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Alfa Romeo 2300 – Comemoração dos 40 anos de lançamento

O dono da festa!

Alfa Romeo 2300 – Comemoração dos 40 anos de lançamento

Uma visita ao local onde tudo começou

Roteiro de viagem comemorativa incluiu uma visita à antiga sede da FNM

26 de março de 2014. Hoje fazem exatos 40 anos desde o lançamento do Alfa Romeo 2300. Uma data tão marcante não poderia passar sem ser devidamente comemorada por um grupo de ‘alfistas’ do Sul e do Sudeste. E a forma escolhida para isso foi uma grande viagem que partiu da Capital Paulista no último sábado (22) e que termina domingo (30). Afinal, como diz o slogan criado por eles “40 anos se comemora na estrada”.

Serão ao todo cerca de 2.300 quilômetros percorridos. Até agora, eles já passaram por Curitiba-PR e retornaram via São José dos Campos-SP. No dia 24 o grupo chegou a Petrópolis-RJ e tivemos o prazer de acompanhar parte do roteiro desses aventureiros alfistas por aqui.

De Petrópolis a Xerém, pela BR-040

Eles chegaram à Região Serrana a bordo de 14 Alfas. Sete do modelo 2300 e o restante de outros modelos, a maioria italianos mais modernos. No dia 25, terça-feira, partiram cedo do distrito de Correas via BR-040 em direção ao ‘pé da serra’, mais precisamente Xerém, distrito de Duque de Caxias — hoje famoso por ser o lar de Zeca Pagodinho — mas que um dia foi conhecido nacionalmente por abrigar a estatal Fábrica Nacional de Motores, fabricante dos caminhões ‘Fê-Nê-Mê’ e dos automóveis FNM sob licença da italiana Alfa Romeo.
— Partimos de São Paulo em 20 Alfas. Em Curitiba já éramos 24. Infelizmente, por questões de compromisso profissional, nem todos puderam seguir viagem conosco. — nos contou Túlio Silva, presidente do Alfa Romeo Clube de Minas Gerais, uma das entidades organizadoras do evento, ao lado do grupo Alfa Romeo BR e da Confraria 2300.

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A chegada à antiga sede da Fábrica Nacional de Motores, onde hoje funciona uma das fábricas da Marcopolo

Lançado exatamente no dia 26 de março de 1974, o sedan de luxo Alfa Romeo 2300 nasceu para substituir o FNM 2150 — conhecido como o ‘JK de frente baixa’. Sua linha de produção teve início nas instalações da Fábrica Nacional de Motores e ali permaneceu até 1978, quando foi transferida para Betim e ganhou o selo Fiat, que passou a deter o controle acionário da Alfa Romeo. Sua produção foi encerrada em 1986.

Atualmente, as instalações da antiga estatal é a sede fluminense da fábrica de ônibus Marcopolo, uma grande potência do ramo, que emprega mais de 4 mil funcionários e mantém fábricas em vários pontos do Brasil e também do exterior. Lá os alfistas foram muito bem recebidos e ouviram uma palestra proferida pelo diretor Alberto Calcanhoto — também ele um colecionador de automóveis antigos, embora se diga atualmente um pouco frustrado pela falta de tempo para se dedicar ao hobbie.

Uma palestra com o diretor da empresa, Alberto Calcanhoto

Após o break-fast, o grupo fez uma visita guiada à linha de montagem dos ônibus, que inclui veículos urbanos e rodoviários. Infelizmente não foi permitido tirar fotos dessa interessante parte do roteiro.

Enquanto isso, os Alfa Romeos permaneciam perfilados no estacionamento da empresa, chamando a atenção dos funcionários para aqueles automóveis cheios de classe, que dificilmente se vê circulando pelas ruas. Muitos desses operários não sabiam sequer que aqueles 2300 saíram daquelas oficinas há 40 anos.

O brasileiro Paulillo e o suiço Marx: dois grandes colecionadores e cultuadores da marca italiana

Entre os alfistas presentes, Marcelo Paulillo, de São Paulo, considerado o maior colecionador do 2300 em todo o Brasil, tendo em sua garagem nada menos que 12 exemplares. Sua coleção foi formada de modo relâmpago, como ele mesmo contou:
— Em 1975, quando eu tinha apenas 3 anos, meu pai comprou um 2300 e ficou com ele até 1988. Ou seja, convivi com aquele Alfa durante toda a minha infância. Em 2006, navegando por um site de vendas, encontrei por acaso um 1983 e decidi comprar. Estranho que assim que entrei no carro, todas aquelas velhas lembranças me voltaram à mente na mesma hora. Desde então, já comprei outros onze.

Jornalista Roberto Nasser: FNM à frente de seu tempo

 

O médico suíço Axel Marx veio ao Brasil especialmente para participar do evento. O alfista mais inteirado conhece bem esse nome. Axel é um dos maiores colecionadores da marca em todo o mundo. Sua garagem em Lugano é habitada por nada menos que 80 automóveis, quase todos da marca Italiana. Grande estudioso no assunto, Axel foi consultor da Alfa Romeo no desenvolvimento do esportivo 8C Competizione.

O advogado e jornalista José Roberto Nasser, curador do Museu Nacional do Automóvel e grande admirador dos Alfas, partiu de Brasilia-DF para participar da festa. Ele comentou sobre o grande grau de desenvolvimento alcançado pela FNM nos anos 1960, se comparado às demais montadoras brasileiras. Nasser possui no acervo de seu museu um dos três exemplares do Onça, um protótipo Alfa Romeo encomendado pela FNM ao projetista Rino Malzoni, mas que nunca chegou a entrar em produção.

foto oficial na porta do auditório da Marcopolo
foto oficial na porta do auditório da Marcopolo

Depois da foto oficial, o grupo seguiu para uma visita à sede do INMETRO, que fica também em Xerém.

Hoje o grupo seguiria para Betim, cidade próxima a Belo Horizonte, onde se localiza a sede da Fiat Automóveis. Lá o 2300 foi fabricado de 1978 a 1986. No caminho, escalas em Juiz de Fora e Barbacena, para visitas aos alfistas mineiros Luiz Carlos Fortes Braga e Pedro Ladeira, respectivamente. Sexta-feira, última etapa da grande viagem, com o retorno a São Paulo, onde haverá um almoço de encerramento.

Texto: Fernando Barenco
Fotos: Fátima Barenco e Fernando Barenco

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