe deram experiência com guindastes, levantamento de peças, logística e projetos em grande escala. Foi com essa gama de experiências que ele desenvolveu as habilidades necessárias para executar os projetos subaquáticos ambiciosos que fizeram seu renome.

Esculpindo em cimento ao invés de pedra e supervisionando guindastes, em traje de mergulho completo para criar recifes artificiais submersos abaixo da superfície do mar do Caribe, as variadas vertentes da sua vida diversificada mesclaram-se convenientemente e agiram de um modo bem sucedido no desenvolvimento de suas esculturas submarinas. Estas obras públicas ambiciosas têm um aspecto prático e funcional, facilitando a interação positiva entre as pessoas e frágeis habitats submarinos.

Jason deCaires Taylor ganhou grande interesse público e reconhecimento por seu trabalho único, com artigos em mais de 1000 publicações ao redor do mundo, incluindo a National Geographic, Vogue, USA Today, Daily Telegraph e The Guardian. Suas esculturas foram motivo de programas e documentários na CNN,Discovery Channel, BBC, Metropolis Art Lounge e Thalassa.

Sua reputação internacional foi estabelecida em Maio de 2006, quando criou o primeiro parque subaquático do mundo em Granada, nas Antilhas, levando-o a empreendimentos tanto privados como públicos. Taylor é atualmente fundador e Diretor Artístico do Museu Subaquático de Arte (MUSA), em Cancun, no México.

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Alexander Gromow

Ex-Presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor do livro EU AMO FUSCA e compilador do livro EU AMO FUSCA II. Autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Participou do lançamento do Dia Nacional do Fusca e apresentou o projeto que motivou a aprovação do Dia Municipal do Fusca em São Paulo. Lançou o Dia Mundial do Fusca em Bad Camberg, na Alemanha. Historiador amador reconhecido a nível mundial e ativista de movimentos que visam à preservação do Fusca e de carros antigos em geral. Participou de vários programas de TV e rádio sobre o assunto. É palestrante sobre o assunto VW com ênfase para os resfriados a ar. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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