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Cuba: ilha de Fidel é museu a céu aberto

Chevrolets, Fords, Cadillacs, Dodges, Buicks… o turista  que chega a Havana tem a impressão de estar mergulhando numa cidade americana dos anos 50. Uma verdadeira viagem no tempo!

Cuba possui a maior frota de automóveis clássicos americanos dos anos de 20 a 50 (até 1958, mais precisamente) fora dos Estados Unidos. Estima-se que são 50 mil automóveis, alguns em ótimo estado, outros caindo aos pedaços. Mais há uma pequena diferença: enquanto nos Estados Unidos as preciosidades estão guardadas nas garagens de colecionadores, em Cuba elas circulam diariamente pelas ruas, a maioria delas sendo utilizada como táxis clandestinos, uma forma que os cubanos encontraram para engordar um pouco a renda com os dólares deixados pelos turistas, já que o salário pago pelo regime socialista anda a cada dia mais baixo.

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Na década de 50 Cuba era comandada pelo General Fulgêncio Batista que, apoiado pelo governo dos Estados Unidos, governava a ilha com mão de ferro. A máfia, os jogos de azar e a prostituição imperavam. No reveillon de 1959, as tropas revolucionárias lideradas por Fidel Castro, Che Guevara e companhia, apoiadas pela população, derrubam o governo Batista e implantam dois anos depois o regime socialista. Os americanos são expulsos do país e, em represália, o governo americano decreta o embargo econômico a Cuba, proibindo inclusive que outros países comercializassem com a ilha caribenha. O embargo dura até hoje!

A partir de então, o governo cubano alia-se à União Soviética e ao bloco socialista do Leste Europeu e passa a comercializar somente com esses países, inclusive automóveis. Ladas e Volgas viraram figurinha fácil!

Os cubanos tiveram que se encher de criatividade para manter funcionando os carros americanos, já que não havia mais as peças de reposição vindas de Detroit. Há quase 50 anos, o improviso é a palavra de ordem. A falta de itens originais obriga os cubanos a usar a imaginação e a habilidade na hora de recondicionar um carburador, repor um friso, trocar um vidro (já vi a fotos de um carro com madeira pintada na cor da carroceria, no lugar do vidro traseiro!) ou fazer a manutenção dos freios. Os imaginativos cubanos descobriram, por exemplo, que a mistura de detergente com óleo de cozinha é um excelente fluído de freios.

Hoje, a grande maioria dos carros cubanos não roda mais com a mecânica original. A escassez de gasolina e o alto valor do produto fizeram com que grande parte dos carros passasse a ter seus motores trocados por outros a diesel.

Após quase 50 anos de improvisação, os cubanos estão aos poucos perdendo a referência original dos modelos, já que os carros já estão passando de pai para filho. Em nome da preservação e da originalidade, grupos de colecionadores americanos estão ignorando o embargo econômico e discretamente enviando à Cuba alguns componentes, sobretudo material técnico, manuais, guias de mecânica e manutenção e catálogos de cores. Mas há que quem desconfie que o interesse dos americanos seja na verdade a compra dos carros a preço de banana quando o fim do embargo chegar.

 

 

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Fernando Barenco

É editor do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fernando@maxicar.com.br

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