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ANTÔNIO AUGUSTO GERALDINI – Clube do Fordinho. São Paulo, SP

“O trabalho e a responsabilidade são enormes.  Só não são maiores que meu amor pelo Clube”

Ele é natural de São Bernardo do Campo-SP, empresário no ramo imobiliário e de transportes. Casado há 36 anos com Marina Rossi Geraldini, tem dois filhos: Arthur, 30 anos e Karen, com 25 anos. A sua paixão pela família é marcante como ele mesmo ressalta: “Somos uma família feliz e muito unida, pois tivemos a sorte de poder transmitir para nossos filhos, valores éticos e morais, os quais vêem norteando nossas vidas. A Família Geraldini é de origem Italiana e gostamos de preservar muitas das tradições de nossos antepassados, quer seja na cultura, gastronomia, religião e até na manutenção de uma infinidade de palavras e frases oriundas da Terra de nossos avós”.
Falando de seu clube ele diz: “Consideramos nossa Sede como uma extensão de nossas casas. Lá estamos sempre à vontade e adoramos promover festas, almoços e jantares”. Retornando com as nossas entrevistas, tenho a grande honra de conversar com o novo amigo Antônio Augusto Geraldine, que há 3 anos preside o Clube do Fordinho de São Paulo.

     

    “Em poucos meses, o pequeno grupo de amigos começou a transformar a vaga esperança em alegre realidade.”

 1.gifVamos conhecer o Clube do Fordinho. Gostaríamos que nos contasse um pouco de seus 40 anos de existência? Seus objetivos? Quantos membros possui?

 Geraldini – O Clube do Fordinho foi fundado pela Família Perracini (Renato e Ney) no início dos anos 70, para evitar o desaparecimento dos Fordinhos, criados pela Ford americana entre os anos de 1928 e 1931 e que estavam sendo abandonados em quintais ou esquartejados em desmanches.

Henry e Edsel Ford: os “culpados” de tudo

Em sua 1ª reunião, o Clube contava com menos de 10 membros, porém, estas pessoas tinham o firme propósito de salvar os Fordinhos, promovendo sua restauração, preservando sua cultura e unindo os proprietários e suas famílias em torno desta fantástica criação de Henry Ford e seu filho Edsel.
Em poucos meses, o pequeno grupo de amigos começou a transformar a vaga esperança em alegre realidade. Com farta divulgação pela imprensa, o Fordinho foi colocado no centro das atenções, pois o grupo promovia encontros, desfiles, passeios e pic-nics com seus associados, conseguindo assim novos adeptos, que foram restaurando seus carros, para fazerem parte deste movimento.

Os sócios se multiplicavam de maneira espantosa, vindos da Capital, interior de São Paulo e até de outros estados. Todos com o mesmo ideal, só que agora, impulsionados pelo Clube, que lhes transmitia o animo necessário e o suporte técnico para que seus carros fossem resgatados e valorizados.

Nestes 40 anos de realizações, muitas diretorias passaram pelo Clube e, de uma forma ou de outra, deram continuidade à idéia original, sempre trabalhando para reunir mais pessoas em torno dos Fordinhos.

Festa dos 40 anos de fundação do clube. No detalhe, o troféu comemorativo

Nosso Clube conta hoje com mais de 500 sócios ativos, espalhados por 137 cidades, em 20 estados da Federação. Seu diferencial é o tratamento familiar que existe entre seus membros e o dinamismo de mantê-los sempre em movimento, com uma intensa programação de passeios e viagens, pelo Brasil e até fora dele.

  Faça um balanço de sua atuação à frente da presidência e nos fale o que considera como a maior dificuldade para se manter um clube.

Ao lado do amigo e fundador do clube Renato Perracini

Geraldini – Associei-me ao Clube em 11/8/1999 e, quis o destino que me torna-se um de seus diretores no ano seguinte, ao lado daquele que viria a se tornar um de meus melhores amigos, Mateus Polizel, que presidiu o Clube até o ano de 2009.

Após alguns meses de trabalho em conjunto em prol do Clube, que não se encontrava em suas melhores condições, percebemos que nossos objetivos eram os mesmos e nossos métodos de trabalho eram semelhantes. Em nome de nossa amizade, creio poder afirmar que, juntos nestes últimos 12 anos, tivemos a honra de alavancar este Clube a patamares invejáveis no cenário antigomobilista nacional.

