Conteúdo Repórter Maxicar

“O fazendeiro que gostava de carros”

LITERATURA

“O fazendeiro que gostava de carros”

Livro conta a vida de Rino malzoni, o projetista que tem em seu currículo o Puma e outros esportivos de fama

O título dessa resenha é também o título do primeiro capitulo do livro. Bastante adequado. Rino Malzoni não apenas gostava de carros. Gostava também de modifica-los. Pensava que sempre havia algo a ser melhorado. Segundo contam seus contemporâneos, nem mesmo um esportivo inglês Austin A90 Atlantic Conversível comprado zerinho na década de 1950 resistiu à sua criatividade. Saiu da concessionária direto para uma oficina de sua confiança para fazer algumas modificações da dianteira. O mesmo destino teve uma Maserati Coupê comprada de Eduardo Matarazzo.

Assim era Genaro Domenico Nuncio Malzoni, o italiano que chegou ao Brasil com apenas 5 anos, para se transformar em Rino Malzoni, o criador de modelos esportivos que encantaram toda uma geração de brasileiros e que hoje são peças raras e cultuadas nas garagens e nos corações de colecionadores daqui e de outros países também.

A Alaúde — atualmente uma das principais editoras brasileiras de livros da linha automotiva — acaba de lançar “Rino Malzoni — uma vida para o automóvel”, de autoria do jornalista Jorge Meditsch.

O livro mostra que foi da Fazenda Chimbó, em Matão – SP, que saíram suas primeiras e mais importantes criações. A primeira incursão foi um protótipo batizado de GT DKW-Vemag, em 1962. No ano seguinte a primeira versão do Malzoni GT, um 2+2 que utilizava o chassi inteiro do Belcar. Em 1963 o primeiro Malzoni GT de corrida, o Nº 10, ainda com carroceria de aço, pilotado por Mário César de Camargo Filho, o Marinho. Dessa experiência, veio o convite da Equipe DKW-Vemag de Competições, sob o comando de Jorge Lettri, para o desenvolvimento de um modelo mais leve e que tivesse condições de levar a equipe a competir em igualdade de condições com as demais. O sucesso veio rapidamente. Pilotados por ases como Marinho, Chico Lameirão e Anísio Campos, os Malzonis — agora fabricados com carrocerias em fibra de vidro — passaram a incomodar, e muito, os adversários.

Ao lado da esposa Anita e do filho Kiko, Rino apresenta a “versão de rua” do Malzoni GT durante o Salão do automóvel de 1964

Com as vitórias nas pistas, veio a fama e ideia de se desenvolver uma versão “de rua” do Malzoni GT. Daí surgiu a Lumimari, com sede na Avenida Presidente Wilson, na Capital Paulista. Com a chegada de Lettri à empresa, veio a rebatismo para Puma Veículos e Motores S.A. Nascia também o Puma DKW, uma versão mais sofisticada do GT, criação de Anísio Campos em parceria com Malzoni.

Com a compra da DKW-Vemag pela Volkswagen em 1967, a produção do Puma teve que ser encerrada apenas um ano depois, por falta de chassis e mecânica.

Que trio! Os Malzonis de Marinho, Lameirão e Anísio recebem a bandeirada em prova de Interlagos-SP em 1965

De volta à Fazenda Chimbó, o perserverante Rino apresentou nove meses depois, sua mais nova criação. O novo Puma — agora com chassi e mecânica Volkswagen — foi o mais bem sucedido projeto de criação de um automóvel esportivo no Brasil em sua época, com a produção de mais de 23 mil veículos das mais variadas versões e a exportação para cerca de cinqüenta países.

E ninguém duvida que o sucesso do Puma incentivou a criação de outros esportivos nacionais de êxito como Miura, Bianco, MP Lafer, Santa Matilde e Dardo, entre outros.

Carcará — o primeiro recordista brasileiro de velocidade; GT 4R — o exclusivíssimo esportivo criado sob encomenda da revista 4 Rodas para um sorteio; FNM Onça — projeto encomendado pela estatal, mas cuja produção não chegou a dez exemplares; e o Passat Malzoni — a última criação de Rino; também tem suas histórias contadas no livro.

A esquerda, o primeiro Puma VW, com carroceria de metal e ainda sem os parachoques. A direita, projetando o Carcará

Há ainda os depoimentos de diversos amigos ilustres da época, como os pilotos Bird Clemente, Marinho e Jan Balder e do mecânico da Equipe DKW-Vemag Miguel Crispim. Um capitulo especial fala sobre a criação do “novo” GT Malzoni, um projeto assinado por Kiko Malzoni — filho de Rino — que nasceu “meio por acaso” na década de 1970 e que acabou fazendo um grande sucesso.

Com 158 páginas coloridas, a obra traz inúmeras fotos de época e é um tributo à criação de um apaixonado a quem a indústria automobilística brasileira tem uma dívida de gratidão.

Agradecemos a Kiko Malzoni, que gentilmente nos presenteou com um exemplar do livro.

Rino Malzoni — uma vida para o automóvel
158 páginas Formato 22,5 X x 30 cm – Capa dura com sobrecapa
www.alaude.com.br

O Autor

Jorge Meditsch é natural de Porto Alegre, RS, mas mudou-se para São Paulo em 1982 para iniciar sua carreira como jornalista. Trabalhou para importantes veículos como Veja, Cláudia, Placar,Exame e Época, mas sua principal atuação tem sido da área de automobilismo: cobriu a Fórmula Indy quando foi correspondente da Agência Estado nos Estados Unidos, e editou o site de automobilismo da mesma instituição. Além disso foi editor da revista OKm e colunista da revista Autoesporte — ambas da Editora Globo — e coordenador do programa Autoesporte, da Rede Globo. Em 1999 criou a JBVM Serviços Editoriais, uma empresa que se dedica ao mercado automotivo. Desde 2003, também coordena o site autoestrada.uol.com.br/.

 

Comentários do Facebook

Novidades dos Classificados