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Acessórios de época: esses objetos estranhos…

REGISTRO

Acessórios de época:
esses objetos estranhos…

Os primeiros anos da história da indústria automobilistica brasileira foram marcados pela bravura de muitos pioneiros, que com parcos recursos e muita determinação, plantaram na marra a semente da modernidade que vemos hoje. Foram marcados também pelo atraso tecnológico em comparação a outros países, fazendo com que o Brasil ficasse sempre passos atrás das matrizes americanas ou européias.

De olho nessa realidade, surgiu então uma grande indústria destinada a produzir produtos cujo objetivo era o de equipar um pouco melhor nossos automóveis, que via de regra saiam da linha de montagem bastante “pelados”. Acessórios na maioria das vezes bastante modernos e atualizados para sua época, que tentavam aproximar nossa frota dos países do “Primeiro Mundo”. Mas essa industria foi a responsável também pelo desenvolvimento de produtos bastante estranhos, principalmente nos anos 1960, e que hoje nos fazem dar boas risadas, seja pelo fato de serem meio improvisados e foras do comum para os padrões atuais, seja mesmo pela sua inutilidade.

Pesquisamos nas revistas automotivas da época os anuncios de alguns desses “acessórios revolucionários”. Todas as imagens podem ser ampliadas.

RÁDIO PORTÁTIL CORVAIR GE – Lançado em 1961, quando a indústria de automóveis no Brasil ainda engatilhava, tratava-se de um rádio portátil comum a pilha, já transistorizado (sem válvulas), que podia tanto ser usado em casa ou carregado, como instalado no carro ou da motoneta, graças a seu painel de controle, que ficava na parte de cima do aparelho. O auto-falante ficava embutido no próprio aparelho. Maior improviso, impossível.
BANCO DIANTEIRO INTEIRIÇO PARA FUSCA – Fabricado pela Cardecor, permitia que “teoricamente” três pessoas pudessem viajar no banco da frente. Teoricamente, porque deveria ficar super apertado e desconfortável. Além disso, havia o fato de o freio de mão, localizado no tunel central, passar a ficar embaixo do banco. Certamente foi um fracasso de vendas.
CALOTA COM CHAVE – Sim, ela existiu, e foi lançada em 1964. Era fabricada para qualquer modelo nacional. O objetivo da chave era evitar o roubo. Embora pareça bastante esquisita a princípio, a idéia era boa, se imaginarmos que naquela época deveriam haver muitos ladrões de calotas, já que este era um ítem básico de qualquer automóvel. Além disso, ela permitia maior segurança, no sentido de evitar que a calota se soltasse com o movimento.
MOTO-LEK – Destinado exclusivamente ao Volkswagen, o Moto Lek era um “catalizador de ar” que, instalado na grade de ventilação que fica acima do capô, prometia auxiliar na refrigeração do motor, aumentando sua vida útil. Seria ótimo se funcionasse, mas não é o caso, já que esta abertura foi prejetada para a saída do ar aquecido e não a entrada de ar frio para a refrigeração. Propaganda enganosa!
CONSOLE PARA OPALA – Um produto de pouca funcionalidade. Era destinado ao Chevrolet Opala com banco dianteiro inteiriço, para três passageiros. O que sentava no meio, com certeza ia a viagem inteira com as pernas espremidas, ou então chutando o tal console.
KON-TAK-TRON – Este produto, que olhando assim parece uma escova, era na verdade um sistema anti-furto, que tinha uma proposta bem interessante, se comparada a outros produtos do gênero na época. Tratava-se de um plug com um conjunto de circuitos eletrônicos que se conectavam a uma espécie de tomada instalada dentro do porta-luvas. O automóvel somente dava a partida se feita a conexão. Dizia a propaganda: “você carrega no bolso a segurança de seu automóvel”. Já imaginou o desconforto de ter que carregar no bolso uma tomada com 13 pinos pontudos?
ASSENTO VENTILADO – Esse era bastante inusitado! Uma almofada para ser colocada sobre o banco do automóvel. Até aí, nada demais. Acontece que ela tinha a proposta de refrescar o motorista e por isso vinha equipada com dois ventiladores, um de cada lado do assento, que era ligado ao acendedor de cigarros ou a um plug no painel (a propaganda não explica essa parte). Já da para imaginar os fios esticados no meio do carro.
ESTOJO PARA GRAVADOR MOTORADIO – Um produto do tempo em que o gravador com fita cassete estava surgindo, em substituição aos gravadores de rolo e com cartuchos grandes. O toca-fitas para autos ainda não estava disponível. Então teve-se a idéia de criar um estojo para colocar dentro o gravador portátil e instalar no carro. Podia ser acoplado ao rádio, para gravar diretamente as músicas. Permitia também que o cassete fosse retirado do tal estojo para uso normal.
BARRACA DE TETO – Este talvez seja o mais interessante e genial acessório mostrado aqui. Uma barraca de camping que era transportada em cima do automóvel, como um bagageiro e alí mesmo era armada. Ou seja: com acesso através de uma escadinha, você e sua família podiam acampar no teto do próprio carro, evitando assim o risco de serem picados por cobras e insetos. A capacidade era para 3 pessoas. Acreditamos que não tenha dado certo, pelo “mico que se pagava”!

 Pesquisa e redação: Fernando Barenco

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