Nunca nos preocupamos com títulos ou cargos. Colocamos os objetivos do Clube sempre à frente de nossos interesses. Costumo dizer que nosso Clube tem 2 Presidentes!

No ano 2.000, o Clube tinha apenas 120 sócios, uma sede social necessitando de reformas e grandes problemas administrativos e políticos. Mateus assumiu a Presidência e eu assumi a Tesouraria. Junto com mais 3 amigos, resolvemos colocar a casa em ordem. Começamos pela área social e administrativa, corrigindo erros e vícios passados e tornando nossas ações públicas e transparentes. O Clube readquiriu a confiança e a presença dos sócios, o que nos moveu a remodelar e ampliar as instalações de nossa sede para o conforto dos mesmos.

Confraternização na sede do clube

Com a chegada de centenas de novos sócios, reformulamos os Estatutos, conseguimos nossa homologação no Denatran para concedermos as Placas Pretas, criamos nosso site, que hoje muito nos orgulha com suas 70.000 visitas por mês e continuamos o incentivo às boas restaurações e à criação de novos passeios e encontros para mantermos os Fordinhos nas estradas e os amigos unidos.

A única dificuldade para se manter um Clube como o nosso, que já alcançou sua maioridade, é a disponibilidade de tempo, ou seja, ele te absorve de uma maneira quase que integral. Ele rouba tempo de seu trabalho, de seu lazer e de sua família.

A esposa Marina e os filhos, Arthur e Karen

  Lendo no site do Clube do Fordinho a “Palavra do Presidente” um trecho me chamou a atenção: “Pessoas que eram sisudas e tímidas ou nervosas e melancólicas, passaram a ter uma qualidade de vida superior ao fazerem parte de nossa ‘ grande família’”. A que você atribui essa mudança? Será que foram contaminadas pelo famoso “vírus da ferrugem”?

Geraldini – A maioria dos sócios que passaram por esta mudança, já estavam “inoculados” com o vírus da ferrugem, ou seja, já eram colecionadores. A grande reviravolta em suas vidas aconteceu após alguns meses de convivência em nossa sede e, principalmente, após terem participado de algumas viagens com os Fordinhos.

Na sede, a grande mudança é a presença constante de nossos familiares, porque muitos pensavam que Clube de carros antigos era lugar de homens, palavrões e bebedeiras. Ao se depararem com as senhoras, jovens e crianças, num ambiente sadio, respeitoso e alegre, eles também trazem seus familiares ao nosso convívio.

Na estrada, eles passam pela rotina dos novatos, que é a falta de confiança no carro, a timidez e o medo de quebrar na estrada e ficar para traz. No Clube do Fordinho isto não acontece, pois os novatos são muito bem instruídos e incentivados pelos veteranos, que “cuidam” deles o tempo todo. Caso um Fordinho pare no acostamento, logo em seguida os amigos já estarão à sua volta, oferecendo sua ajuda no diagnóstico do problema e sua solução.

Alegria e bom humor estão sempre à bordo de nossos Fordinhos. Não há problema ou tristeza que resista aos nossos “malucos de plantão”. Deixamos os “adultos” em casa e nos transformamos em um “bando de adoráveis crianças”. Dois ou três passeios já são suficientes para os novatos dizerem: “Quanto tempo perdi na vida!”

Passeio anual a Campos do Jordão, SP

  Em uma das célebres frases de Henry Ford ele diz: “Reunir-se é um começo, permanecer juntos é um progresso e trabalhar juntos é sucesso”. Essa foi a receita usada para o sucesso do clube?

 

    Caso um Fordinho pare no acostamento, logo em seguida os amigos já estarão à sua volta, oferecendo sua ajuda no diagnóstico do problema e sua solução.

Geraldini – Incontestavelmente, pois foi exatamente o que fizemos para impulsionar o Clube e leva-lo mais uma vez ao sucesso. Particularmente, admiro outra das inúmeras frases de Henry Ford, aquela que diz: “Ninguém pode construir uma reputação com base no que ainda vai fazer”. Talvez seja por isso que trabalho no mínimo 5 horas por dia para o Clube.

  Não podemos deixar de falar sobre a tão polêmica Placa Preta. Carros com placas irregulares, uma grande corrida para se livrar da inspeção veicular. Será que o seu objetivo maior que é o orgulho de se possuir um carro com alto índice de originalidade está morrendo? Gostaria de ouvir a sua opinião sobre o assunto.

