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ERVIN MORETTI — Fusca Clube do Brasil, SP

“É pelo ‘Amigomobilismo’ que nos pautamos dentro do Antigomobilismo”

Engenheiro Mecânico de profissão, com seus 61 anos, recém completados em 03 de março. Uma pessoa carismática. Aqui faço uma pausa, preciso dizer um casal carismático, ele e sua esposa Flavinha — como carinhosamente a chama — e que está sempre ao seu lado. É neste tom descontraído que ele mesmo nos conta um pouco de sua vida.

“Nasci em São Paulo, numa 4ª feira de Cinzas, no ano do 4º Centenário da Cidade de São Paulo. Cursei o Primário na tradicional escola Caetano de Campos, que na época ficava na Praça da República. Depois estudei no Mackenzie, até terminar as Faculdades de Engenharia e Administração. Tenho uma irmã 4 anos mais nova, que é a minha melhor amiga. Apesar de estar no 2° casamento, não tenho filhos por opção e então não sei com quem ficarão meus carros e a minha coleção de miniaturas (cerca de 1.000). Tive infância e adolescência bem felizes e tento utilizar e transmitir no meu dia a dia, tudo o que aprendi e recebi dos meus pais, que sempre me apoiaram e incentivaram em tudo que fiz. Aprendi a dirigir num Fusquinha do meu pai, que me dava aulas na Rodovia Castelo Branco, antes da inauguração! Além dos carros e das miniaturas, gosto de curtir a família e os amigos, de filmes e viagens. Sou simples e muito acessível e emociono-me muito facilmente. Tratar bem as outras pessoas, é o que existe de mais importante para mim. Este é o motivo do nosso Fusquinha ser chamado de Horácio, o pequeno dinossauro do Maurício de Sousa, que quer ter muitos amigos e tudo faz por eles.”

Este mês de março, tenho o grande o prazer de conversar com o nosso ‘amigomobilista’ e recém empossado presidente do Fusca Clube do Brasil, Ervin Moretti.

  Em primeiro lugar queremos conhecer a história do Fusca Clube do Brasil? Quantos membros possui? Sua diretoria, quem são os membros? Para quem quiser parte do Fusca Clube do Brasil, como deve proceder?

Ervin – Assumi a Presidência (Biênio 2015/2016) num momento muito especial: o Clube completa 30 anos em 2015 e estamos terminado as obras de uma nova Sede, que deverá ser entregue aos associados no aniversário do Clube, no mês de maio. Isto somente foi possível graças aos 650 sócios ativos (que não deixam de contribuir com as anuidades).
A atual Diretoria é composta por 6 sócios, alguns já antigos e outros mais recentes como eu. São eles: Alexandre (Vice), Wagner (Tesoureiro ), Luiz Kessler (Social), Gilson Peixe (Secretário) e Lemos (Técnico). É uma ótima equipe e estou aprendendo muito com todos.
É bem fácil ser sócio do nosso Clube: é só gostar de carros antigos e entrar em nosso site, onde estão todas as informações necessárias. A preferência é pela marca VW, é claro. Mas todos os(as) amantes de antigos são muito bem vindos.

www.fuscaclube.com.br/novosite/

Tel.: (11) 3207-1950
fuscaclube@fuscaclube.com.br

  Que atividades o Fusca Clube do Brasil realiza?

    E quero deixar registrado que o Fusca Clube do Brasil, tem dois recordes no Guinness Book, quando reunimos 1.528 carros Volkswagen em 1994 e 2.728 Fuscas e automóveis Volkswagen em 1995.”

Ervin – Temos várias atividades destinadas aos sócios e suas famílias. Não queremos tirar os fãs do Fusca de seus familiares, mas sim que todos participem juntos. Temos as reuniões mensais, todos os últimos sábados dos meses, na Sede da ASSOBRAV – Associação Brasileira dos Distribuidores Volkswagen – uma grande parceira, que nos cede o seu estacionamento. Nesta reuniões, realizamos anualmente, a Festa do Sorvete, a Festa Junina, a Festa do Panetone e outras.

