Conteúdo Roda de Amigos

MARINHO “DKW 10” — Depois de quatro décadas, um eterno ídolo das pistas

MÁRIO CÉSAR DE CAMARGO FILHO, O MARINHO — Depois de quatro décadas, um eterno ídolo das pistas

Olhando de cima de meus 74 anos, me pergunto: o que as corridas me proporcionaram? Será que o automobilismo me ajudou na vida?”

Com esses questionamentos, Mário César de Camargo Filho — o Marinho, para o grande público brasileiro admirador das corridas — começa o texto de apresentação do “Calendário Corridas Brasileiras 2012”, editado pela Mahle Metal Leve anualmente.
Genuino herói das pistas, num tempo em que automobilismo era esporte praticado “na marra”, sem recursos técnicos, sem segurança, patrocínios ou altos salários, Marinho é um simbolo da DKW-Vemag, — primeira equipe brasileira oficial de uma fábrica — pilotando quase que invariavelmente os bólidos de número 10. Uma era em que as corridas mobilizaram multidões de espectadores, seja aos autódromos ou às provas de rua.
Para essa “Roda de Amigos” convidamos 20 “craques”, entre contemporâneos das pistas, pessoas ligadas ao automobilismo atual, jornalistas e amigos-fãs.
Quanto às suas perguntas, Marinho, transcritas no ínício dessa apresentação, talvez elas devessem ser reformuladas:
O que proporcionei às corridas? Será que ajudei o automobilismo? Quanto às respostas, não há nenhuma sombra de dúvida!


Bird Clemente – Ex-piloto, palestrante e escritor. São Paulo, SP

Certamente o Sergio Cabeleira foi um dos maiores colaboradores que nós tivemos fora da equipe Vemag, em especial para você. Quais foram as melhores recordações das coisas que vocês bolaram e que vieram para o nosso carro de corrida? Ele era um sujeito genial e muito engraçado. Quais os melhores momentos que você teve com ele?

Marinho e Bird Clemente

MARINHO – Caro amigo Bird Clemente,
Tenho grandes recordações do meu amigo Sérgio Cabeleira que foi um gênio, em se tratando de motores. Nós passámos noites e noites mexendo nos motores do meu carro, e como você sabe, trabalhávamos nos mínimos detalhes, pois sempre fui muito exigente e ele era muito parecido comigo neste ponto. O resultado de todo esse trabalho era gratificante. Só parávamos no momento em que tudo parecia estar perfeito. Os meus melhores momentos junto com o Sérgio Cabeleira foram quando fizemos a corrida Curitiba-Apucarana que mesmo sendo uma prova de altíssimo risco, pois parte dela foi com garoa, com uma média horária muito alta, ele corajoso e grande companheiro, me dizia: “baixa a bota caipira!”.

Bob Sharp – Jornalista especializado, consultor, ex-piloto – São Paulo, SP

Marinho, qual vitória você considera a sua maior? E qual a sua maior frustração na pista?

MARINHO – Caro amigo Bob Sharp,
A minha maior vitória foi uma corrida em Interlagos com apenas 10 voltas. Nessa época a rivalidade entre a Willys e a Vemag era enorme, e nesse dia a expectativa em vencer era muito grande, pois eu estava de Malzoni contra um Alpine 1.300 Mark 1, câmara hemisférica, com 130 cv. Como você pode imaginar, eu andei no limite do limite, pois só assim possivelmente eu venceria. Esta corrida foi uma loucura, e felizmente eu venci. A minha maior frustação na pista foi uma corrida de 12 horas em Interlagos com dois carros e três pilotos sendo o Bird o Flávio Delmese e eu. A corrida era contra o relógio e foi uma prova extremamente cansativa, porque parte dela foi sob neblina o que na época era uma das piores situações. O risco de um acidente era muito grande porque a visão tornava- se absolutamente comprometida.

12 horas em Interlagos, SP: chegada com apenas 3 rodas

Eu liderava a corrida, quando fiquei em três rodas pela quebra de uma ponta de eixo, sendo assim cheguei com o carro arrastando. A vitória me escapou por dois segundos e essa foi a minha maior frustação na pista.

Paulo Afonso Trevisan – Curador do Museu do Automobilismo Brasileiro – Passo Fundo, RS

Na tua exitosa trajetória de piloto, estando entre os 2 ou 3 principais do Brasil nos áureos anos 1960, porque estancou a carreira altamente promissora? Poderias ter tido grande sucesso na formula Vê e ter chegado aos protótipos e turismo preparado no final da década e até início dos 70 com certeza. Decepção com o automobilismo? Faltou motivação ou patrocínio?