Geraldini – A Placa Preta foi criada com objetivos claros e veio para premiar os carros bem restaurados e conservados, além de impedir que os mesmos tivessem que sofrer alterações em sua originalidade, devido às exigências do Código de Transito Brasileiro. Ocorre que, como todas as leis em nosso país, em pouco tempo verificou-se a necessidade de atualizar as Portarias 56 e 127, que instituíram a Placa Preta.. Não existem normas para as vistorias e expedição do Certificado de Originalidade. Cada Clube homologado faz sua própria planilha de pontuação e isto proporciona uma enorme variação no conceito do que é originalidade e conservação.

Concedida pelo Contran aos Clubes, a Placa Preta foi literalmente abandonada pelas autoridades. O Clube do Fordinho já fez varias solicitações por escrito, demonstrando as falhas e apontando as melhorias possíveis na lei, porém, até hoje não obtivemos nenhuma resposta.

Evento em São Bernarddo Campo, no ABC Paulista

Quanto aos proprietários que querem a Placa Preta, tão somente para se livrarem da Inspeção Veicular; nada podemos fazer. Se eles se associam ao Clube e seus carros estão dentro dos padrões; como não conceder o Certificado? Teremos de conviver com os dois tipos de associados: aqueles que são realmente colecionadores e restauradores e que participam da vida do Clube e aqueles que apenas se utilizam deste “ serviço “ em prol de sua comodidade.

  Vamos falar um pouco sobre o antigomobilismo em sua vida. Como e quando surgiu sua paixão pelos carros antigos? O que representa o Fordinho em sua vida? Um momento marcante a bordo dele.

Geraldini – Certo dia, quando contava com meus 12 ou 13 anos de idade, meu saudoso e estimado pai, levou para nossa casa um carro antigo, que um amigo estava lhe oferecendo. Era um Fordinho! Uma Pick-up com carroceria de madeira de 1928 ou 29. Este carro ficou em nossa casa por uma semana e para meu espanto, meu pai me colocou ao volante e, nem sei como, dirigi aquele Fordinho pelas ruas da cidade por diversas vezes.

Meu pai não fechou o negócio e o carro foi devolvido. Mas, já era tarde! Fui contaminado sem saber e o vírus ficou incubado por 8 anos. Aos 22 anos comprei meu 1º carro antigo, um Ford Coupe 1947. Daí em diante, creio que a história é semelhante à de todos os colecionadores. Vamos comprando e restaurando até não termos mais espaço.

Somente quando já tinha uns 7 carros antigos é que conheci o Clube do Fordinho. Uma vez filiado, procurei e achei um Fordinho, que não estava lá em muito bom estado, mas pretendia restaura-lo para acompanhar os amigos nas viagens. Nestes últimos 12 anos, o Clube transformou minha vida. Abandonei hobbies como aquariofilia, fotografia, astronomia, modelismo e outros, para vivenciar o dia-a-dia do Clube, seus componentes, seus eventos, suas viagens… sua vida!

Vestidas a caráter, em São Luiz do Paraitinga

Momentos marcantes à bordo do Fordinho, devo ter um baú repleto para contar; mas gosto sempre de falar sobre minha 1ª viagem com ele, acompanhado de minha esposa e meus dois filhos. Saímos de São Paulo em comboio de mais de 15 carros, quando logo percebi que meu Fordinho estava “dançando” na pista. Meus amigos estavam atentos e preocupados, tanto que me convenceram a deixar meus filhos seguirem viagem em outro carro. A muito custo e esforço, consegui chegar ao destino, onde almoçamos e logo a seguir já estávamos na pista para a volta. O Fordinho estava cada vez pior. O problema era na suspensão e na caixa de direção. Fui “toreando” o carro e tentando mantê-lo na pista por mais de 30 kms, quando finalmente ele deu uma violenta guinada para a esquerda e deu o famoso “cavalo de pau”, rodando na pista e ficando parado no acostamento da Via Dutra, na contra-mão!

Só não desisti de andar com o Fordinho, porque sabia que a culpa era minha, de não ter feito a manutenção devida no carro recém-adquirido.

