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Uma paixão que cresce com a idade

Mateus descreve com orgulho e em detalhes a Kombi "clipper" 1977 de Luxo, comprada zero km por seu avô

PERFIL

Uma paixão que cresce com a idade

Hoje com 14 anos, o mineiro Mateus curte carros antigos desde os cinco

Mateus Mendonça Dias Pereira já é um nosso “velho” amigo, apesar de ter apenas 14 anos. O conhecemos há uns cinco anos, na época em que começamos a fazer as coberturas dos encontros de automóveis antigos lá pras bandas de Minas Gerais. Bem pequeno, ia acompanhando os pais, Caio Mário e Mychelle, como acontece com a maioria dos filhos dos antigomobilistas Brasil afora. Mas não demorou a percebemos que o caso de Mateus era diferente. Não comparecia apenas porque tinha que acompanhar os pais num programa que a maioria das crianças com certeza acha até chato. E quando crescem um pouco acabam arranjando um jeito de não ir mais. Essa é que é a verdade!

Mateus, quando o fotografamos em 2010, em Barbacena. Como cresceu em dois anos!

Mateus gosta mesmo desse negócio de “carro velho”! E fizemos essa constatação quando cobríamos a edição 2010 do encontro anual de Barbacena. Nessa época, ele tinha 12 anos e o encontramos dando aquela limpeza na Kombi 1977 de Luxo comprada zero quilômetro por seu avô e agora nas mãos de seus pais. Essa azul e branca, que ilustra a matéria. Ao tirar uma foto dele fazendo o trabalho, recebemos em troca uma verdadeira aula sobre o carro.
— Essa Kombi é muito pouco rodada, é original de fábrica e tem manual. É do modelo Luxo, de duas cores e toda forrada por dentro. Muito rara, olha só! — nos explicou.

Um ano depois, o encontramos novamente. Dessa vez no encontro anual de Congonhas. Não estava lá como mero expectador, mas trabalhando com seriedade, ajudando a organizar os automóveis que iam chegando, cuidando dos cordões de isolamento, para que o público não ultrapassasse a área reservada.

Mas o interesse do hoje adolescente de Conselheiro Lafaiete – MG por carros antigos começou bem antes disso, quando ele tinha apenas uns 5 anos. Foi nessa época que seu pai começou a frequentar os eventos e comprou o Opala preto que acabou se tornando o xodó da família, já que foi o primeiro automóvel antigo adquirido.
Eu já estudava em horário integral, como hoje, e saia da escola às 5 e meia da tarde. E pedia a meu pai para ir com ele à oficina para ver como estava indo a restauração do carro. Quando ficou pronto, começamos a fazer passeios curtos, nos finais de semana, aqui em Lafaiete mesmo. Com o tempo, fomos pegando mais confiança e viajando com ele, como é até hoje. Por isso, ele é o carro que tenho mais amor. Ele foi o início de tudo. Se não fosse por ele, acho que talvez hoje eu não fosse assim, apaixonado por carros antigos. E é um carro raro, porque é 1973 de Luxo, com motor de seis cilindros e com câmbio na coluna.

Família reunida: Caio, Mychelle, Mateus e o Opala de Luxo 1973, o começo de tudo

Além do Opala e da Kombi, já citados, a família tem ainda uma Caravan e uma Rural. E o gosto do pai por carros nacionais influenciou o jovem, que também tem predileção por eles.
— Curto também os carros americanos e ingleses. Mas eu gosto mesmo é dos carros nacionais familiares, principalmente Landau, Opala e pick-up Ford F100 — nos contou o garoto que, ao contrário do que era de se esperar, não liga muito para os esportivos como Maverick GT, Opala SS, Puma… Segundo ele, os modelos mais familiares são melhores para viajar, por terem quatro portas e mais conforto.

Flagrado em 2010, no encontro anual de Congonhas, ajudando a organizar a exposição

Até gosta de hot rods, mas prefere os originais. Acha legal fazer um hot quando o carro está mesmo acabado, ou quando se usa como carroceria uma réplica de fibra de vidro. Citou como exemplo de belos hots, os de Curitiba-PR.

Mateus é do tipo que gosta de pesquisar sobre o assunto, na internet, nas revistas — principalmente a Classic Show, da qual é assinante —, nos próprios manuais de proprietário e nas conversas com os companheiros do meio antigomobilista, que via de regra são os adultos, amigos de seu pai, que acabaram se tornando seus também. É muito querido e conhecido! E o diálogo transcorre sempre de igual para igual. Conhece o básico de mecânica para não ficar a pé numa estrada — graças também o que aprendeu com o pai de vê-lo mexer nos carros —, e bastante a respeito dos modelos, versões, anos, etc…

Curiosamente, Mateus ainda não sabe dirigir. Mas muito observador, sabe de cor e salteado toda a teoria, de tanto observar seu pai nas viagens que fazem para participar dos eventos.
— O máximo que já fiz foi acelerar o carro na garagem, para não morrer.
Acha que deve esperar chegar aos 18 anos para isso — o que é o correto! — e fazer aulas na alto escola, para só depois experimentar um dos antigos do pai.
— Já pensou se pego um carro antigo e jogo no barranco? O prejuízo que ia ser?

Depois que aprender a dirigir, se formar, começar a trabalhar e ter sua própria família, o jovem pretende ter sua própria coleção e não ficar “na asa” do pai. A primeira aquisição vai ser um Landau ou um Opala, é claro! Pretende também seguir os passos do pai como sócio do clube que ele hoje preside, o Clube de Autos Antigos Rota Real. E quem sabe, ele mesmo um dia vir a ser o presidente da entidade. Segundo ele, é muito importante a existência dos clubes para o fortalecimento do antigomobilismo e do interesse das pessoas pelos carros antigos, que cresce a cada dia.

Sobre os encontros, Mateus tem uma crítica:
— Acho que deveriam fazer uma avaliação e só permitir a participação de carros em melhor estado e também de carros com pelo menos 20 anos de fabricação. Senão não é encontro de carro antigo!
Opinião de quem tem experiência no assunto, apesar da tenra idade!

Reportagem: Fernando Barenco
Fotos: Portal Maxicar e álbum de família

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