Durante o ano, organizamos vários ‘Pé na Estrada’, como chamamos os passeios em que vamos em comboio, a um local perto de São Paulo (Santos, Jaguariúna, Cotia, São Roque, Campinas, Santa Isabel e outros). Os associados e amigos vão com seus carros e famílias e passamos o dia juntos.

Temos também o Encontro da Independência, organizado no Quartel do Comando da Região Sudeste, nio Ibirapuera.

Evento em homenagem ao Dia Nacional do Fusca de 2015

Organizamos há 26 anos, o Dia Nacional do Fusca, que foi uma iniciativa da Volkswagen do Brasil e o Fusca Clube. Neste ano reuniu 1.600 veículos, no Shopping São Bernardo Plaza. O DNF espalhou-se pelo Brasil e várias cidades hoje comemoram esta data.

E o mais aguardado evento que fazemos, é o Passeio em Interlagos, que acontece há mais de 20 anos. Reservado somente para os sócios, que tem a oportunidade de dirigirem seus próprios carros na mesma pista que consagrou Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna, Bird Clemente, Nelson Piquet e tantos outros pilotos não menos importantes.

Imagens do sempre muito aguardado passeio no Autódromo de Interlagos, SP

E quero deixar registrado que o Fusca Clube do Brasil, tem dois recordes no Guinness Book, quando reunimos 1.528 carros Volkswagen em 1994 e 2.728 Fuscas e automóveis Volkswagen em 1995. Os dois recordes foram obtidos no Autódromo de Interlagos.

  Como foi a sua trajetória no Antigomobilismo até chegar à presidência do clube?

Ervin – Tenho apenas 9 anos neste meio. Quando comprei o Horácio, descobri este mundo e que até existia um clube de Fuscas, ao qual filiei-me imediatamente. Muito timidamente fui nas reuniões mensais sem o carro, pois achava que não estava à altura dos demais. Ao mesmo tempo descobrimos que haviam encontros de carros antigos na Estação da Luz e eventos por todo o Brasil. A Flávia e eu começamos participar bastante de todos os encontros, passeios e reuniões e naturalmente fomos conhecendo muita gente. Temos boa permeabilidade entre muitos Clubes de carros antigos, das diversas marcas e cidades. Em 2008 ocupei o cargo de Diretor Social e depois fui para o Conselho onde procurei participar indiretamente, mas sempre me fiz presente. Creio que, pela minha maneira de pensar e agir, no ano passado fui convidado a ocupar a Presidência. Desde então, vim preparando-me para isso pois como disse acima, é um momento especial para o Fusca Clube e espero corresponder às expectativas de todos, dentro e fora do nosso Clube.

  4.gifFusca é paixão nacional (e mundial!). O que esse carrinho tem de tão especial?

Ervin – É uma ótima pergunta e é quase impossível respondê-la com poucas palavras. Desde 1939, quando foi apresentado ao público, houve poucas mudanças estéticas ou mecânicas, o que é único no mundo. A facilidade de manutenção e a robustez, num tempo em que as estradas (quando existiam) eram péssimas, aliadas a um desenho que lembra um bichinho que poderia ser de estimação, fizeram que o Fusca fosse considerado alguém da família e não um simples meio de transporte. Creio que também a possibilidade de personalizá-lo com a cara do dono contribuiu bastante e ele foi deixando a sua marca nas diversas gerações, em vários países e por motivos muito diferentes, mas que o consagraram. Podemos ver isto no famoso e inesquecível filme do Walt Disney, no qual o Herbie conquistou a todos, mesmo frente a frente com diversas marcas famosas e consagradas.

 Nos encontros ouvimos muitas histórias do quanto significa determinada marca de carro para uma pessoa, das lembranças de infância e de muitas outras recordações. De onde vem sua paixão pelos carros Antigos e qual o seu xodó sobre rodas? Acho que foi uma pergunta difícil, já que corro o risco de alguém ficar com ciúmes… Horácio, Cascão ou Mônica? Agora explica quem são eles?