  Eventos: esse é um assunto bem amplo, já que são inúmeras as atividades do clube. Entre elas as que são realizadas na sede, a participação no encontro mensal do Parque da Luz, viagens, entre outros… Fale sobre essas atividades e o que está sendo preparado para este ano?

Participação no encontro mensal da Estação da Luz, em São Paulo

Geraldini – Consideramos nossa Sede como uma extensão de nossas casas. Lá estamos sempre à vontade e adoramos promover festas, almoços e jantares. Na maioria das vezes, os próprios sócios é que as realizam de acordo com suas especialidades. Há quem prepare Feijoadas, Paellas, Peixadas, Bacalhoadas, etc. Mas, o nosso maior prazer é viajar. È pegar estradas e rodar 200, 400 , 800,ou 2.000 kms. Isto é o que diverte nossa turma. Os novatos começam com passeios de 80 ou 100 kms e logo se arriscam aos mais longos.

Para os próximos meses, estamos preparando viagens para Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, Santana de Parnaíba, Boituva, Ubatuba, Poços de Caldas, Ibiúna, além de diversas carreatas por São Paulo. Participaremos também dos eventos em Águas de Lindóia, Águas de São Pedro e muitos outros.

  O Clube do Fordinho é um dos mais antigos do Brasil, fundado em uma época em que pouquíssimas pessoas e entidades se dedicavam a esse hobby. Hoje, o antigomobilismo virou uma espécie de moda. Como você o avalia no Brasil atualmente?

Geraldini – Não considero o antigomobilismo como um movimento apenas “da moda”. Ele veio para ficar e tem muito espaço para crescer. Nunca na história, tivemos tantos Clubes de carros antigos organizados como hoje. Eles estão espalhados por todo o Brasil e, às vezes, disputam espaço nas mesmas Cidades. O calendário de eventos em nosso site aponta entre 6 a 10 eventos por fim de semana. Isto vem demonstrar que o brasileiro é um apaixonado por carros antigos.

No Sambródomo do Anhembi, em São Paulo, no evento que acontece sempre às terças-feiras, à noite

    O antigomobilismo no Brasil merece todo o nosso respeito, pois os organizadores de eventos estão se aprimorando cada vez mais, trazendo para o público verdadeiros shows.”

Nesta última década, a paixão pelos carros nacionais aumentou exponencialmente, recolocando-os no mercado e nos encontros. O antigomobilismo no Brasil merece todo o nosso respeito, pois os organizadores de eventos estão se aprimorando cada vez mais, trazendo para o público verdadeiros shows.

  Como fazer parte desta família do Clube Fordinho?

Com a esposa Marina

Geraldini – As portas de nossa casa estão sempre abertas a todos aqueles que são apaixonados por carros antigos, especialmente pelos Fordinhos. Todos que se interessam por preservar a memória e a cultura do carro antigo, por restaura-los e para utiliza-los para seu entretenimento, encontrarão lugar em nossa “grande Família”. Basta visitar-nos em nossas reuniões às quartas-feiras à noite ou navegar em nosso site www.clubedofordinho.com.br, onde encontrarão todas as facilidades para se filiar.

  Nossa entrevista está chegando ao fim e deixamos aqui com a palavra o amigo e presidente Antônio Augusto Geraldini, com quem tive a honra de conversar, para que deixe uma mensagem aos antigomobilistas que prestigiam o Portal Maxicar. E agradeço por podermos mostrar a cada mês um pouco mais sobre os clubes de carros antigos no Brasil.

Geraldini – Agradeço com sinceridade aos amigos do Portal Maxicar pelo espaço aberto aos presidentes de clubes de carros antigos, onde podemos explanar nossos problemas e nossas conquistas e tentar passar aos amigos um pouco dos bastidores da administração e condução destas entidades.

Não posso deixar de citar a importância crucial de minha esposa Marina, que me auxilia sobremaneira nas tarefas do Clube do Fordinho, como minha Diretora-Financeira; nas viagens, como companheira constante; na condução de nosso lar, como medianeira e na minha vida, como um porto seguro ao qual sempre retorno após as tempestades.

Aos nossos associados, afirmo que o trabalho e a responsabilidade à frente do Clube do Fordinho são enormes. Só não são maiores que minha dedicação e meu amor pelo Clube.

 

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Fatima Barenco

Editora do Portal Maxicar. Emails para essa coluna: fatima@maxicar.com.br

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