Conteúdo Repórter Maxicar

‘Teje’ preso!

O Fusca 1969 possui todos os detalhes de uma viatura da época, inclusive sirene e Rádio PX, que funcionam. Na foto, luz e sirene ainda não haviam sido instaladas

PERSONALIZAÇÃO

‘Teje’ preso!

Colecionador do interior de São Paulo cria réplica perfeita de Fusca Rádiopatrulha dos anos 1960

O Fusca já foi bastante utilizado como viatura das policias estaduais no Brasil. Tanto pela Civil quanto pela Militar e também pelo Corpo de Bombeiros. Apelidadas de “Patrulhinhas” começaram na “vida pública” na década de 1960 e permaneceram em serviço há até poucos anos na maioria dos estados.

No Rio, ainda restam alguns Fuscas da geração “Itamar” (1993-1996) em serviço. Já que o Governo Estadual na época adquiriu um enorme lote deles. Pintados de azul e branco, os da Polícia Militar receberam dos cariocas o carinhoso apelido de “Joaninha” — uma alusão àquela espécie de besouro bem pequeno e cheio de pintas sobre o carapaça. Essas viaturas remanescentes foram inclusive recentemente restauradas.

Um comercial do início dos anos 1960 produzido pela própria Volkswagen, vangloriava-se ao mostrar que o Estado de São Paulo adorava os VWs como radiopatrulhas, por sua agilidade no trânsito, resistência, versatilidade e facilidade de estacionamento.

Sócio do Clube de Autos Antigos de Taubaté – SP (CAAT), o antigomobilista Sérgio Garcia sonhava fazer uma réplica perfeita das antigas radiopatrulhas da Polícia Civil. Procurou manter segredo sobre o assunto já que nunca havia visto uma nos encontros de automóveis antigos que frequentava e queria ter o primeiro veículo do tipo nas cores preto e branco. Em suas pesquisas na internet, a única replica que encontrou foi uma nas cores laranja e preto (Polícia Militar de São Paulo), em exposição em Santos – SP.

O ponto de partida do projeto foi o Fusca bege 1969 que Sérgio mantinha em sua garagem, em Pindamonhangaba. O carro, que havia sido salvo do desmanche, possuía boa estrutura, mas estava com muitos itens não originais e necessitava ser restaurado antes de virar “Patrulhinha”. O trabalho começou pela parte mecânica: motor, freios, suspensão, caixa de direção… Começaria em breve a parte de funilaria.

A referência para o projeto foi essa velha foto encontrada na internet

Foi então que Sérgio foi informado por César, seu mecânico, que um vizinho estava vendendo um 1300 1968 branco, inteiramente original e muito bem conservado. Ele então concluiu que este seria o carro certo para o projeto. Pechincha daqui, pechincha dali, leva o filhão Ricardo para ajudar na negociação e, bingo! – negócio fechado.

O colecionador passou então a pesquisar na internet imagens de época dos Fuscas Radiopatrulha. A única que encontrou no Google foi essa ao lado, em que o carro aparece de perfil e com um policial portando uma pistola. Ao fundo, estacionado, o que parece ser um Willys Itamarati.

O “envelopamento” não deu bom resultado…

Inicialmente, pensou-se em “envelopar” com material adesivo as partes que seriam da cor preta e deu-se início aos trabalhos. Nas superfícies planas, correu tudo bem, entretanto, nos locais arredondados, como nos para lamas, por exemplo, o resultado não foi satisfatório.

O objetivo inicial era que o carro ficasse pronto a tempo de ser apresentado no 2º Encontro de Fuscas & Cia., no dia 24 de fevereiro, em Taubaté. Mas a data da “estreia” teve que ser adiada, por causa desse imprevisto.

O 68 foi então encaminhado para a Oficina do Alexandre, que providenciaria a convencional pintura bicolor. O carro foi inteiramente lixado e pintado de Branco Pérola e Preto Cadillac. Sérgio documentou todo o processo, através de fotos.
Preparamos uma brincadeira para Presidente do CAAT, Aldo Fusco. Ele foi informado sobre a aquisição de um carro 1968, inédito, e que ele seria apresentado em breve. Porém, em razão de ‘segredo de estado’, não poderiam ser revelados maiores detalhes por enquanto. O zeloso ‘maestro’, teve a curiosidade aguçada, tentou algumas vezes desvendar o mistério e nada. Seu ultimato: “Está bem! Pela expectativa apresentada, se não for ao menos um Rolls-Royce, não aceitarei. Não me venha com mais um Fusca!”. — conta Sérgio Garcia.

…então optou-se pelo processo convencional de lixamento e pintura

A meta agora era mostrar o VW Patrulha pela primeira vez no XII Encontro de Veículos Antigos de Jacareí, em 21 de abril. O prazo mais uma vez foi “estourado”, devido às dificuldades envolvidas num projeto como esse.

Chegada a hora de aplicar os adesivos

Depois da pintura, foi a vez do funcionário João fazer o lixamento e polimento da carroceria. Chegou então a vez da recolocação dos vidros e da instalação da perfeita réplica de sirene, feita pelo Alberto. Cláudia e a equipe da Art House se encarregaram da criação e aplicação dos adesivos na carroceria. Trabalho perfeito! Não faltou nem mesmo a instalação de um rádio PX, como os da Polícia Civil.

Após os últimos cuidados na César Automotive, a nova “patrulhinha” estava finalmente pronta para sua viagem de estréia, que aconteceu no dia 12 de abril. Os cerca de 20 quilômetros do percurso de Pindamonhangaba a Taubaté foram cumpridos com muita admiração por onde o veículo passava. Chegou a causar certo espanto ao cruzar com uma viatura “de verdade” da Polícia Militar. Em Taubaté, o Fusca foi levado para a SE Veículos, de propriedade do presidente Aldo, para que ele conhecesse de perto o “Rolls-Royce” misterioso.

A apresentação oficial ao grande público aconteceu dois dias depois, quando o Fusca Patrulha participou de um desfile cívico em Caçapava, em comemoração ao aniversário da cidade, sendo conduzido pelo próprio presidente Aldo, em companhia de sua esposa. Silvia.

A estreia oficial, durante desfile de aniversário da vizinha Caçapava

Sérgio faz questão de destacar, que o veículo encontra-se rigorosamente dentro das especificações legais, sendo registrado na CIRETRAN de Pindamonhangaba sob o nº 010137626859, com a especificação no Certificado de Registro de Veículo na categoria “FANTASIA”.

Texto: Fernando Barenco
Fotos: Sérgio Garcia
Video: CAAT

 

Comentários do Facebook

Novidades dos Classificados