Ervin – Você tem razão nos dois pontos: a paixão vem da infância e é uma pergunta difícil. Aos sete anos ganhei do papai, um trenzinho elétrico da ATMA (quem se lembra?). Meu pai era muito caprichoso e habilidoso e construiu uma pequena cidade. Com a ferrovia atravessando-a, com ruas e avenidas onde colocou algumas miniaturas que havia presenteado-me. Além do trenzinho, apaixonei-me pelas miniaturas, entre as quais tinha um Fusquinha azul. O nosso carro era um Fusca 1957 e então começou a relação que dura até hoje. Cursei a engenharia mecânica devido ao meu carinho e admiração pelos carros e o meu primeiro carro foi um Fusca 1978, que tirei num consórcio, quando terminei a faculdade.

À esquerda, Horácio, Ervin e Flávia em uma das edições anuais do evento Classic Fusca, em Tiradentes, MG. À direita, o autógrafo de Maurício de Souza no porta-luva do Horácio

Apesar do nosso xodó ser sem dúvida o Horácio, o nosso Fusquinha 1974, pois foi com ele que tudo começou, meio contra a nossa vontade, a família aumentou com o Cascão e a Mônica, ambos tão queridos quanto o Horácio. Vou tentar explicar: sempre fui fã do Horácio, da Turma da Monica, porque identifico-me muito com ele. Atencioso, amigo, preocupado com os outros, tem alguns devaneios importantes e por vezes, um tanto tímido. Eu já conheci o Horácio (o Fusca) há muito tempo, pois era de uma vizinha e a cor sempre chamou a minha atenção. Era a mesma do Horácio! Assim quando o compramos, ele já tinha um nome. Este nome o fez ficar (e a mim também) muito conhecido no meio do carro antigo, que até me confundem com ele, chamando-me de Horácio. A simbiose do carro com o personagem é tanta, que ele até mereceu o autógrafo do Maurício de Sousa.

O Cascão, um Escort GL 1985, marrom escuro, nos apareceu num Encontro em Santos, de um amigo também colecionador. Mas estava com algumas manchas que pareciam se sujeira. Apesar de terem sido removidas, a ligação com a Turma da Mônica já estava feita e o nome também pegou.

Acima Mônica, a Kombi e ao lado Cascão, o Escort

E a vontade de ter uma Kombi na família, começou a tomar forma, depois do Concurso que a MAXICAR promoveu em parceria com a Editora Alaúde, que perguntava qual carro (e porque) dos livros publicados pela Alaúde, o leitor gostaria de ter em sua garagem. Eu escrevi que seria uma Kombi, porque além da Flávia ter aprendido a dirigir numa Kombi, o Horácio não ficaria com ciúmes, pois seria uma “menina”. Fiquei em 2º lugar no concurso e ganhei um livro com a história da Kombi. Logo depois nos ofereceram uma Kombi 1973, vermelho Montana. Além da Mônica usar um vestido vermelho, ela é meio gorduchinha (que ela não nos ouça) como a Kombi e então o nome foi imediato. E os três se dão muito bem.

 Agora vamos falar da Flávia sua esposa, uma companheira inseparável. Nos fale sobre essa união tão saudável de família e carros antigos.

E a vontade de ter uma Kombi na família, começou a tomar forma, depois do Concurso que a MAXICAR promoveu em parceria com a Editora Alaúde, que perguntava qual carro o leitor gostaria de ter em sua garagem.”

Ervin – A Flavinha, como todos carinhosamente a tratam, é realmente especial. Foi uma paixão não correspondida que tive na adolescência e que, após 20 anos sem contato, retornou a minha vida. Já maduros, iniciamos uma relação que já dura outros 20 anos e que acreditamos ser definitiva. Foi a Flávia que me incentivou a comprar o Horácio, pois também gosta de carros e respeita a minha paixão. Ela assumiu ser a “mãe” do Horácio, sempre se veste de verde nos encontros que participamos, além de me dar todo o apoio que preciso, com Presidente do Fusca Clube. Também assumiu o papel de Primeira Dama!!!

  Qual a sua visão do antigomobilismo no Brasil?

Ervin – É um movimento irreversível, que tem contribuído bastante para a preservação da história e memória da Indústria Automobilística, tanto a Brasileira com a Mundial. Os carros importados também trazem lembranças de outros tempos, quando não havia ainda a indústria nacional. Os carros antigos brasileiros não somente trazem recordações, como fizeram parte do desenvolvimento do Brasil. Podemos ver carros antigos, nacionais ou não, nas fotos que retratam a evolução e as transformações da sociedade brasileira.