MARINHO – Caro amigo Paulo Afonso Trevisan,
Na verdade, com o fechamento da Vemag, fui convidado pelo Piero Gancia para correr em um dos carros da equipe Gancia, mas situações familiares me impediram de aceitar, pois achei que minha esposa e nossos quatro filhos sentiriam muito a minha ausência, já que eu não poderia dar a assistência que eles precisavam.
Me mudei para o interior de São Paulo, para a cidade de Ourinhos, me afastando das pistas. Foi uma escolha muito difícil, mas não foi nem decepção pelo automobilismo nem falta de motivação ou patrocínio.

Kiko Malzoni – Empresário e antigomobilista. Filho de Rino Malzoni – Rio de Janeiro, RJ

Caro Marinho. Foi um grande prazer mim estar com você e sua família em Poços de Caldas, no último Blue Cloud – encontro de DKWs. E a minha pergunta é: Qual foi a sua emoção ao reencontrar o DKW Malzoni II?

Malzoni II, o primeiro feito para as pistas e recentemente restaurado

MARINHO – Caro amigo Kiko Malzoni,
A minha emoção foi enorme ao rever o carro que tantas alegrias me proporcionou. É como se eu voltasse o relógio do tempo junto com seu pai e estivéssemos admirando maravilhados a nossa conquista. Chorei muito.

Roberto Zullino – Fórmula Vee Brasil Eventos- São Paulo, SP

Marinho, como pioneiro, acompanhei sua carreira e você era imbatível em circuito de rua com os DKWs. Mesmo em Interlagos você tirava o “leite da pedra” apesar da baixa potência e do peso dos DKWs. Posteriormente, participou de algumas provas com o Formula Jr com motor DKW com bons resultados. Gostaria que você nos explicasse as diferenças entre correr em circuito de rua e pista e correr de carros de turismo e formula. Qual foi a combinação que mais lhe agradou?

Dois momentos de Marinho: em circuito de rua, no qual era especialista e com um Fórmula Jr, com motor DKW

 MARINHO – Caro amigo Roberto Zullino,
As diferenças entre circuito de rua e pista a meu ver é que circuito de rua exigia muito de mim como piloto, pois não havia área de escape. Eram pouco conhecidos o que dificultava muito a pilotagem, pois tinha que se ter muita atenção, porque qualquer erro, além de perder a corrida, possivelmente existiria um acidente. As corridas de pista eram em circuitos conhecidos e com maior segurança e o conjunto de preparação dos nossos carros era muito bom. Carros de turismo são mais pesados, são fechados e são carros de série, adaptados para corridas com uma relação peso potência não tão favorável; já os carros de fórmula são projetados especificamente para corridas com rodas descobertas, e por isso com mais riscos de acidentes e com uma relação peso potência bem melhor. A combinação que mais me agradava era a de carros de turismo em circuito de rua.

Flávio Gomes – Jornalista especializado, escritor e piloto. São Paulo, SP

Você parou de correr depois do trágico acidente de Petrópolis em 1968. Vendo hoje imagens das corridas de rua dos anos 60, a gente percebe que o grau de segurança para todos (pilotos e público) era mínimo, para não dizer inexistente. Naqueles tempos vocês, pilotos não discutiam essas questões?

MARINHO – Caro amigo Flávio Gomes,
Havia muita conversa entre nós pilotos a respeito da segurança, mas não tínhamos a quem recorrer. Nos preocupávamos tanto conosco quanto com o público, pois, principalmente em circuitos de rua, eles ficavam muito perto dos carros que passavam em alta velocidade contornando as curvas.

André Valente – Restaurador de automóveis antigos – Petrópolis, RJ

A partir do segundo à erquerda, Marinho, Bird Clemente e Jorge Lettry, ao lado de diretores da DKW-Vemag

Fiquei muito feliz em participar desta entrevista com você através da Maxicar. Sei que para as fábricas, as corridas sempre funcionaram como laboratório para a linha de produção: melhorias em freios, suspensão, caixa, etc… Você se lembra de alguma em especial que tenha saído das pistas para a linha de montagem da Vemag?

MARINHO – Caro Amigo André Valente
A principal peça que saiu das pistas para a linha de montagem da Vemag foi a ponta de eixo traseiro, cujo material foi alterado pelo Dr. Balder, com todo sucesso, após várias quebras ocorridas anteriormente.

Luiz Evandro “Águia” Campos – Ex-piloto – São Paulo, SP

Caro amigo Marinho, quais os modelos de automóveis de competição que você pilotou ao longo de sua brilhante carreira, e em quais circuitos? Quando foi sua primeira e a última corrida no Brasil e no exterior? Quais foram seus copilotos nas provas de longa duração?

MARINHO – Caro amigo Águia,
Os modelos de automóveis de competição eram DKW anexo j grupo 1, DKW anexo j grupo 2, DKW anexo j grupo 3, DKW Carretera, DKW Fórmula Junior, DKW F 93 – alemão, DKW F 91 – alemão, Porsche, Fiat Abhart 1000 e DKW Malzoni.
Circuitos: Interlagos Circuito da Barra da Tijuca – Rio de Janeiro; Circuito de rua Araraquara, Piracicaba, Poços de Caldas, Vila Nova, Carvalhada (RS) e Recife e Fortaleza. Também circuito de Rua Fortaleza. Corri também no Uruguai (Rivera) e subida de montanha na Serra Velha de Santos (VW). A primeira corrida foi à subida da Serra Velha de Santos e a última foi no autódromo do Rio de Janeiro. Meus copilotos foram: Bird Clemente, Eduardo Scurachio, Cyro Caires, Luiz Greco e Chico Landi.

Flávio Pinheiro – Militar da reserva, consultor, profissional da indústria offshore e administrador do site www.nobresdogrid.com.br

A partir da esquerda, Crispim, Marinho e Lettry: Muita dedicação no acerto dos motores

Quem acompanha as corridas de carros de pelo menos duas décadas para cá (na sua grande maioria limitado à F1) sempre ouviu e ouve se falar sobre potência de motor, de que quem tem o motor mais forte leva vantagem, etc. Durante seus anos correndo pela Vemag, que contava com um motor pequeno e pouco potente, o senhor fez grandes corridas, conquistou diversas vitórias e nos circuito de rua os DKW eram um verdadeiro tormento par os carros mais potentes. Havia um segredo? Qual era o segredo?

MARINHO – Caro amigo Flávio Pinheiro,
O DKW era um carro que se adaptava muito bem às características dos circuitos de rua; acredito que eu também me identificava bastante com este tipo de circuito.
Tínhamos um carro muito bem acertado porque a nossa dedicação no preparo era muito grande, dia após dia, e muitas vezes à noite, sendo assim o carro parecia para todos que tinha algum segredo, mas na verdade, não existia qualquer segredo, e sim, muito trabalho, dedicação e uma vontade de vencer acima de tudo.

Portuga Tavares – Editor do programa Auto Esporte, colaborador de revistas especializadas. Escritor – São Paulo, SP

Grande Marinho. Sou seu admirador e ao ouvir suas histórias através do Kiko Malzoni e também do ilustríssimo Bird Clemente, fico imaginando como eram os tempos do automobilismo romântico e na raça. Se antes de ouvir as historias eu te admirava como piloto, após ouvir suas façanhas passei a te admirar como acertador de automóveis.
Gostaria que você nos contasse um pouco como foi a sua parte e palpites em desenvolver os primeiros “GT Malzoni” e também as modificações que você fez em um Dodge 1800 e que contribuíram muito para a transformação do pequeno e valente Doginho em seu novo modelo, o Polara. Poderia nos contar essas histórias?
Aproveitando a oportunidade, tenho um grande amigo que é fissurado em Doginhos. Ele gostaria muito de te visitar em Ourinhos e eu, é claro, quero aproveitar para me convidar a te conhecer pessoalmente!

MARINHO – Caro amigo Portuga Tavares,
Os palpites para o desenvolvimento dos GTs Malzoni eram dados por uma equipe da qual eu participava ativamente junto ao Jorge Lettry, Genaro Malzoni (Rino) Crispim, Otto Kutner etc. Da mudança do Dodge 1800 para o Polara houve uma evolução significativa em alguns itens: caixa de direção que era totalmente barulhenta, desnível de altura entre a suspensão dianteira e a traseira, vibração do eixo cardan, etc.
Essas modificações foram desenvolvidas e testadas dentro da minha revenda e implementadas pela Chrysler.Isso foi para mim uma alegria enorme e uma grande realização. Quanto a sua vinda a Ourinhos junto com seu amigo ficarei muito contente em recebe-los para nos conhecer.