Homenagem prestada pela Federação Brasileira de Veículos Antigos ao casal Ervin e Flávia, em 2014

O importante é que o Antigomobilismo não se prenda a exibição de carros antigos e clássicos, mas que possa promover a integração e união, entre as pessoas. Fico muito contente quando vejo jovens participando dos eventos, pois estão em um bom ambiente e não lidando com drogas e outras situações desagradáveis e perigosas.

E é com alegria que vejo que este sempre foi e ainda é o pensamento da FBVA – Federação Brasileira de Veículos Antigos.

  Temos visto que os carros nacionais estão cada vez mais sendo valorizados nos encontros. Um exemplo recente, foi o Clássicos do Brasil que aconteceu em janeiro desse ano, em São Paulo. Qual a sua opinião sobre o assunto?

    O Horácio é o símbolo do Amigomobilismo e então criamos o Prêmio “AMIGOS DO HORÁCIO”, com o qual agradecemos e reconhecemos o trabalho dos “Amigomobilistas” que estamos conhecendo no nosso dia a dia dos carros antigos.

Ervin – Com a entrada no meio do carro antigo, de pessoas mais jovens que não acompanharam os carrões importados, é natural que se prendam e tragam recordações dos carros de suas infâncias, que já eram nacionais. Um dos grandes méritos do Clássicos Brasil foi o de mostrar que os veículos nacionais também são colecionáveis e merecem a nossa atenção. E que foram produzidos carros de qualidade que contam a nossa história, seja pela cor, pelo modelo ou pelo uso. Todas as marcas tem o que contar.

9.gifTem sido cada vez maior a participação dos chamados “novos clássicos” nos encontros. São os automóveis fabricados nos anos 1980, 90 e até 2000. Como dirigente de clube de automóveis antigos como você vê a participação desses veículos mais modernos? Como por exemplo o Monza, o Escort e os Volkswagens da família Gol, carros que vem aparecendo cada vez mais nos eventos e que possuem já os seus clubes.

Ervin – Um Clube de carros antigos é, antes de tudo, um divulgador das marcas dos veículos dos seus associados. No caso dos carros antigos nacionais, é muito comum que os proprietários dos “novos clássicos”, como você bem colocou, utilizem no seu dia a dia, um veículo moderno da mesma marca do seu antigo. É o meu caso, que tenho um Fox. A confiança em ter um Clássico e viajar com ele (eu já fui até Araxá com o Horácio), é transferida para os carros atuais produzidos pela mesma marca do seu antigo.

Dou meu total apoio aos Clubes dos Novos Clássicos e com tranquilidade digo que são nossos Clubes Irmãos, pois gostam da mesma marca que nós, no caso dos Clubes dos diversos modelos da Volkswagen.

 Nossa entrevista está chegando ao fim e deixamos aqui com a palavra o grande “AMIGOMOBILISTA” e presidente Ervin Moretti, a quem agradeço imensamente pela grande colaboração ao nosso Portal Maxicar e a todos que nos prestigiam com suas visitas, para que possam conhecer um pouco mais sobre os clubes de carros antigos brasileiros. O espaço é todo seu!

Ervin – Somente posso agradecer ao Portal MAXICAR, criado e dirigido por dois grandes Amigomobilistas. É uma honra fazer parte da Galeria de Presidentes de Clubes de Carros Antigos que, como eu, tiveram o grande prazer de ser entrevistados por você.

Agradeço também por encerrar a entrevista chamando-me de “Amigomobilista”, palavra que criei aqui mesmo no Portal MAXICAR. E é bem oportuno terminar com esta palavra, pois é pelo Amigomobilismo que a Flavinha e eu nos pautamos dentro do Antigomobilismo. O Horácio é o símbolo do Amigomobilismo e então criamos o Prêmio “AMIGOS DO HORÁCIO”, com o qual agradecemos e reconhecemos o trabalho dos “Amigomobilistas” que estamos conhecendo no nosso dia a dia dos carros antigos.

Parabéns pelo Portal e agradeço a amizade e carinho que sempre recebemos de vocês.

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Fatima Barenco

Editora do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fatima@maxicar.com.br

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