Membros da Equipe DKW-Vemag: Marinho, Eduardo Scuracchio, Jorge Lettry, Francisco Lameirão, Roberto Dal Pont e Anisio Campos

Mestre Joca – Especialista em corridas clássicas dos anos 1960 e 70. Escritor e blogueiro

Com exceção de uma corrida com Porsche 356 e uma Formula Vê, sua carreira se consolidou sempre com carros DKW, tendo se tornado o maior especialista da marca no Brasil e um dos maiores pilotos de sua época. Mesmo assim, você abriu mão da glória de pilotar o Carcará em 1966, na tentativa de quebrar o recorde mundial para carros de um litro, devido a uma alegada instabilidade do carro em linha reta. Conte como foi essa história!

Lettry e Marinho em testes preliminares com o Carcará

MARINHO – Caro amigo Mestre Joca,
Eu estava envolvido no desenvolvimento do protótipo do Carcará e como todo carro nessa situação tudo era novo e estávamos aprendendo. Logo começaram os testes e eu notei uma acentuada instabilidade direcional. Trabalhamos em cima deste ponto, mas não foi possível encontrar uma solução. Nos testes, ficou comprovado o que eu dizia, pois dei um giro de 360 graus com o carro em linha reta. Após o acontecido, a equipe se reuniu com o fornecedor dos pneus, a Pirelli, e eu cheguei à conclusão de que não havia a mínima condição de segurança, e então eu desisti do projeto. O Norman Casari, que me substituiu, acabou batendo o tão almejado recorde, sem ter acontecido nada com ele, graças a Deus.

Roberto Fróes – Colecionador e apaixonado por corridas e DKWs – Rio de Janeiro, RJ

Na década de 60 eu era adolescente e rato de autódromo. Ilha do Fundão, Circuito da Barra, depois o antigo autódromo do Rio de Janeiro, eram quase como o quintal de minha casa. Ou um templo. As revistas 4 Rodas, Auto Esporte e Mecânica Popular eram nossas Bíblias. E vocês, pilotos, eram os deuses inatingíveis, em outro nível, bem acima de nós. Em especial os DKWs, pilotados pelos deuses, com seu urro diferente, o cheiro, a técnica e precisão na pilotagem, eram a nossa devoção. Devoção que rende até os dias atuais – faço parte do grupo de malucos que ainda mantém essas maquininhas endiabradas a funcionar.
Graças à influência de vocês.
Enfim, a pergunta: Como você se sente, hoje — quase meio século depois — ao chegar a um evento como o Blue Cloud (Encontro Nacional de DKWs) e continuar a ser recebido por muitos ainda como um semideus? Você ainda correria numa prova para veteranos? Daria uma aula?
Agradeço muito, e tenho a felicidade de me considerar, hoje amigo de um semideus.

O Malzoni nº 10 de Marinho sendo perseguido pelo Wiillys Interlagos de Wilson Fittipaldi, no Circuito da Barra do Tijuca. 1964

MARINHO – Caro amigo Roberto Fróes,
Em primeiro lugar quero agradecer suas palavras tão carinhosas e de grande valor para mim, pelo seu reconhecimento, após tantos anos, da minha apaixonante história com os DKWs. Quando eu chego a um Blue Cloud, sinto uma alegria enorme pelo respeito e reconhecimento que todos demonstram ter por mim. O passado vem à mente e as saudades são muitas. Essas reuniões do Blue Cloud são fantásticas. Os apaixonados por DKW vem, muitas vezes, de tão longe rodando com os carros. Fico feliz em ver como a era DKW foi resgatada.
Sobre a prova de veteranos eu não correria, mas a respeito das aulas eu poderia passar as minhas experiências e conhecimentos com muito prazer. Fico muito feliz em saber o quanto você foi e é meu admirador e pela amizade sincera.

Paulo Roberto Peralta – Editor do site especializado em automobilismo www.bandeiraquadriculada.com.br – São Paulo, SP

Quando você e o Bird estavam na Vemag, receberam um convite da Auto Union para correr o Rali de Monte Carlo, mas a resposta da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) na época foi de que se fosse correr fora do país teria sua licença cassada e não correria mais aqui no Brasil. Conte para nós quando e como foi isso, e que frustações deixou, se é que deixou.

MARINHO – Caro amigo Paulo Roberto Peralta,
Naquela época havia uma disputa pelo poder desportivo do automobilismo entre o Automóvel Clube do Brasil, que detinha o poder desportivo perante a Federação Internacional do Automóvel (FIA) e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Em razão dessa disputa a CBA proibia pilotos brasileiros de correr em provas no exterior, que eram supervisionadas pela FIA e, por conseguinte, pelo seu afilhado, o Automóvel Clube do Brasil. Era uma situação inadmissível, cuja consequência era o prejuízo da atividade dos pilotos que não tinham nada haver com a briga.

Eduardo Pessoa de Mello – Presidente do Auto Union DKW Club do Brasil – São Paulo, SP

Sinto muito orgulho deste convite, mormente sendo para participar dessa Roda de Amigos com o maior piloto de DKW da história desse país e talvez um dos melhores do mundo. Como você se sente anos depois, relembrando daquelas vitórias fenomenais onde foi protagonista?

A corrida de inauguração de Brasiília

MARINHO – Caro amigo Eduardo Pessoa de Mello
Passados tantos anos, e relembrando os grandes momentos e as vitórias inesquecíveis, sinto muita alegria e também muitas saudades. Fico muito feliz por ter tido o privilegio de pilotar, com sucesso, o primeiro carro fabricado no Brasil, tendo participado de uma corrida que foi, para mim, muito significativa, já que era a inauguração de Brasília. Quero agradecer a você pelos elogios porque tudo isso traz para mim uma volta ao passado.

Jan Balder – Ex-piloto – São Paulo, SP

Marinho, de todos os carros com mecânica DKW que você pilotou, qual foi aquele que mais lhe deixou saudades?

MARINHO – Caro amigo Jan Balder,
Dos carros com mecânica DKW o que mais me deixou saudades foi a Carretera feita para as Mil Milhas em 1961.

Luiz Salomão – Designer de profissão e jornalista multimídia por opção, apaixonado por automobilismo. Responsável pelo blog “Saloma do Blog” – São Paulo, SP

Essa imagem abaixo é de um feliz momento na carreira de dois pilotos que venero muito. Estamos falando da Carretera DKW de fábrica e seus pilotos. Um deles o vejo com frequência, mas o entrevistado está sendo homenageado e guarda junto ao estepe do carro (uma humilde lembrança), uma imagem que representa uma parte da sua vida, que infelizmente ficou na saudade. Marinho, o que era andar no limite e com carros de maior cilindrada no cangote?
E quero que saiba, que por vocês, tenho gasolina na veia desde os meus 8 anos e com óleo 2 tempos. Vida longa ao mestre com carinho! É isso…

A Carretera DKW

MARINHO – Caro amigo Luiz Salomão,
Andar no limite com um carro no cangote era um sufoco. As provas eram super emocionantes e os nossos carros, que tinham uma pequena cilindrada, eram muito bem preparados, permitindo que andássemos de igual para igual com os carros de maior potência.

Miguel Crispim – Mecânico da Equipe DKW–Vemag – São Paulo, SP

Marinho, qual foi a prova que você participou com veículo DKW que considera a mais importante de sua carreira, e porque? Em nossa longa convivência eu nunca lhe perguntei isso!

MARINHO – Caro amigo Miguel Crispim,
A corrida mais importante na minha carreira foram as Mil Milhas de 1961, o carro estava muito, muito bem preparado e eu tinha um excepcional companheiro, o Bird Clemente.

As inesquecíveis Mil Milhas de Interlagos de 1961

Maurício Morais – Artista automotivo e ilustrador – João Pessoa, PB

Como era o ambiente e a convivência com o mago Rino Malzoni, já que você participou do nascimento e desenvolvimento de inúmeros projetos que hoje são históricos e fundamentais na história do automobilismo brasileira?

MARINHO – Caro amigo Maurício Morais,
O meu relacionamento com o Rino Malzoni era maravilhoso, nós nos tornamos grandes amigos, ele era uma pessoa muito especial. O ambiente era tranquilo e de muita confiança e sinceridade entre nós dois.

Mensagem final

Caros amigos que realizaram as perguntas desta Roda de Amigos:
Fiquei muito feliz e emocionado quando li cada pergunta que vocês fizeram. Senti um carinho muito grande e até, considerações que eu não mereço.
Quero, do fundo do meu coração, agradecer, pois tudo isto fez com que eu me sentisse muito lembrado, 44 anos após minha última corrida. É algo sensacional!
Um forte abraço a cada um de vocês.

Marinho DKW 10

Organização, texto de introdução e edição: Fernando Barenco

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